Serviço de Corte de Substratos do CTI Renato Archer
Panorama técnico, operacional e estratégico do serviço de redução dimensional utilizado na individualização de circuitos e no processamento de substratos para microeletrônica, semicondutores, componentes eletrônicos e aplicações de alta precisão.
Contextualização institucional e o papel do CTI Renato Archer
O Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI), localizado em Campinas, Estado de São Paulo, é uma unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Desde 1982, a instituição atua em parceria com agentes do setor privado, da academia e do governo, desenvolvendo competências tecnológicas destinadas à geração de inovação em processos e produtos e ao fortalecimento da capacidade produtiva nacional.
Sua infraestrutura laboratorial especializada é utilizada em projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação e está organizada em torno de quatro grandes eixos: Indústria 4.0, Saúde Avançada, Tecnologias Habilitadoras e Governo Digital. Dentro de Tecnologias Habilitadoras encontram-se, entre outros campos, micro e nanoeletrônica, nanotecnologia, materiais avançados, fotônica e semicondutores.
O endereço institucional divulgado pelo CTI é Rodovia Dom Pedro I (SP-65), km 143,6, Amarais, Campinas/SP. O Parque Tecnológico CTI-Tec integra o ambiente institucional instalado no campus do CTI e possui modelo próprio de gestão e interação com empresas e instituições.
Para ampliar o acesso à infraestrutura científica e tecnológica, o Centro mantém Laboratórios Abertos multiusuários e oferece serviços tecnológicos especializados catalogados em sua Carta de Serviços no Portal Gov.br. Nesse contexto, o serviço de corte de substratos aparece classificado na área de assistência especializada, em Calibração, Processos e Experimentos.
Fundamentação técnica do processo de corte de substratos
No ecossistema de fabricação e empacotamento eletrônico, o corte de substratos é utilizado para separar ou dimensionar estruturas microfabricadas e materiais que precisam atingir dimensões específicas antes de etapas posteriores de montagem, interconexão, encapsulamento, caracterização ou validação.
Segundo a descrição oficial do CTI, o processo de empacotamento eletrônico individualiza circuitos microfabricados com alta precisão dimensional, permitindo sua montagem em estruturas de proteção e o acesso às funcionalidades do dispositivo.
Além da individualização de estruturas microfabricadas, o serviço contempla aplicações que demandem redução dimensional, fabricação de substratos ou fabricação de dispositivos com alta precisão dimensional.
Em aplicações típicas de microeletrônica, a qualidade do processo de corte pode ser importante para evitar danos nas regiões próximas à linha de separação. Dependendo do material, geometria, espessura, revestimentos e processo utilizado, fenômenos como lascamento de borda (chipping), microtrincas, delaminações ou geração de partículas podem ser parâmetros relevantes de engenharia.
A disponibilidade de diferentes lâminas permite adequar o processo às propriedades do material e às exigências dimensionais do projeto. Na prática, parâmetros como espessura da lâmina, característica abrasiva, velocidade de processamento, geometria da peça e condição do substrato podem influenciar a estratégia de corte adotada pela equipe técnica.
Materiais e substratos indicados pelo CTI
O catálogo oficial cita diversos materiais para os quais existem tipos de lâminas disponíveis no laboratório. A relação demonstra a diversidade de aplicações do serviço em microeletrônica, fotônica, eletrônica de potência e tecnologias de microfabricação.
| Substrato / material | Notação técnica | Propriedades e aplicações típicas |
|---|---|---|
| Silício | Si | Base tecnológica amplamente utilizada em circuitos integrados, dispositivos MEMS, sensores, componentes eletrônicos e fotônicos. |
| Alumina | Al2O3 | Cerâmica técnica com propriedades dielétricas, utilizada em substratos, circuitos híbridos e diversas aplicações eletrônicas. |
| Quartzo | SiO2 | Material empregado em aplicações ópticas, piezoelétricas, microfabricação e dispositivos de precisão. |
| Máscaras fotolitográficas | Vidro/quartzo com camada de Cr, conforme a aplicação | Estruturas utilizadas na transferência de padrões durante processos de microfabricação e fotolitografia. |
| Niobato ou tantalato de lítio | LiNbO3 / LiTaO3 | Materiais ferroelétricos empregados, entre outras aplicações, em dispositivos acústicos, ópticos e eletro-ópticos. |
| Nitreto de alumínio | AlN | Cerâmica técnica de interesse em aplicações que combinam isolamento elétrico e gerenciamento térmico. |
| QFN / cobre | QFN / Cu | Aplicável a estruturas e componentes associados a processos de montagem e empacotamento eletrônico. |
Fluxo operacional: como solicitar o corte de substratos
O acesso ao serviço é estruturado pelo CTI em três etapas principais. O canal oficial informado para a solicitação e para o relacionamento durante o processo é o e-mail servicos@cti.gov.br.
Solicitar o serviço
O interessado encaminha a demanda por e-mail. A equipe técnica verifica capacidade, disponibilidade e recursos necessários para prestar o serviço.
Se necessário, a área responsável entra em contato para esclarecer aspectos técnicos necessários à elaboração da proposta.
Aceitar a proposta e pagar
Após a definição do atendimento, o cliente formaliza o aceite da proposta comercial e encaminha o comprovante de pagamento conforme as instruções recebidas.
Execução e conclusão
A área técnica realiza o serviço e informa sua conclusão ao usuário por meio do endereço eletrônico fornecido na solicitação inicial.
| Etapa | Canal | Ação | Prazo oficial |
|---|---|---|---|
| 1. Solicitação | servicos@cti.gov.br | Envio da demanda, análise de capacidade, disponibilidade, recursos e esclarecimentos técnicos. | Atendimento imediato para a etapa inicial. |
| 2. Proposta e pagamento | Aceite formal da proposta comercial e comprovação do pagamento. | Não estimado previamente. | |
| 3. Execução e conclusão | Realização do serviço pela área técnica e comunicação de conclusão. | Não estimado previamente. |
Quem pode utilizar o serviço e como funciona a contrapartida
De acordo com o cadastro oficial do serviço, podem utilizar a infraestrutura:
Pesquisa e ensino
Pesquisadores e estudantes envolvidos em desenvolvimento científico e tecnológico.
Empresas e startups
Empresas estabelecidas e negócios inovadores em diferentes estágios de desenvolvimento.
Instituições
Instituições públicas ou privadas interessadas em projetos e serviços especializados.
Inventores
Inventores que pretendam desenvolver projetos para divulgação científica ou eventual colocação no mercado.
O Portal Gov.br estabelece que o acesso é franqueado mediante contrapartida financeira ou não financeira, conforme a Política de Inovação do CTI e seu regramento interno.
Para o serviço de corte de substratos, o valor financeiro é informado sob consulta. Isso permite que a proposta considere as características específicas da demanda analisada pelo laboratório.
Arcabouço normativo, qualidade e direitos do usuário
Como serviço público federal, o atendimento está sujeito às normas de proteção dos usuários de serviços públicos, especialmente à Lei nº 13.460, de 26 de junho de 2017.
A própria página oficial do serviço destaca que o atendimento deve observar diretrizes como:
- urbanidade;
- respeito;
- acessibilidade;
- cortesia;
- presunção da boa-fé do usuário;
- igualdade;
- eficiência;
- segurança; e
- ética.
A Lei nº 13.460/2017 estabelece ainda a necessidade de manutenção, nos atendimentos presenciais, de instalações salubres, seguras, sinalizadas, acessíveis e adequadas ao serviço e ao atendimento.
Atendimento prioritário
A referência oficial do serviço menciona a Lei nº 10.048/2000. É importante considerar sua redação atualmente vigente, alterada, entre outras normas, pela Lei nº 14.626/2023.
Atualmente, possuem atendimento prioritário, nos termos da lei:
- pessoas com deficiência;
- pessoas com transtorno do espectro autista;
- pessoas idosas com idade igual ou superior a 60 anos;
- gestantes;
- lactantes;
- pessoas com criança de colo;
- pessoas obesas;
- pessoas com mobilidade reduzida; e
- doadores de sangue, observadas as condições específicas previstas na legislação.
Integração com o ecossistema de microeletrônica do CTI
O corte de substratos não precisa ser analisado isoladamente. O portfólio público do CTI reúne outros serviços de microfabricação, montagem, caracterização e análise capazes de complementar projetos que envolvem componentes eletrônicos, semicondutores e dispositivos microfabricados.
Etapas anteriores ao corte
O CTI disponibiliza serviço de fabricação de máscaras por escrita direta, fotolitografia por copiadora e deposição de metais finos.
No processo de fabricação de fotomáscaras, o serviço oficial menciona o uso de gerenciador de padrões óptico DWL e processos de revelação, inspeção e caracterização. A instituição oferece também deposição por evaporação térmica de filmes metálicos sobre diversos substratos.
Etapas posteriores ao corte
Entre os serviços relacionados está a microssoldagem, também denominada soldagem de microfios e soldagem de dies. O CTI informa possuir capacidade para soldagem de microfios entre estruturas microfabricadas e terminais de cápsulas ou placas de circuito impresso.
Em 2026, o catálogo oficial passou a apresentar também serviço específico de montagem técnica Flip Chip, técnica de empacotamento de semicondutores em que a face do componente é posicionada em direção ao substrato e as conexões elétricas são estabelecidas por solda ou saliências metálicas em vez de fios.
Caracterização e análise
Para análise morfológica e de materiais, o CTI oferece microscopia eletrônica de varredura (MEV) com equipamento FEG-SEM e possibilidade de Espectroscopia por Energia Dispersiva (EDS).
O MEV permite obter informações de morfologia superficial em alta resolução, enquanto o EDS possibilita a identificação de elementos químicos presentes na região analisada. Dependendo do projeto e da preparação da amostra, essas técnicas podem apoiar a avaliação de superfícies, bordas, defeitos ou características do material processado.
O catálogo institucional apresenta ainda serviços de abertura de encapsulamento de componentes eletrônicos, inspeção visual por microscopia óptica, ensaio de contaminação iônica, análises de falhas, testes elétricos e manufatura aditiva, entre outros.
| Serviço complementar | Nomenclatura / técnica | Possível integração no projeto |
|---|---|---|
| Fabricação de máscaras e deposição | Fotomáscara, DWL, fotolitografia e evaporação térmica | Microfabricação e formação de estruturas ou filmes antes da individualização do substrato. |
| Microssoldagem | Wire bonding / soldagem de dies | Interconexão de estruturas microfabricadas aos terminais de cápsulas ou placas de circuito impresso. |
| Montagem Flip Chip | Flip chip | Montagem de semicondutores com conexões voltadas diretamente para o substrato. |
| Abertura de encapsulamento | Decapsulação / abertura de componentes | Acesso ao interior de componentes para determinadas atividades de caracterização ou análise de falhas. |
| Microscopia eletrônica | MEV / FEG-SEM / EDS | Caracterização morfológica e obtenção de informações sobre composição química superficial. |
| Inspeção visual | Microscopia óptica | Inspeções visuais e análises de estruturas e componentes. |
| Contaminação iônica | Ensaio de contaminação iônica | Avaliação de resíduos iônicos em placas e processos eletrônicos, conforme o escopo do serviço contratado. |
| Manufatura aditiva | Impressão 3D | Desenvolvimento de peças, componentes, dispositivos, suportes ou protótipos conforme o serviço e o material disponíveis. |
Impactos sistêmicos, inovação e perspectivas nacionais
Infraestruturas de micro e nanoeletrônica envolvem equipamentos especializados, manutenção, instalações adequadas, consumíveis específicos e profissionais tecnicamente capacitados. Esses requisitos tornam relevante a existência de laboratórios multiusuários capazes de compartilhar infraestrutura entre universidades, pesquisadores, empresas e empreendedores.
Nesse sentido, o modelo de Laboratório Aberto do CTI pode reduzir barreiras de acesso a infraestrutura científica de alta complexidade, particularmente em atividades de prototipagem e pesquisa nas quais a aquisição de equipamentos dedicados não seria economicamente racional.
O compartilhamento de laboratórios integra formalmente as atribuições institucionais da área responsável pelos Laboratórios Abertos do CTI, que coordena políticas e infraestrutura multiusuária destinadas a pesquisadores internos e externos.
CTI-Tec e empresas de base tecnológica
O Parque Tecnológico CTI-Tec amplia essa estratégia de interação com o ecossistema de inovação. Em dezembro de 2024, o CTI formalizou parceria com a Fundepag para apoiar a gestão operacional e a implantação do Parque Tecnológico.
Em 2025 e 2026 foram divulgadas iniciativas de incubação, pré-incubação e residência voltadas a empresas de base científica e tecnológica. Entre os campos contemplados aparecem micro e nanoeletrônica, materiais avançados, nanotecnologia, sensores, Internet das Coisas, inteligência artificial, manufatura aditiva, robótica e biofabricação.
Essa combinação entre infraestrutura laboratorial, competências de pesquisa, serviços tecnológicos e ambientes voltados a empresas pode favorecer a passagem de projetos da fase conceitual para protótipos, ensaios e validações tecnológicas.
Em perspectiva nacional, a manutenção de competências públicas em microeletrônica, materiais e empacotamento eletrônico contribui para a formação de recursos humanos, desenvolvimento de conhecimento, apoio à inovação empresarial e fortalecimento do ecossistema brasileiro de hardware e semicondutores.
Perguntas frequentes
O que é o serviço de corte de substratos do CTI?
Como faço para solicitar?
Quanto custa?
Qual é o prazo?
Quais materiais são citados pelo CTI?
Quantos tipos de lâminas estão disponíveis?
Empresas e startups podem utilizar o serviço?
Existem outros serviços de microeletrônica no CTI?
Fontes consultadas
- Gov.br — Solicitar serviço de corte de substratos — CTI Renato Archer . Fonte principal para escopo, materiais, 13 tipos de lâminas, público, etapas, canal, custos e prazos.
- CTI Renato Archer — Sobre o CTI . Informações institucionais, vinculação ao MCTI, atuação desde 1982 e eixos tecnológicos.
- CTI Renato Archer — Carta de Serviços ao Usuário .
- CTI Renato Archer — Canais oficiais de atendimento . Endereço institucional e contatos.
- Gov.br — Fabricação de máscaras, fotolitografia e deposição de metais finos .
- Gov.br — Serviço de microssoldagem — CTI Renato Archer .
- Gov.br — Análise por microscopia eletrônica de varredura — MEV/EDS .
- Gov.br — Catálogo de serviços do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer .
- CTI — Parceria com a Fundepag para o Parque Tecnológico CTI-Tec .
- CTI — Incubação, pré-incubação e residência no CTI-Tec .
- Presidência da República — Lei nº 13.460/2017 .
- Presidência da República — Lei nº 10.048/2000, redação vigente .
- Presidência da República — Lei nº 14.626/2023 .
