IBS e CBS (Guia Completo): cronograma, regras e impactos práticos para empresas
Esta página explica, de forma objetiva e operacional, o que muda com a reforma tributária no consumo: CBS (federal) e IBS (estadual/municipal), o período de transição, como isso afeta precificação, fluxo de caixa e decisões de regime (especialmente Simples Nacional e MEI).
Sumário
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1) O que são IBS e CBS (explicação simples)
A reforma tributária reorganiza os tributos sobre o consumo em um modelo de IVA (imposto sobre valor agregado), com a lógica de não cumulatividade mais ampla: a empresa apura imposto sobre a venda e desconta créditos vinculados às compras/insumos, reduzindo o “efeito cascata”.
CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços)
Tributo federal que substitui o PIS e a COFINS. Em termos práticos, a CBS tende a exigir maior padronização na apuração e maior atenção na escrituração e parametrização fiscal.
IBS (Imposto sobre Bens e Serviços)
Tributo compartilhado entre Estados e Municípios que substitui ICMS e ISS. A ideia é reduzir conflitos de competência, guerra fiscal e divergências de regras por localidade, com um sistema mais uniforme.
2) Cronograma IBS e CBS (2026–2033) – com leitura operacional
O cronograma abaixo organiza o que acontece em cada fase. Mesmo no “teste” (2026), o objetivo é validar sistemas, regras de emissão, apuração e possíveis mecanismos como o split payment. A partir de 2027, as mudanças passam a impactar decisões e rotina contábil.
| Ano | O que acontece | Na prática (o que muda no dia a dia) |
|---|---|---|
| 2026 | Fase de teste da CBS e IBS (alíquotas simbólicas) | Ajustes de sistema, testes de nota, validações operacionais. Ideal para empresas iniciarem parametrização e rotinas de conciliação, sem “choque” tributário completo. |
| 2027 | CBS entra em vigor plenamente; PIS/COFINS deixam de existir | Começa a mudança real no consumo federal. Empresas precisam revisar preços, créditos e escriturar de forma compatível com as regras da CBS. Cresce cobrança de clientes PJ por crédito correto. |
| 2027–2032 | Transição do ICMS/ISS para IBS (redução gradual dos antigos e aumento do IBS) | Convivência de regras: parte do imposto no modelo antigo e parte no novo. Esse é o período mais sensível para controle, pois a empresa opera com bases e obrigações paralelas. |
| 2033 | IBS pleno; ICMS e ISS deixam de existir | Consolidação do IVA dual. A complexidade passa a ser menor do que na transição, porém com exigência alta de tecnologia, classificação e auditoria de dados fiscais. |
Observação: as alíquotas definitivas e regras detalhadas de crédito e regimes específicos são regulamentadas por norma. Para clientes, o essencial é entender: transição começa antes de 2033.
3.1 Crédito: por que isso muda o mercado (especialmente B2B)
No IVA, crédito não é “detalhe”: é a forma que o comprador PJ reduz custo. Se uma empresa não gera crédito (ou gera menos), ela pode perder competitividade, pois o cliente compara fornecedores pelo custo líquido após créditos.
- B2C: crédito tende a ser irrelevante para consumidor final.
- B2B: crédito costuma ser decisivo (cadeia produtiva).
- Parametrização errada = risco de glosa de crédito e conflito com cliente.
3.2 Split payment: por que o dinheiro “some” do caixa
No split payment, parte do tributo é retida no pagamento e repassada ao fisco. Isso muda o fluxo financeiro: o fornecedor pode receber “líquido”, e não mais o valor total da nota.
- Exige conciliação: NF emitida x recebimento líquido x retenção.
- Impacta capital de giro, especialmente em margens apertadas.
- Requer explicação ao cliente: faturamento ≠ dinheiro na conta.
3.3 Precificação (regra de bolso para orientar cliente)
Com crédito e retenção, a precificação deve considerar: (1) quanto imposto será retido, (2) se o cliente tomará crédito, (3) se a empresa terá créditos de compras/insumos e (4) impacto em caixa. Vender “no escuro” vira risco.
4.1 Simples Nacional com IBS/CBS “por dentro”
No “por dentro”, a empresa mantém recolhimento via DAS. A operação é mais simples, porém o crédito gerado ao cliente PJ tende a ser menor (crédito proporcional), o que pode impactar competitividade no B2B.
- Mais comum para B2C e serviços locais
- Menos complexidade de apuração fora do DAS
- Precisa avaliar impacto do crédito para cliente PJ
4.2 Simples Nacional com IBS/CBS “por fora”
No “por fora”, a empresa fica no Simples para tributos diretos/folha, mas apura IBS e CBS no regime regular, destacando na nota e gerando crédito mais completo. É uma decisão estratégica para preservar competitividade no B2B.
- Indicado quando o cliente exige crédito e há cadeia produtiva
- Exige parametrização fiscal e escrituração robusta
- Geralmente aumenta a necessidade de controles internos
4.3 Regra prática (decisão rápida)
Se a carteira é B2C, “por dentro” costuma funcionar bem. Se a carteira é B2B, simular “por fora” pode ser essencial para não perder vendas por falta de crédito.
5) MEI na prática: declarações, multas e controle de faturamento
O MEI continua existindo, porém a tendência é aumento de rigor: cruzamentos, rastreabilidade e penalidades por atraso/erro. Na prática, o MEI precisa manter rotina mínima de conformidade para evitar bloqueios e passivos.
5.1 Declaração anual (DASN-SIMEI)
O MEI deve entregar a declaração anual informando o faturamento do ano anterior. Mesmo com faturamento zerado, é recomendável transmitir corretamente para evitar pendências.
5.2 Multas e atrasos (orientação prática)
O ponto central é: atraso e erro viram custo. O controle tende a aumentar, e o MEI precisa manter regularidade para não perder emissão de nota, acesso a crédito e regularidade cadastral.
5.3 Controle de faturamento
O MEI deve acompanhar o limite anual. Estourar o limite implica desenquadramento e pode gerar recalculo de tributos e obrigações. Para o contador, o ideal é orientar controle mensal e alertas antes de ultrapassar.
6) Checklists práticos (para aplicar com cliente)
Checklist – Empresa (IBS/CBS)
- Mapear perfil: vende para PF (B2C) ou PJ (B2B)?
- Revisar cadastro de produtos/serviços (parametrização de NF).
- Simular impacto de crédito: cliente toma crédito? há vedação?
- Simular impacto no caixa: retenção/split payment e capital de giro.
- Planejar transição: controles paralelos no período 2027–2032.
Checklist – MEI / Simples
- MEI: verificar entrega de declaração anual e consistência do faturamento.
- Monitorar limite do MEI e alertar cliente antes de ultrapassar.
- Ao migrar para Simples: ajustar apuração mensal (PGDAS-D) e obrigações anuais.
- Validar CNAEs e anexo do Simples (planejamento tributário básico).
- Documentar orientação: reduz risco e facilita auditoria/defesa.
Estes checklists são um guia. Para cada cliente, o ideal é adaptar por atividade (CNAE), município/estado e perfil de faturamento.
7) FAQ – Perguntas frequentes
Quando IBS e CBS começam a valer?
O Simples Nacional acaba com a Reforma?
Por que o crédito vai mudar a concorrência?
O que é split payment e qual o risco?
MEI continua existindo? O que muda na prática?
Conteúdo educativo. Para cálculo de impacto financeiro, faça simulações por CNAE, setor, tipo de cliente e estrutura operacional.
Quer ajuda para aplicar isso no seu caso?
Se você tiver dúvidas sobre o conteúdo desta página ou quiser orientação prática (passo a passo, documentos e caminho correto), fale com a equipe do DiretoLegaliza.com.
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