Apoio ao Desenvolvimento de Pequenos Satélites no INPE

INPE • LPSI/DIPST • Pequenos Satélites

Serviço de Apoio ao Desenvolvimento de Pequenos Satélites no INPE

Estrutura institucional, capacidades tecnológicas, fluxo de atendimento e impacto do Laboratório de Desenvolvimento de Pequenos Satélites do INPE no ecossistema espacial brasileiro.

Resumo direto: o INPE disponibiliza, por meio do Laboratório de Desenvolvimento de Pequenos Satélites (LPSI) e da Divisão de Pequenos Satélites (DIPST), apoio técnico ao desenvolvimento, integração e testes de satélites miniaturizados das classes femto, pico e nano, incluindo nanossatélites de até 10 kg e seus sistemas terrenos. O atendimento depende de análise de viabilidade e disponibilidade, e os custos são definidos conforme a utilização do laboratório e dos recursos humanos de apoio.
CubeSat Nanossatélites Engenharia espacial FlatSat Segmento de solo INPE

1. O avanço dos pequenos satélites e o papel do INPE

O avanço global da engenharia aeroespacial e a consolidação do paradigma conhecido como New Space transformaram a dinâmica de acesso ao espaço. A miniaturização de componentes eletrônicos, o avanço dos sistemas embarcados e a adoção de arquiteturas padronizadas possibilitaram que universidades, centros de pesquisa e empresas de base tecnológica desenvolvam sistemas espaciais funcionais com estruturas menores e, em determinados projetos, custos mais competitivos em comparação com missões espaciais tradicionais.

No Brasil, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), unidade vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), mantém competências relacionadas à pesquisa, engenharia, desenvolvimento, integração, testes e operação de tecnologias e sistemas espaciais.

Nesse contexto foi estruturado, na plataforma oficial de serviços públicos do Governo Federal, o serviço denominado “Solicitar apoio para o Desenvolvimento de Pequenos Satélites, classe 10kg no INPE (LPSI/DIPST)”.

O serviço disponibiliza a experiência técnica e a infraestrutura do Laboratório de Desenvolvimento de Pequenos Satélites (LPSI), associado à Divisão de Pequenos Satélites (DIPST), para apoiar atividades relacionadas a satélites miniaturizados e seus sistemas de recepção, comando e controle terrenos.

até 10 kg Classe principal do serviço

O Portal Gov.br enquadra no serviço femtossatélites, picossatélites e nanossatélites.

LPSI Ambiente multidisciplinar

Voltado ao desenvolvimento, integração e testes de pequenos sistemas espaciais.

DIPST Divisão responsável

Atua em desenvolvimento, assessoria, missões, plataformas, cargas úteis e articulação com parceiros.

2. Governança institucional e contexto organizacional

A atividade de pequenos satélites está inserida na estrutura da Coordenação-Geral de Engenharia, Tecnologia e Ciência Espaciais (CGCE) do INPE. Entre as atribuições da Coordenação-Geral estão atividades de engenharia de sistemas espaciais, modelagem, simulação, verificação e validação, análise do ambiente espacial e operação de instalações destinadas ao projeto integrado de missões.

A Divisão de Pequenos Satélites (DIPST) possui competências regimentais específicas relacionadas ao desenvolvimento, consultoria técnica e difusão de conhecimento junto aos setores acadêmico e industrial. Também identifica oportunidades de atendimento a necessidades nacionais por meio de pequenos satélites e participa de cooperações nacionais e internacionais.

Suas atribuições abrangem ainda o gerenciamento de etapas do ciclo de vida de missões, desenvolvimento e qualificação de plataformas, cargas úteis, subsistemas e componentes, além da interação com instituições parceiras e com a indústria nacional.

Parâmetro institucional Detalhamento funcional
Órgão superior Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação — MCTI
Entidade executora Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais — INPE
Coordenação Coordenação-Geral de Engenharia, Tecnologia e Ciência Espaciais — CGCE
Divisão Divisão de Pequenos Satélites — DIPST
Ambiente laboratorial Laboratório de Desenvolvimento de Pequenos Satélites — LPSI
E-mail oficial dipst@inpe.br
Telefone informado no Portal Gov.br +55 (12) 3208-7058
Importante: a DIPST possui competências mais amplas do que o serviço específico publicado no Portal Gov.br. Enquanto o serviço do LPSI é apresentado para satélites miniaturizados de até 10 kg, a página institucional da Divisão informa atuação também em microssatélites de classe até 100 kg, destinados, entre outras aplicações, à ciência espacial, ciências da Terra e demonstração tecnológica.

3. Escopo técnico e classificação dos sistemas espaciais

Segundo a descrição oficial do serviço, o LPSI é um ambiente multidisciplinar equipado para atividades de desenvolvimento, integração e testes de satélites miniaturizados dos tipos femto, pico e nano, além dos respectivos sistemas de recepção, comando e controle instalados em solo.

A classificação apresentada pelo INPE adota a massa do artefato como uma referência prática para distinguir os diferentes grupos de pequenos satélites.

Categoria Faixa de massa Aplicações e suporte potencial
Femtossatélite até 100 g Plataformas extremamente miniaturizadas, pesquisas experimentais, validação de componentes e novas arquiteturas distribuídas.
Picossatélite 100 g a 1 kg Experimentação tecnológica, sistemas educacionais, telecomunicações e subsistemas compactos.
Nanossatélite 1 kg a 10 kg Categoria na qual se inserem diversos CubeSats utilizados para ciência, demonstração tecnológica, coleta de dados e observação.
Segmento de solo Não se aplica Sistemas de recepção, telemetria, telecomando, rastreamento e controle associados à missão espacial.

CubeSats e padronização

Uma parte importante do ecossistema de nanossatélites utiliza o padrão CubeSat, originalmente estruturado com unidades modulares. Dependendo da missão, diferentes configurações podem ser utilizadas, como 1U, 2U, 3U ou 6U.

Essa modularidade favorece o desenvolvimento incremental de missões, o uso de componentes comerciais e especializados, a experimentação acadêmica e a construção de plataformas com diferentes combinações de carga útil, processamento, energia, comunicação e controle de atitude.

Atenção ao enquadramento: a massa é apenas uma das variáveis relevantes. A viabilidade do atendimento depende também da natureza da missão, dos requisitos técnicos, da infraestrutura necessária e da disponibilidade da equipe do INPE.

4. Quem pode solicitar o apoio?

O Portal Gov.br informa que o serviço pode ser utilizado por alunos, professores, pesquisadores e indústrias.

Estudantes

Alunos dos níveis médio, superior e de pós-graduação com conhecimentos relacionados a eletrônica, informática ou áreas correlatas.

Pesquisa e academia

Professores e pesquisadores interessados em sistemas espaciais, instrumentação, cargas úteis, plataformas ou tecnologias relacionadas.

Empresas e indústria

Empresas interessadas na área de sistemas espaciais podem submeter demandas para avaliação de disponibilidade e viabilidade do atendimento.

5. Fluxo operacional: como solicitar o serviço

O acesso ao apoio do LPSI começa por contato direto com a equipe técnica. Diferentemente de um serviço padronizado com preço e prazo fixos, a demanda é analisada conforme suas particularidades técnicas.

Etapa 1 — Preparar a solicitação

O interessado deve identificar claramente o apoio desejado e reunir informações suficientes para que a equipe compreenda a natureza do projeto.

Etapa 2 — Enviar e-mail ao LPSI/DIPST

A solicitação deve ser encaminhada para dipst@inpe.br. O Portal Gov.br determina que sejam apresentadas as informações referentes ao apoio pretendido.

Etapa 3 — Avaliação de viabilidade e disponibilidade

A equipe do laboratório verifica se dispõe das condições necessárias para atender à demanda apresentada.

Etapa 4 — Definição do atendimento e dos custos

Quando aplicável, os custos são definidos de acordo com a utilização do laboratório e dos recursos humanos de apoio.

Etapa 5 — Retorno ao interessado

O LPSI entra em contato informando sobre a possibilidade ou não de atendimento da solicitação.

Custo

O Portal Gov.br classifica o valor como não estimado previamente. A definição depende da utilização do laboratório e dos recursos humanos de apoio.

Prazo

O serviço oficial informa que o tempo de duração da etapa e o prazo total ainda não possuem estimativa padronizada.

Informações recomendáveis na apresentação do projeto

Embora a página oficial utilize a formulação geral de “informações referentes ao apoio desejado”, uma apresentação tecnicamente organizada pode facilitar a análise inicial. Conforme a natureza do projeto, é recomendável informar:

  • instituição ou empresa responsável pelo projeto;
  • objetivo geral da missão ou experimento;
  • classe e massa aproximada da plataforma;
  • configuração CubeSat, quando aplicável;
  • carga útil ou subsistema que será desenvolvido ou ensaiado;
  • tipo de apoio técnico pretendido;
  • infraestrutura ou bancada que se pretende utilizar;
  • estágio atual do desenvolvimento;
  • cronograma pretendido;
  • responsável técnico e informações para contato.
Observação: essa relação funciona como orientação de organização da demanda. A lista exata de dados e documentos poderá depender da avaliação técnica realizada pelo INPE.

6. Atendimento público, acessibilidade e tratamento ao usuário

Por se tratar de serviço público federal, o atendimento deve observar os princípios aplicáveis aos usuários de serviços públicos, inclusive os estabelecidos pela Lei nº 13.460/2017.

Entre as diretrizes associadas à prestação adequada do serviço público estão urbanidade, respeito, acessibilidade, cortesia, presunção da boa-fé, igualdade, eficiência, segurança e ética.

Nos atendimentos presenciais, quando necessários, aplicam-se ainda as regras relacionadas a instalações adequadas e ao atendimento prioritário previsto na legislação brasileira, inclusive para pessoas com deficiência, idosos, gestantes, lactantes, pessoas com crianças de colo e demais grupos abrangidos pela legislação de prioridade.

7. Infraestrutura tecnológica e ambientes complementares do INPE

O desenvolvimento de uma missão espacial envolve atividades distintas: concepção, engenharia de sistemas, desenvolvimento de hardware e software, integração, testes funcionais, qualificação ambiental e desenvolvimento do segmento de solo.

Nesse contexto, as capacidades da DIPST/LPSI podem se relacionar, conforme a necessidade do projeto e os arranjos internos do INPE, a outras infraestruturas especializadas do Instituto.

7.1 FlatSat e integração funcional

Uma infraestrutura do tipo FlatSat organiza fisicamente módulos, placas, equipamentos e interfaces de um sistema espacial em uma configuração de bancada que permite testar a integração funcional antes de etapas mais avançadas de montagem.

Esse tipo de ambiente facilita a análise de interfaces elétricas e lógicas, comunicação entre subsistemas, software embarcado e comportamento integrado do sistema. Ele também permite isolar problemas de integração antes que o hardware seja acondicionado em sua configuração mecânica definitiva.

Documentação oficial de contratação publicada pelo INPE em 2025 confirma a aquisição de componentes para uma infraestrutura de testes FlatSat destinada ao laboratório de pequenos satélites, prevendo sua utilização na missão BiomeSat e em outros satélites da mesma classe.

7.2 CPRIME — estudos conceituais de missões

O Centro de Projeto Integrado de Missões Espaciais (CPRIME) é uma infraestrutura complementar do INPE destinada à análise conceitual e ao projeto integrado de missões em ambiente de engenharia simultânea.

O serviço específico do CPRIME é direcionado principalmente às atividades de Fase 0 ou Pré-Fase A de uma missão espacial, quando são analisados objetivos, requisitos, restrições, alternativas de arquitetura e viabilidade.

Distinção importante: o CPRIME possui um serviço próprio no Portal Gov.br. Ele não deve ser confundido com o serviço do LPSI/DIPST, embora ambos possam integrar o ecossistema técnico utilizado no desenvolvimento de missões espaciais do INPE.

7.3 Laboratório de Integração e Testes — LIT

Para etapas de montagem, integração e qualificação ambiental de sistemas espaciais, o INPE mantém o Laboratório de Integração e Testes (LIT), infraestrutura de elevada complexidade utilizada em atividades que exigem alto grau de confiabilidade.

O INPE informa que o LIT dispõe de um Hall de Testes com área limpa Classe 100.000, onde são realizados ensaios ambientais, incluindo vácuo-térmicos, climáticos, acústicos, vibração, choque, interferência e compatibilidade eletromagnética.

A instituição também informa a existência de um Hall de Integração Classe 10.000, destinado a operações de montagem mecânica e elétrica, além de atividades associadas a balanceamento, alinhamento e testes funcionais.

Precisão técnica: as classificações Classe 100.000 e Classe 10.000 mencionadas acima estão documentadas oficialmente para ambientes do LIT. Elas não devem ser automaticamente atribuídas ao LPSI ou a outros laboratórios sem confirmação específica.

LPSI / DIPST

Desenvolvimento, integração, testes e suporte a pequenos satélites e sistemas de solo.

CPRIME

Concepção, análise e estudos de viabilidade de missões, sobretudo nas fases conceituais iniciais.

LIT

Montagem, integração e ensaios ambientais para qualificação de sistemas e equipamentos de alta confiabilidade.

8. Portfólio de projetos e missões de referência

O portfólio divulgado pelo INPE demonstra como as competências da área de pequenos satélites são aplicadas em projetos científicos, ambientais, tecnológicos e educacionais.

CubeSat 6U Clima espacial

SPORT

O Scintillation Prediction Observations Research Task (SPORT) é um nanossatélite CubeSat 6U da classe de 10 kg desenvolvido em cooperação envolvendo AEB, NASA, ITA, INPE e instituições dos Estados Unidos.

A DIPST participou, em articulação com outras áreas do INPE, das atividades de integração e testes e da implementação do segmento de solo da missão. O objetivo científico envolve o estudo de fenômenos ionosféricos associados às chamadas bolhas de plasma e aos efeitos sobre sistemas de comunicação e navegação.

CubeSat 1U Dados ambientais

CONASAT

O projeto CONASAT — Constelação de Nanossatélites Ambientais foi concebido para estudar uma solução baseada em nanossatélites para ampliar e modernizar o Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais.

Entre os desenvolvimentos associados está o Environmental Data Collector (EDC), equipamento destinado a receber e decodificar sinais provenientes de Plataformas de Coleta de Dados em solo.

CubeSat Atmosfera

RaioSat

O RaioSat é um projeto voltado à detecção simultânea de relâmpagos intra-nuvens e nuvem-solo, empregando sensor óptico e antena VHF em plataforma CubeSat.

Segundo o INPE, o projeto decorre de cooperação com a Universidade de Nottingham, no Reino Unido, e a Universidade de Jena, na Alemanha, com assessoria técnica e prospectiva da Divisão.

Nanossatélite Monitoramento ambiental

BiomeSat

O BiomeSat é apresentado pelo INPE como nanossatélite de prospecção destinado ao monitoramento da saúde das florestas por meio de uma câmera óptica para análise de fluorescência da clorofila.

Documentos mais recentes do Instituto também vinculam a missão à infraestrutura FlatSat em desenvolvimento na DIPST.

Balão estratosférico Educação

Plataforma Multimissão / BalloonSat

A Plataforma Multimissão foi concebida para ser embarcada em balões estratosféricos de pequeno porte e receber experimentos científicos, tecnológicos e ambientais desenvolvidos por estudantes e professores.

Além da finalidade educacional, o ambiente estratosférico pode ser usado em etapas experimentais de baixo custo para verificar tecnologias e subsistemas antes de aplicações espaciais.

INPE + SENAC Transferência tecnológica

BalloonSat Stratos SENAC I

O projeto envolve cooperação entre o INPE e o SENAC para assessorar o desenvolvimento e a fabricação de plataforma destinada à coleta de dados ambientais e à realização de experimentos científicos e tecnológicos em balão estratosférico.

A iniciativa possui finalidade educacional, de disseminação tecnológica e de formação de recursos humanos.

Projeto / missão Configuração Instituições / contexto Objetivo principal
SPORT CubeSat 6U, classe 10 kg INPE, ITA, AEB, NASA e parceiros dos EUA Pesquisa da ionosfera e fenômenos associados à cintilação e plasma.
CONASAT Arquitetura com nanossatélites; primeiro modelo CubeSat 1U INPE e suas unidades envolvidas Coleta de dados ambientais e desenvolvimento do EDC.
RaioSat CubeSat INPE, Nottingham e Jena Detecção óptica e em VHF de relâmpagos.
BiomeSat Nanossatélite INPE / DIPST Monitoramento da saúde da vegetação e desenvolvimento tecnológico.
BalloonSat Stratos SENAC I Plataforma estratosférica INPE e SENAC Experimentação, educação e disseminação tecnológica.

9. Desenvolvimento tecnológico e validação do EDC

A integração entre pequenos satélites e o Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais demonstra uma aplicação direta das tecnologias apoiadas pelo INPE.

Em divulgação oficial recente, o Instituto informou a realização de campanha de testes do Environmental Data Collector (EDC) em voo estratosférico. O sistema foi desenvolvido pela Coordenação Espacial do Nordeste com apoio da DIPST, em São José dos Campos.

O EDC foi concebido para integrar missões de pequenos satélites, incluindo projetos como CONASAT e BiomeSat, permitindo receber e decodificar sinais transmitidos por Plataformas de Coleta de Dados em solo.

Antes da aplicação orbital, o equipamento passou por ensaios de laboratório, testes de radiofrequência e experimentação em plataforma embarcada em balão estratosférico. Essa abordagem demonstra a possibilidade de utilização da estratosfera como ambiente intermediário para validar tecnologias a custos inferiores aos de uma missão orbital.

10. Impactos no ecossistema espacial brasileiro

A disponibilização de infraestrutura e conhecimento técnico acumulado pelo INPE produz efeitos que ultrapassam o desenvolvimento de uma missão isolada. O modelo contribui para a formação de competências, para a interação com a indústria e para a redução de determinadas barreiras tecnológicas de entrada.

Acesso à infraestrutura

Laboratórios e especialistas de alta complexidade exigem investimentos elevados. A possibilidade de avaliação de projetos para uso das capacidades do INPE pode ampliar o acesso de universidades, pesquisadores e empresas a recursos especializados.

Redução de riscos

Estratégias de integração progressiva, como bancadas FlatSat, contribuem para identificar problemas de interface, software, comunicação e eletrônica antes de fases mais críticas do projeto.

Formação de recursos humanos

O desenvolvimento prático de pequenos satélites cria oportunidades de capacitação em eletrônica, software embarcado, telecomunicações, energia, engenharia de sistemas, controle de atitude e outras áreas.

Integração academia-indústria

A própria competência regimental da DIPST prevê atuação junto aos setores acadêmico e industrial e participação no desenvolvimento de plataformas, cargas úteis, subsistemas e componentes.

Monitoramento ambiental

Pequenas plataformas podem atender aplicações de coleta de dados, demonstração tecnológica, pesquisa atmosférica e observação ambiental.

Autonomia tecnológica

O domínio nacional de plataformas, componentes, estações terrenas, integração e testes amplia a capacidade brasileira de conceber e executar missões espaciais de interesse científico e estratégico.

11. Perspectivas estruturais de longo prazo

Desenvolvimento de missões com custos mais competitivos

A estratégia de pequenos satélites permite conceber missões específicas com ciclos de desenvolvimento potencialmente menores e arquiteturas adaptáveis. Isso não significa que todo CubeSat seja necessariamente simples ou barato: custos e complexidade continuam diretamente relacionados aos requisitos da missão, qualidade dos componentes, carga útil, necessidade de redundância, qualificação, lançamento e operação.

Complementaridade com satélites maiores

Pequenas plataformas não substituem automaticamente satélites convencionais de maior porte. Em muitos cenários, podem atuar de forma complementar, oferecendo demonstrações tecnológicas, experimentação, coleta especializada de dados ou maior frequência de observação quando empregadas em arquiteturas com múltiplos satélites.

Capacitação industrial

O desenvolvimento de componentes, subsistemas e cargas úteis cria demanda por empresas capazes de produzir eletrônica embarcada, estruturas, software, sistemas de comunicação, sensores, mecanismos e outros componentes com requisitos compatíveis com aplicações espaciais.

Formação acadêmica aplicada

O envolvimento de estudantes em projetos reais aproxima a formação acadêmica dos desafios da engenharia espacial: gestão de energia, controle térmico, comunicação, processamento embarcado, tolerância a falhas, dinâmica orbital, integração, validação e operação.

Soberania científica e tecnológica

O domínio de tecnologias de pequenos satélites fortalece a capacidade nacional de desenvolver missões vinculadas a necessidades próprias, como monitoramento ambiental, ciência atmosférica, coleta de dados, demonstração tecnológica e capacitação de recursos humanos.

12. Checklist antes de entrar em contato com o INPE

  • Definir claramente o objetivo científico, tecnológico ou educacional.
  • Identificar a instituição, empresa ou equipe responsável.
  • Indicar a classe aproximada de massa do sistema.
  • Informar se o projeto utiliza arquitetura CubeSat.
  • Descrever plataforma, carga útil ou subsistema envolvido.
  • Definir o estágio atual de desenvolvimento.
  • Identificar o tipo de apoio que se pretende obter do LPSI.
  • Relacionar os testes ou recursos laboratoriais desejados, se conhecidos.
  • Preparar um cronograma preliminar.
  • Indicar responsável técnico e dados de contato.
  • Enviar a demanda para dipst@inpe.br.
  • Aguardar a análise de viabilidade e disponibilidade pelo INPE.

13. Conclusão

O serviço de apoio ao desenvolvimento de pequenos satélites disponibilizado pelo INPE por meio do LPSI/DIPST constitui um instrumento relevante de aproximação entre infraestrutura científica pública, pesquisa acadêmica, formação tecnológica e desenvolvimento industrial.

Sua importância decorre não apenas da disponibilidade de instalações físicas, mas da integração entre conhecimento acumulado, engenharia de sistemas, desenvolvimento de plataformas, cargas úteis, segmentos terrenos e metodologias de integração e testes.

O portfólio institucional envolvendo iniciativas como SPORT, CONASAT, RaioSat, BiomeSat e plataformas estratosféricas demonstra a diversidade de aplicações possíveis para pequenas plataformas: ciência espacial, pesquisa atmosférica, coleta de dados ambientais, monitoramento de ecossistemas, demonstração tecnológica e formação de recursos humanos.

Para universidades, pesquisadores, estudantes e empresas, o primeiro passo é estruturar adequadamente a demanda e encaminhá-la à DIPST. O atendimento não é automático: depende de análise técnica, disponibilidade da infraestrutura e dos recursos humanos necessários, e os custos são definidos conforme as características de cada solicitação.

Em síntese: o serviço funciona como uma porta de entrada institucional para projetos de pequenos satélites que necessitem de apoio técnico especializado do INPE, mantendo a avaliação individual de viabilidade como elemento central do processo.

Fontes oficiais consultadas

  1. Portal Gov.br — Serviço oficial: Solicitar apoio para o Desenvolvimento de Pequenos Satélites, classe 10kg no INPE (LPSI/DIPST) .
  2. INPE — Pequenos Satélites: página institucional da área de Pequenos Satélites .
  3. INPE — Coordenação-Geral de Engenharia, Tecnologia e Ciência Espaciais: competências da CGCE e da Divisão de Pequenos Satélites .
  4. INPE — Projetos Pequenos Satélites: SPORT, CONASAT, RaioSat, BiomeSat e Plataforma Multimissão .
  5. INPE — Projeto CONASAT: Estudo de uma Missão Espacial para Coleta de Dados Ambientais baseada em Nanossatélites .
  6. INPE — Classificação de nanossatélites: classificação por massa e informações sobre CubeSats .
  7. INPE — CPRIME: Serviço de concepção, análise, projeto e estudos de viabilidade para missões espaciais .
  8. INPE — Laboratório de Integração e Testes: informações oficiais sobre áreas limpas e ensaios ambientais do LIT .
  9. INPE — SPORT: informações institucionais sobre o CubeSat SPORT .
  10. INPE — Cooperação com o SENAC: BalloonSat Stratos SENAC I e cooperações nacionais .
  11. INPE — campanha de testes do EDC: testes do sistema de coleta de dados ambientais em voo estratosférico .
  12. Lei nº 13.460/2017: participação, proteção e defesa dos direitos do usuário dos serviços públicos .
  13. Lei nº 10.048/2000: prioridade de atendimento .

Nota editorial: conteúdo informativo elaborado a partir de informações públicas oficiais disponíveis no Gov.br e no INPE. A existência do serviço não implica aprovação automática de projetos nem garante acesso imediato à infraestrutura. Escopo, custos, agenda, recursos necessários e condições de atendimento devem ser confirmados diretamente com o INPE para cada demanda. Informações institucionais e projetos podem sofrer atualizações.