Homologação de Marcos Geodésicos no IBGE

IBGE • Geodésia • Sistema Geodésico Brasileiro

Homologação de Marcos Geodésicos no Brasil: Requisitos, Normas Técnicas e Procedimento no IBGE

Guia técnico e normativo sobre o serviço oficial de homologação de estações geodésicas implantadas por terceiros, incluindo integração ao Sistema Geodésico Brasileiro (SGB), rastreio GNSS, monumentação, documentação, Banco de Dados Geodésicos e procedimento digital.

Atualização oficial: a página do serviço “Homologar marcos geodésicos” no Portal Gov.br consta como atualizada em 25 de agosto de 2026.
Sistema Geodésico Brasileiro IBGE SIRGAS2000 RBMC GNSS RINEX Banco de Dados Geodésicos
Resumo direto: o serviço do IBGE permite que marcos geodésicos implantados por profissionais, empresas e instituições públicas ou privadas sejam tecnicamente avaliados e, se aprovados, integrados ao Sistema Geodésico Brasileiro. O IBGE realiza a determinação precisa das coordenadas e disponibiliza as informações da estação no Banco de Dados Geodésicos. O pedido é digital, gratuito e exige conta Gov.br de nível Bronze, Prata ou Ouro.
Gratuito Não há cobrança pelo serviço de homologação informado no Gov.br.
30 dias úteis Prazo médio indicado para a etapa de análise.
100% digital Solicitação realizada pela internet mediante autenticação Gov.br.
4 × 6 horas Quatro sessões GNSS independentes, com mínimo de seis horas cada.

1. Sistema Geodésico Brasileiro e função da homologação

A Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística — IBGE — exerce papel central na definição, implantação e manutenção do Sistema Geodésico Brasileiro (SGB), infraestrutura que estabelece referências uniformes para os trabalhos de posicionamento e mapeamento realizados no território nacional.

Dentro dessa estrutura, o serviço de homologação de marcos geodésicos permite incorporar ao SGB estações implantadas por terceiros. O interessado disponibiliza ao IBGE as observações e a documentação técnica do levantamento e, após a análise, o Instituto fica responsável pela determinação precisa das coordenadas e pela integração da estação ao Banco de Dados Geodésicos — BDG.

Uma vez integrada, a informação geodésica passa a ser disponibilizada à sociedade, ampliando a infraestrutura pública de referência utilizada em cartografia, engenharia, levantamentos topográficos, saneamento, georreferenciamento, planejamento urbano, infraestrutura e outras aplicações territoriais.

Referencial geodésico oficial O SIRGAS2000 é o Sistema Geodésico de Referência oficial do Brasil. Sua utilização possibilita que informações de posicionamento produzidas em diferentes regiões sejam compatibilizadas dentro de um mesmo referencial geocêntrico.

3. Quem pode solicitar a homologação

Segundo a descrição oficial do Portal Gov.br, o serviço é destinado a topógrafos, engenheiros, agrimensores, cartógrafos e outros profissionais que trabalham com posicionamento topográfico e geodésico, além de empresas públicas e privadas e órgãos ou entidades governamentais envolvidos em atividades territoriais.

Categoria Exemplos Aplicações possíveis
Profissionais técnicos Topógrafos, engenheiros, agrimensores, cartógrafos e profissionais de posicionamento geodésico. Levantamentos, georreferenciamento, implantação de apoio geodésico e trabalhos de precisão.
Empresas privadas Empresas de engenharia, cartografia, mapeamento, saneamento, energia e infraestrutura. Redes de apoio para obras, levantamentos territoriais e infraestrutura.
Administração pública Prefeituras, agências, concessionárias e demais órgãos ou entidades públicas. Cadastro territorial, planejamento municipal, redes geodésicas e gestão do território.
Ensino e pesquisa Universidades, institutos e centros de pesquisa envolvidos com geodésia e geotecnologias. Pesquisa científica, atividades acadêmicas e manutenção de referências geodésicas.

4. Requisitos técnicos para homologação

A simples construção física de um marco não é suficiente para sua integração ao Sistema Geodésico Brasileiro. A homologação depende do atendimento aos critérios definidos pelo IBGE nas Instruções para Homologação de Estações Geodésicas Estabelecidas por Outras Instituições e nas orientações de Padronização de Marcos Geodésicos.

4.1 Monumentação e estabilidade

A estação deve ser materializada em solo firme e estável, por meio de marco ou pilar adequado. As orientações do IBGE contemplam diferentes soluções construtivas, entre elas marco ou pilar de concreto com chapa identificadora no topo e pilar dotado de dispositivo de centragem forçada com chapa identificadora na lateral.

Portanto, a norma não limita a homologação exclusivamente a um único formato cilíndrico ou a uma única dimensão de pilar. O projeto deve observar as orientações oficiais de monumentalização, estabilidade e durabilidade.

Identificação do marco Para marcos implantados por terceiros, a chapa identificadora não deve conter o nome do IBGE como responsável pela implantação, uma vez que o Instituto será responsável pela homologação e integração, e não necessariamente pela construção da estação.

4.2 Conexão ao Sistema Geodésico Brasileiro

As novas estações devem ser integradas ao SGB mediante conexão com a Rede Brasileira de Monitoramento Contínuo dos Sistemas GNSS — RBMC. Entretanto, a instrução oficial contempla uma alternativa importante: caso não seja possível utilizar a RBMC, podem ser usadas como estação-base estações pertencentes às Redes Estaduais ou estações GPS que já integrem o SGB.

Nessa hipótese alternativa, o usuário deve também realizar a ocupação da estação-base utilizada na integração.

4.3 Receptor GNSS

As observações devem ser coletadas utilizando receptores geodésicos com, no mínimo, duas frequências na banda L. O requisito tem como objetivo assegurar qualidade compatível com a determinação precisa das coordenadas.

4.4 Sessões independentes de rastreio

Parâmetro Critério do IBGE Importância técnica
Número de sessões 4 sessões independentes. Permite avaliar a repetibilidade e a consistência das observações.
Duração Mínimo de 6 horas de rastreio por sessão. Amplia a disponibilidade de observações GNSS para determinação precisa.
Intervalo entre sessões Máximo de 48 horas. Mantém a campanha dentro da janela operacional definida pelo IBGE.
Remontagem Nova montagem da antena em cada sessão. Assegura independência entre as sessões.
Altura da antena Nova medição em cada sessão. Reduz risco de propagação de erro na determinação das coordenadas.
Taxa de coleta 1, 5 ou 15 segundos. Padroniza o intervalo das observações submetidas à análise.
Formato dos dados RINEX. Padroniza o intercâmbio dos dados GNSS para processamento.
Montagem da antena Tripé com base nivelante ou marco/pilar com centragem forçada. Controla erros relacionados à centragem do equipamento.
Bipé ou tripé com bastão não são aceitos A instrução técnica do IBGE determina a fixação da antena em tripé com base nivelante ou diretamente em marco/pilar dotado de dispositivo de centragem forçada. O documento expressamente orienta que não sejam utilizados levantamentos com bipé ou tripé com bastão para essa finalidade.

4.5 Horizonte e entorno da estação

A área ao redor do marco deve permanecer livre de obstruções capazes de interferir na captação dos sinais dos satélites. A documentação deve permitir ao IBGE avaliar as condições do entorno, razão pela qual são requeridas fotografias e informações relacionadas à visibilidade da estação.

5. Documentação e arquivos necessários

O pedido é formalizado eletronicamente. No formulário, o interessado deve indicar o número de marcos submetidos à homologação e anexar os elementos técnicos necessários à avaliação do IBGE.

Dados GNSS

Arquivos das quatro sessões de observação devem ser preparados no formato RINEX, respeitando os parâmetros técnicos estabelecidos pelo IBGE.

Descrição da estação

Devem ser fornecidos dados de identificação, localização, descrição física, itinerário, informações do levantamento e demais campos constantes dos formulários oficiais.

Registro fotográfico

Fotografias da construção, do marco, da identificação, da instrumentação e vistas panorâmicas ajudam a demonstrar as condições físicas e o horizonte da estação.

Termo de Compromisso

Documento pelo qual o proponente assume os compromissos relacionados à homologação, à utilização da estação e à disponibilização dos dados ou do acesso ao marco, conforme sua natureza.

Informações do equipamento

Os formulários técnicos devem identificar completamente o receptor e a antena, incluindo fabricante, modelo, tipo e número de série. Também devem apresentar informações sobre a forma de medição da altura da antena e a referência adotada.

O material técnico contempla ainda croqui de localização, gráfico de visibilidade, fotografias do entorno e uma folha de controle correspondente a cada sessão rastreada.

Marco localizado em propriedade particular

Requisito adicional Quando o marco estiver localizado em propriedade particular, o Termo de Compromisso deve conter o “de acordo” do proprietário do imóvel. A instrução técnica do IBGE, versão de março de 2022, também estabelece o reconhecimento de firma do proprietário.

6. Como solicitar a homologação no Gov.br

A prestação é realizada pela internet e utiliza o sistema de autenticação única do Governo Federal. De acordo com o cadastro oficial do serviço, são aceitas contas Gov.br de nível Bronze, Prata ou Ouro.

Preparar e implantar o marco Observar a padronização de marcos geodésicos do IBGE e escolher local fisicamente estável e adequado à recepção dos sinais GNSS.
Executar o rastreio GNSS Realizar quatro sessões independentes, cada uma com pelo menos seis horas, atendendo aos requisitos de equipamento, montagem, altura da antena e intervalo máximo entre as sessões.
Preparar os arquivos RINEX Organizar e conferir os arquivos das observações GNSS conforme as exigências técnicas.
Reunir a documentação Preparar formulários, descrição da estação, croqui, informações dos equipamentos, fotos, gráfico de visibilidade e Termo de Compromisso.
Acessar o serviço no Gov.br Autenticar-se com conta Gov.br Bronze, Prata ou Ouro e iniciar a solicitação.
Informar os marcos Indicar o número de marcos submetidos à homologação e anexar os arquivos e documentos correspondentes.
Análise técnica pelo IBGE A equipe técnica verifica o material e pode solicitar informações complementares ou correções quando forem identificadas pendências.
Integração ao SGB Uma vez aprovada a homologação, a estação é integrada ao Sistema Geodésico Brasileiro e suas informações passam a compor o Banco de Dados Geodésicos.

Prazo

O Portal Gov.br informa 30 dias úteis em média para a etapa e aproximadamente 1 mês como estimativa geral de prestação do serviço.

O próprio portal esclarece que a estimativa considera a verificação e o tratamento de eventuais pendências.

Custo

O serviço oficial de homologação é informado como gratuito para o cidadão.

Custos particulares de implantação física, equipamentos, levantamentos, equipe técnica ou preparação de documentos não integram essa gratuidade.

7. Termo de Compromisso e disponibilização da estação

O Termo de Compromisso anexado às instruções de homologação disciplina condições importantes posteriores à integração da estação ao SGB.

No caso de estação ativa, o documento prevê disponibilização gratuita dos dados GNSS da estação homologada, em formato RINEX, nos termos estabelecidos pelo IBGE.

Para uma estação passiva, o compromisso envolve garantir acesso aos usuários que necessitem ocupar o marco, sem cobrança pelo uso da estação, consideradas as restrições relacionadas ao direito de propriedade.

O próprio termo esclarece que, após a homologação, o marco passa a integrar o SGB e fica submetido ao regime jurídico aplicável aos marcos, pilares e sinais geodésicos.

8. Importância da expansão da rede geodésica

A incorporação de estações construídas por terceiros amplia de forma colaborativa a infraestrutura de referência disponível no território brasileiro. Esse modelo permite que investimentos realizados por universidades, prefeituras, concessionárias, empresas e outras instituições produzam referências que, depois de homologadas, passam a beneficiar um universo mais amplo de usuários.

Densificação do apoio geodésico

A existência de uma quantidade maior de referências adequadamente distribuídas pode reduzir as distâncias entre os projetos locais e os pontos integrantes do SGB. Dependendo da metodologia empregada, isso pode simplificar campanhas de campo e melhorar a disponibilidade de referências para levantamentos de precisão.

Georreferenciamento

Marcos adequadamente determinados constituem apoio relevante para trabalhos que precisam ser vinculados ao referencial geodésico oficial.

Cadastro territorial

Municípios e entidades públicas podem utilizar referências geodésicas no desenvolvimento e manutenção de bases territoriais e cadastros técnicos.

Infraestrutura

Saneamento, energia, transportes e grandes projetos de engenharia dependem frequentemente de referências espaciais consistentes.

Pesquisa científica

Universidades e centros de pesquisa podem contribuir para a manutenção e densificação da infraestrutura geodésica nacional.

Precisão e linhas de base

Em técnicas de posicionamento relativo GNSS, linhas de base mais curtas geralmente favorecem o controle dos efeitos espacialmente correlacionados da atmosfera e podem facilitar a obtenção de soluções precisas, desde que sejam respeitados o método, o equipamento, as condições de observação e os critérios de processamento aplicáveis.

Dessa forma, a densificação de referências homologadas pode contribuir para a racionalização de campanhas de medição, especialmente em regiões que dispõem de menor quantidade de estações geodésicas próximas.

9. Relação com outros serviços geodésicos do IBGE

A homologação de marcos integra um conjunto mais amplo de infraestruturas e serviços mantidos pelo IBGE para posicionamento geodésico no Brasil.

Infraestrutura ou serviço Função principal
RBMC Rede Brasileira de Monitoramento Contínuo dos Sistemas GNSS, utilizada como infraestrutura fundamental para posicionamento geodésico.
Banco de Dados Geodésicos — BDG Consulta e disponibilização de informações das estações geodésicas integrantes do SGB.
SIRGAS2000 Sistema de referência geodésico oficial utilizado no Brasil.
IBGE-PPP Serviço de Posicionamento por Ponto Preciso para processamento de observações GNSS.
RBMC-IP Serviço destinado à transmissão de dados para aplicações de posicionamento GNSS em tempo real.
ProGriD Ferramenta do IBGE relacionada à transformação de coordenadas entre referenciais oficiais historicamente utilizados no Brasil.
Importante A homologação de um marco geodésico não substitui automaticamente requisitos profissionais, normas específicas de georreferenciamento, responsabilidade técnica, ART/RRT/TRT ou outras exigências que possam existir para determinado levantamento, obra ou procedimento administrativo.

10. Pontos críticos antes de protocolar

O receptor possui características compatíveis?
Para homologação, a instrução exige receptor geodésico com no mínimo duas frequências na banda L. Antes do levantamento, deve-se verificar também a correta identificação da antena e do receptor.
Foram realizadas quatro sessões realmente independentes?
A antena deve ser novamente montada e sua altura medida em cada sessão. Simplesmente dividir um único rastreio contínuo em quatro arquivos não atende ao conceito de sessões independentes descrito pelo IBGE.
O intervalo entre sessões ficou dentro de 48 horas?
A instrução estabelece intervalo máximo de 48 horas entre as sessões.
Os arquivos estão em RINEX?
O documento técnico determina expressamente que os dados submetidos sejam encaminhados em formato RINEX.
Há documentação fotográfica suficiente?
Devem existir registros da construção e fotografias que caracterizem o marco, sua identificação, instalação, localização e condições do entorno.
O marco está em imóvel particular?
Nesse caso, é necessário observar o Termo de Compromisso, a anuência do proprietário e o reconhecimento de firma indicado na instrução técnica vigente disponibilizada pelo IBGE.

11. Análise técnica e estratégica

Sob o ponto de vista da infraestrutura pública, a homologação constitui um mecanismo de expansão colaborativa do Sistema Geodésico Brasileiro. O IBGE não precisa ser o responsável pela implantação física de cada nova estação para que uma referência construída por outra instituição possa, após passar pelo processo de controle de qualidade, integrar oficialmente o SGB.

Esse modelo é particularmente relevante diante da perda ou degradação de antigos marcos geodésicos decorrentes de obras, urbanização, alterações ambientais e intervenções sobre os locais onde foram implantados. A construção de novas referências estáveis ajuda a manter a capilaridade da infraestrutura geodésica.

Há ainda reflexos positivos para atividades de engenharia, cadastro territorial, cartografia e georreferenciamento. Uma infraestrutura de referências espaciais conhecida, documentada e integrada ao SGB reduz incertezas sobre o referencial utilizado e contribui para a compatibilidade entre levantamentos produzidos por diferentes agentes.

É importante, contudo, diferenciar essa contribuição técnica de uma garantia automática de validade jurídica de qualquer levantamento. A homologação fornece uma referência geodésica oficialmente integrada ao SGB, mas cada aplicação concreta permanece submetida às normas técnicas, profissionais, cadastrais e jurídicas que lhe sejam próprias.

12. Conclusão

O serviço de homologação de marcos geodésicos é um dos instrumentos utilizados pelo IBGE para ampliar, padronizar e manter a infraestrutura do Sistema Geodésico Brasileiro. A homologação possibilita que estações construídas por terceiros sejam submetidas a critérios técnicos uniformes e, quando aprovadas, integrem o Banco de Dados Geodésicos.

O processo combina requisitos de monumentação, estabilidade, rastreio GNSS, independência das sessões, documentação técnica e compromisso de preservação e utilização da estação. Entre os critérios atualmente publicados pelo IBGE estão quatro sessões independentes com no mínimo seis horas de duração, intervalo máximo de 48 horas, receptor geodésico de pelo menos duas frequências na banda L e fornecimento dos dados em RINEX.

A tramitação digital e gratuita facilita a participação de profissionais, empresas, universidades, concessionárias e órgãos públicos na densificação da infraestrutura geodésica nacional, mantendo a necessária supervisão técnica do IBGE.

Fontes oficiais consultadas

Nota editorial: conteúdo revisado com base nas informações oficiais disponíveis em agosto de 2026. Normas técnicas, formulários, sistemas, prazos e requisitos administrativos podem ser atualizados pelo IBGE ou pelo Governo Federal. Antes da implantação do marco ou do protocolo da solicitação, recomenda-se consultar as versões vigentes das instruções oficiais. Este material possui caráter informativo e não substitui responsabilidade técnica profissional nem análise individual do caso.