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IBS e CBS (Guia Completo): cronograma, regras e impactos práticos para empresas

Esta página explica, de forma objetiva e operacional, o que muda com a reforma tributária no consumo: CBS (federal) e IBS (estadual/municipal), o período de transição, como isso afeta precificação, fluxo de caixa e decisões de regime (especialmente Simples Nacional e MEI).

2026: fase de teste 2027: CBS plena 2027–2032: transição 2033: IBS pleno

Sumário

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1) O que são IBS e CBS (explicação simples)

A reforma tributária reorganiza os tributos sobre o consumo em um modelo de IVA (imposto sobre valor agregado), com a lógica de não cumulatividade mais ampla: a empresa apura imposto sobre a venda e desconta créditos vinculados às compras/insumos, reduzindo o “efeito cascata”.

CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços)

Tributo federal que substitui o PIS e a COFINS. Em termos práticos, a CBS tende a exigir maior padronização na apuração e maior atenção na escrituração e parametrização fiscal.

IBS (Imposto sobre Bens e Serviços)

Tributo compartilhado entre Estados e Municípios que substitui ICMS e ISS. A ideia é reduzir conflitos de competência, guerra fiscal e divergências de regras por localidade, com um sistema mais uniforme.

Tradução prática: IBS e CBS mudam o “jogo” do B2B, pois o crédito passa a ser determinante para competitividade. Empresas que vendem para PJ tendem a ser cobradas pelo cliente para gerar crédito corretamente.

2) Cronograma IBS e CBS (2026–2033) – com leitura operacional

O cronograma abaixo organiza o que acontece em cada fase. Mesmo no “teste” (2026), o objetivo é validar sistemas, regras de emissão, apuração e possíveis mecanismos como o split payment. A partir de 2027, as mudanças passam a impactar decisões e rotina contábil.

Ano O que acontece Na prática (o que muda no dia a dia)
2026 Fase de teste da CBS e IBS (alíquotas simbólicas) Ajustes de sistema, testes de nota, validações operacionais. Ideal para empresas iniciarem parametrização e rotinas de conciliação, sem “choque” tributário completo.
2027 CBS entra em vigor plenamente; PIS/COFINS deixam de existir Começa a mudança real no consumo federal. Empresas precisam revisar preços, créditos e escriturar de forma compatível com as regras da CBS. Cresce cobrança de clientes PJ por crédito correto.
2027–2032 Transição do ICMS/ISS para IBS (redução gradual dos antigos e aumento do IBS) Convivência de regras: parte do imposto no modelo antigo e parte no novo. Esse é o período mais sensível para controle, pois a empresa opera com bases e obrigações paralelas.
2033 IBS pleno; ICMS e ISS deixam de existir Consolidação do IVA dual. A complexidade passa a ser menor do que na transição, porém com exigência alta de tecnologia, classificação e auditoria de dados fiscais.

Observação: as alíquotas definitivas e regras detalhadas de crédito e regimes específicos são regulamentadas por norma. Para clientes, o essencial é entender: transição começa antes de 2033.

3.1 Crédito: por que isso muda o mercado (especialmente B2B)

No IVA, crédito não é “detalhe”: é a forma que o comprador PJ reduz custo. Se uma empresa não gera crédito (ou gera menos), ela pode perder competitividade, pois o cliente compara fornecedores pelo custo líquido após créditos.

  • B2C: crédito tende a ser irrelevante para consumidor final.
  • B2B: crédito costuma ser decisivo (cadeia produtiva).
  • Parametrização errada = risco de glosa de crédito e conflito com cliente.

3.2 Split payment: por que o dinheiro “some” do caixa

No split payment, parte do tributo é retida no pagamento e repassada ao fisco. Isso muda o fluxo financeiro: o fornecedor pode receber “líquido”, e não mais o valor total da nota.

  • Exige conciliação: NF emitida x recebimento líquido x retenção.
  • Impacta capital de giro, especialmente em margens apertadas.
  • Requer explicação ao cliente: faturamento ≠ dinheiro na conta.

3.3 Precificação (regra de bolso para orientar cliente)

Com crédito e retenção, a precificação deve considerar: (1) quanto imposto será retido, (2) se o cliente tomará crédito, (3) se a empresa terá créditos de compras/insumos e (4) impacto em caixa. Vender “no escuro” vira risco.

Dica Direto Legaliza: para clientes B2B, sempre simular custo líquido do cliente (preço − créditos) e o caixa do fornecedor (recebimento líquido após retenções).

4.1 Simples Nacional com IBS/CBS “por dentro”

No “por dentro”, a empresa mantém recolhimento via DAS. A operação é mais simples, porém o crédito gerado ao cliente PJ tende a ser menor (crédito proporcional), o que pode impactar competitividade no B2B.

Mais simples Pode perder no B2B
  • Mais comum para B2C e serviços locais
  • Menos complexidade de apuração fora do DAS
  • Precisa avaliar impacto do crédito para cliente PJ

4.2 Simples Nacional com IBS/CBS “por fora”

No “por fora”, a empresa fica no Simples para tributos diretos/folha, mas apura IBS e CBS no regime regular, destacando na nota e gerando crédito mais completo. É uma decisão estratégica para preservar competitividade no B2B.

Crédito mais forte Mais compliance
  • Indicado quando o cliente exige crédito e há cadeia produtiva
  • Exige parametrização fiscal e escrituração robusta
  • Geralmente aumenta a necessidade de controles internos

4.3 Regra prática (decisão rápida)

Se a carteira é B2C, “por dentro” costuma funcionar bem. Se a carteira é B2B, simular “por fora” pode ser essencial para não perder vendas por falta de crédito.

Importante: a decisão depende do setor, da possibilidade de crédito e do comportamento do cliente. O melhor caminho é simular com 2 cenários (por dentro vs por fora) e comparar custo/caixa.

5) MEI na prática: declarações, multas e controle de faturamento

O MEI continua existindo, porém a tendência é aumento de rigor: cruzamentos, rastreabilidade e penalidades por atraso/erro. Na prática, o MEI precisa manter rotina mínima de conformidade para evitar bloqueios e passivos.

5.1 Declaração anual (DASN-SIMEI)

O MEI deve entregar a declaração anual informando o faturamento do ano anterior. Mesmo com faturamento zerado, é recomendável transmitir corretamente para evitar pendências.

5.2 Multas e atrasos (orientação prática)

O ponto central é: atraso e erro viram custo. O controle tende a aumentar, e o MEI precisa manter regularidade para não perder emissão de nota, acesso a crédito e regularidade cadastral.

5.3 Controle de faturamento

O MEI deve acompanhar o limite anual. Estourar o limite implica desenquadramento e pode gerar recalculo de tributos e obrigações. Para o contador, o ideal é orientar controle mensal e alertas antes de ultrapassar.

Regra de bolso: MEI é simples, mas não pode ser “largado”. A falta de declaração e controle de faturamento costuma virar regularização cara no futuro.

6) Checklists práticos (para aplicar com cliente)

Checklist – Empresa (IBS/CBS)

  • Mapear perfil: vende para PF (B2C) ou PJ (B2B)?
  • Revisar cadastro de produtos/serviços (parametrização de NF).
  • Simular impacto de crédito: cliente toma crédito? há vedação?
  • Simular impacto no caixa: retenção/split payment e capital de giro.
  • Planejar transição: controles paralelos no período 2027–2032.

Checklist – MEI / Simples

  • MEI: verificar entrega de declaração anual e consistência do faturamento.
  • Monitorar limite do MEI e alertar cliente antes de ultrapassar.
  • Ao migrar para Simples: ajustar apuração mensal (PGDAS-D) e obrigações anuais.
  • Validar CNAEs e anexo do Simples (planejamento tributário básico).
  • Documentar orientação: reduz risco e facilita auditoria/defesa.

Estes checklists são um guia. Para cada cliente, o ideal é adaptar por atividade (CNAE), município/estado e perfil de faturamento.

7) FAQ – Perguntas frequentes

Quando IBS e CBS começam a valer?
2026 é fase de teste (calibração). Em 2027 a CBS entra plenamente e PIS/COFINS deixam de existir. O IBS cresce durante 2027–2032 e se consolida em 2033 com a saída total de ICMS/ISS.
O Simples Nacional acaba com a Reforma?
Não. O Simples continua, mas a decisão sobre IBS/CBS “por dentro” ou “por fora” se torna estratégica, especialmente para empresas B2B que precisam gerar crédito.
Por que o crédito vai mudar a concorrência?
Porque o cliente PJ compara custo líquido após créditos. Se um fornecedor não gera crédito (ou gera menos), ele pode ser mais caro para o comprador, mesmo com o mesmo preço de tabela.
O que é split payment e qual o risco?
É a retenção automática do tributo no pagamento. O risco prático é caixa apertado e falhas de parametrização: se o imposto for retido errado ou houver divergência de nota, pode gerar retrabalho, glosa e passivo.
MEI continua existindo? O que muda na prática?
Sim, continua. Na prática, cresce a necessidade de controle: declarações, faturamento e regularidade cadastral. A falta de organização tende a virar custo (regularização, multas e impedimentos operacionais).

Conteúdo educativo. Para cálculo de impacto financeiro, faça simulações por CNAE, setor, tipo de cliente e estrutura operacional.

© Direto Legaliza • Página informativa sobre IBS e CBS. Para aplicar no seu caso, analise atividade (CNAE), cadeia (B2B/B2C), e regras específicas do setor.

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Dica: ao entrar em contato, envie o link desta página e descreva seu objetivo (ex.: abertura, alteração, baixa, certidão, regularização).