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Guia prático • CBS e IBS no regime regular

Lucro Real na Reforma Tributária: créditos, split payment e a nova lógica de decisão

A Reforma muda o jogo: o foco sai da alíquota e vai para o crédito. Nesta página você entende, de forma objetiva, como a CBS e o IBS impactam empresas no regime regular, incluindo o risco de crédito reduzido com fornecedores do Simples e o regime específico de imóveis.

Atualizado para estudo e aplicação prática Conteúdo orientado a contadores e empresas Foco: gestão de crédito e decisão de regime

O que muda na prática com CBS e IBS no regime regular

Resumo para você explicar para cliente sem “juridiquês”: foco em risco, crédito e decisão de regime.

Crédito • não cumulatividade ampla

A Reforma deixa de ser “alíquota” e vira “gestão de crédito”

Mesmo com alíquota elevada, o impacto líquido depende do quanto a empresa consegue creditar corretamente.

Split payment • condição do crédito

Crédito condicionado ao pagamento do fornecedor

O crédito nasce com a extinção do débito do fornecedor. Sem isso, há risco de crédito travado.

Simples • crédito reduzido

Fornecedor do Simples pode virar “mais caro”

Quem compra de optante do Simples credita apenas o IBS/CBS pago no DAS — normalmente inferior ao regime regular.

Uso pessoal • vedação principal

Regra geral: credita. Exceção: uso/consumo pessoal

A vedação concentra-se em itens de uso pessoal (ex.: bebidas alcoólicas, itens recreativos/estéticos e veículos pessoais).

Imóveis • regime específico

Operações imobiliárias ganham regras próprias

Venda e locação têm reduções e mecanismos como redutor de ajuste e redutor social, exigindo revisão patrimonial.

Regime • Real x Presumido

IBS/CBS sai da equação: decisão volta a ser IRPJ/CSLL

Com IBS/CBS idênticos no regime regular, a escolha Real vs Presumido deve comparar margem real e presunção.

Alerta estratégico: risco de “saneamento” na cadeia de fornecedores

Empresas maiores já estão mapeando fornecedores por regime tributário para maximizar créditos. Um fornecedor que gera crédito reduzido pode ser substituído mesmo sem aumentar preço.

Dica prática: liste os 10 maiores fornecedores e os 10 maiores clientes e classifique por regime.

Checklist prático para aplicar em clientes (em 30–60 minutos)

Use como roteiro de reunião consultiva: rápido, objetivo e com entregável claro.

1

Mapeamento de cadeia (fornecedores e clientes)

  • Identificar principais fornecedores e clientes (top 10).
  • Classificar: regime regular (crédito amplo) x Simples (crédito limitado).
  • Marcar onde há risco de perda de contrato por crédito reduzido.
2

Diagnóstico de créditos e vedações

  • Separar despesas operacionais x itens de uso pessoal.
  • Validar política interna de compras e documentação fiscal.
  • Rever itens críticos (ex.: veículos: pessoal x operacional).
3

Simulação de custo líquido (preço vs crédito)

  • Comparar cenários: fornecedor do Simples vs regime regular.
  • Verificar quando “pagar um pouco mais” compensa pelo crédito maior.
  • Gerar recomendação objetiva de substituição/negociação.
4

Revisão da decisão: Lucro Real x Presumido

  • Levantar margem real (últimos 12 meses ou por trimestre).
  • Comparar com presunção (IRPJ/CSLL) e identificar “regime errado”.
  • Planejar migração com antecedência e governança de dados.

Termômetro rápido (para orientar prioridade do projeto)

Uma visão simples para decidir por onde começar no cliente (crédito, cadeia, imóveis ou regime).

Área Sinal de risco Prioridade
Fornecedores no Simples Compras relevantes com crédito limitado no DAS Alta
Split payment / crédito Risco de crédito travar por inconsistência do fornecedor Alta
Imóveis (PF/locação/venda) Receita alta com locação e potencial enquadramento como contribuinte Alta
Decisão Real x Presumido Margem real baixa e empresa no presumido por “efeito PIS/COFINS” Média/Alta
Uso/consumo pessoal Despesas misturadas (pessoal x empresa) sem política interna Média

Dúvidas frequentes sobre CBS/IBS no Lucro Real

Respostas diretas para você colar em WhatsApp, e-mail ou proposta comercial.

O IBS/CBS será diferente no Lucro Real e no Lucro Presumido?

Não. Para fins de IBS/CBS, ambos estão no regime regular (não cumulativo), com direito amplo a créditos. A escolha entre Real e Presumido volta a ser essencialmente uma decisão de IRPJ/CSLL.

Por que comprar de fornecedor do Simples pode ficar “mais caro”?

Porque o crédito de quem compra de optante do Simples tende a ser limitado ao IBS/CBS pago no DAS, em valor geralmente inferior ao crédito amplo no regime regular. Isso aumenta o custo líquido da compra.

O que é split payment e por que isso afeta o crédito?

É um mecanismo de pagamento que assegura o recolhimento do tributo na operação, vinculando o crédito à extinção do débito pelo fornecedor. Em termos práticos: sem débito pago, pode haver risco de crédito não aproveitável.

Quais despesas podem ser vedadas como “uso/consumo pessoal”?

A vedação se concentra em bens e serviços de uso pessoal (ex.: bebidas alcoólicas, itens recreativos/esportivos/estéticos, e veículos pessoais). Já despesas operacionais ligadas à atividade tendem a manter o crédito, inclusive veículos de frota.

Pessoa física com imóvel pode virar contribuinte de IBS/CBS?

Sim. Dependendo de receita e regras específicas do regime imobiliário, a pessoa física pode ser tratada como contribuinte do IBS/CBS em operações de locação/cessão/venda. Isso exige revisão patrimonial e planejamento.

Observação: Esta página tem objetivo informativo e prático. A aplicação no caso concreto depende da atividade, margens, cadeia de fornecedores e situação patrimonial do contribuinte.