Dados da Rede Gravimétrica Fundamental Brasileira

ON/MCTI • RGFB • Gravimetria • Geodésia • Metrologia

Dados da Rede Gravimétrica Fundamental Brasileira (RGFB): estrutura, acesso e importância metrológica

Guia técnico sobre o serviço público de disponibilização de dados da Rede Gravimétrica Fundamental Brasileira, a atuação do Observatório Nacional, a infraestrutura do Laboratório de Gravimetria, a relação com o Sistema Geodésico Brasileiro e as aplicações científicas, metrológicas e econômicas da gravimetria de alta precisão.

Resumo direto: o Observatório Nacional disponibiliza, gratuitamente e mediante cadastro na Base de Dados Gravimétricos do ON, informações de centenas de estações da Rede Gravimétrica Fundamental Brasileira. O acervo inclui coordenadas, fotografias, croquis, descrições das estações, valores da aceleração da gravidade local, incertezas e anomalias gravimétricas. O serviço é digital e, segundo a Carta de Serviços do Governo Federal, possui atendimento imediato.
Prestação 100% digital
Custo dos dados Gratuito
Prazo informado Atendimento imediato
Referência geodésica SIRGAS2000

1. O que é o serviço de dados da RGFB?

O acesso a informações geofísicas e geodésicas confiáveis é essencial em um território continental como o Brasil. Os valores da aceleração da gravidade terrestre sustentam atividades de Geodésia, Geofísica, Geologia, Metrologia, engenharia e prospecção de recursos naturais.

Nesse contexto, o Governo Federal mantém o serviço denominado “Obter dados da Rede Gravimétrica Fundamental Brasileira (RGFB)”. A prestação está vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação — MCTI — e é executada pelo Observatório Nacional — ON.

O objetivo oficial é disponibilizar dados de estações gravimétricas de alta precisão distribuídas pelo território brasileiro, oferecendo informações de referência para levantamentos científicos, geodésicos, metrológicos e para aplicações do setor produtivo.

O que pode ser encontrado: coordenadas geodésicas, fotografias, croquis, descrições dos pontos, valores da aceleração da gravidade local, respectivas incertezas e anomalias de Ar-Livre e de Bouguer Simples.

2. Enquadramento institucional e operacional

A infraestrutura científica que sustenta a RGFB está associada à área de Geofísica do Observatório Nacional e, especialmente, ao seu Laboratório de Gravimetria — LabGrav/ON. O ON informa oficialmente que é responsável, desde 1978, pela implantação, manutenção, refinamento e extensão da Rede Gravimétrica Fundamental Brasileira.

O serviço é destinado a cidadãos, empresas e instituições públicas e privadas, universidades e departamentos ligados às geociências, física e metrologia, agências de regulação e integrantes do Sistema SENAI.

Parâmetro Informação validada
Denominação oficial Obter dados da Rede Gravimétrica Fundamental Brasileira (RGFB)
Órgão Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação / Observatório Nacional
Área técnica Geofísica / Laboratório de Gravimetria do Observatório Nacional
Canal Web, por meio da Base de Dados Gravimétricos do Observatório Nacional
Requisito básico Conexão com a internet e cadastro no sistema
Custo Gratuito
Tempo indicado pelo Gov.br Atendimento imediato
Base administrativa informada Portaria ON/DIR nº 23, de junho de 2017
Direitos do usuário Lei nº 13.460/2017 e regras de atendimento prioritário aplicáveis
Nota de validação: diferentes páginas institucionais do ON publicadas em 2022 mencionaram 508 e 525 estações. A página atual do serviço Gov.br evita fixar um número e utiliza a expressão “centenas de estações”. Por isso, esta página não adota a estimativa de “508 a 620 estações” como quantidade oficial atual.

3. Como obter os dados da RGFB

De acordo com a Carta de Serviços do Governo Federal, a obtenção é realizada integralmente pela internet e possui duas etapas fundamentais.

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Cadastrar o solicitante

O interessado acessa a Base de Dados Gravimétricos do Observatório Nacional e realiza o cadastramento necessário para utilização do ambiente de consulta.

2

Consultar a RGFB

Após o acesso ao sistema, podem ser pesquisadas as estações e consultados seus dados e memoriais descritivos disponíveis na base.

Prazo e custo: a Carta de Serviços informa acesso imediato, livre e gratuito mediante cadastro na Base de Dados Gravimétricos do Observatório Nacional.

4. Direitos do usuário e atendimento público

A página oficial do serviço enquadra o atendimento nos princípios da Lei nº 13.460/2017, aplicável à participação, proteção e defesa dos direitos do usuário dos serviços públicos.

Diretrizes de atendimento

  • urbanidade;
  • respeito;
  • acessibilidade;
  • cortesia;
  • presunção da boa-fé;
  • igualdade;
  • eficiência;
  • segurança;
  • ética.

Atendimento prioritário

Quando houver atendimento presencial necessário, aplicam-se as regras legais de prioridade, incluindo as categorias protegidas pela legislação vigente.

O próprio Gov.br cita, entre outros, pessoas com deficiência, idosos, gestantes, lactantes, pessoas com crianças de colo e obesos.

5. Laboratório de Gravimetria do Observatório Nacional

A sustentação científica da RGFB está diretamente relacionada ao Laboratório de Gravimetria do Observatório Nacional. O laboratório está instalado em Vassouras, no Estado do Rio de Janeiro, a aproximadamente 130 km da sede do ON.

O prédio foi concluído em maio de 2005 e compartilha o campus com o histórico Observatório Magnético de Vassouras. A atuação do LabGrav combina pesquisa, ensino, inovação em Geofísica da Terra Sólida e Metrologia da Gravidade Terrestre.

Atualização metrológica importante: em 22 de maio de 2024, o LabGrav/ON foi designado pelo Inmetro como laboratório responsável pela referência nacional da grandeza gravidade terrestre. Segundo o ON, a designação possui validade de cinco anos e atribui ao laboratório responsabilidades de guarda e disseminação dessa grandeza no Brasil.

A página institucional do ON identifica entre os profissionais da área o pesquisador Dr. Mauro Andrade de Sousa, Dr. Juarez Lourenço, MSc. Daniel da Silva Quaresma e MSc. Elizabeth Raymundo, além da equipe técnica e de apoio. Como a composição funcional pode ser alterada ao longo do tempo, contatos institucionais devem ser confirmados diretamente no ON.

6. Infraestrutura instrumental de alta precisão

O parque instrumental divulgado pelo Observatório Nacional reúne gravímetros absolutos e relativos, permitindo a realização de medições de referência, levantamentos de campo, calibrações, intercomparações e estudos metrológicos.

Categoria Equipamentos divulgados pelo ON Aplicações
Gravimetria absoluta Micro-g LaCoste FG-5 #223 e A-10 #011 Determinação absoluta de g, manutenção do referencial gravimétrico, medições metrológicas e implantação de estações.
Gravimetria relativa digital Scintrex Autograv CG-5 #600 e #839 Densificação, levantamentos regionais, comparação de estações e campanhas gravimétricas.
Gravimetria relativa analógica LaCoste & Romberg G257, G602 e G622 Levantamentos relativos, intercomparações, apoio a redes e procedimentos de calibração.

Como funciona um gravímetro absoluto?

Equipamentos como o FG-5 realizam determinações absolutas utilizando a trajetória de queda livre de um refletor em ambiente controlado, acompanhada por interferometria laser e referência temporal de alta precisão. O resultado permite determinar diretamente a aceleração local da gravidade em unidades vinculadas ao Sistema Internacional de Unidades.

Gravímetros relativos

Gravímetros relativos não determinam g de maneira independente como um instrumento absoluto. Eles medem diferenças de gravidade entre pontos, razão pela qual sua escala deve ser controlada e vinculada a estações de referência adequadamente determinadas.

7. Serviços especializados do LabGrav

Além da disseminação gratuita de dados já incorporados à RGFB, o ON divulga serviços técnico-científicos específicos realizados sob demanda.

Determinação de g

Determinação da aceleração da gravidade local e de seu gradiente vertical em laboratórios de metrologia e locais remotos.

Mapeamentos gravimétricos

Controle de qualidade, parametrização, aquisição e redução de dados gravimétricos e GNSS para aplicações científicas e de prospecção.

Calibração de gravímetros

Testes, ajustes e calibração de gravímetros relativos, incluindo procedimentos associados à Linha de Calibração de Agulhas Negras.

ISO/IEC 17025: o Observatório Nacional informa que esses serviços utilizam protocolos técnico-científicos baseados na ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017. O sistema de gestão da qualidade do LabGrav também foi estruturado tomando essa norma como referência.

8. Gravidade terrestre e metrologia

O conhecimento preciso da aceleração da gravidade local ultrapassa o campo estritamente geofísico. Ele participa de medições e realizações metrológicas relacionadas a grandezas como força, pressão e viscosidade.

Em sistemas de medição de força, por exemplo, a relação entre massa e força-peso depende do valor local de g. Em experimentos metrológicos de alta exatidão, pequenas incertezas na gravidade podem contribuir para o orçamento total de incerteza.

A gravimetria absoluta também possui importância na metrologia moderna da massa. Com a redefinição do Sistema Internacional de Unidades em 2019, o quilograma passou a ser definido a partir de um valor fixado da constante de Planck. Realizações experimentais, como a balança de Kibble, requerem conhecimento metrológico adequado da aceleração da gravidade local.

9. Estrutura científica da Rede Gravimétrica Fundamental Brasileira

O Observatório Nacional informa que é responsável pela RGFB desde 1978. A rede estabelece um arcabouço gravimétrico de referência para o território brasileiro e é continuamente refinada e expandida.

As estações gravimétricas são associadas a posições geodésicas precisas e informações descritivas que possibilitam a reocupação do ponto e a comparação de novas observações com os valores de referência.

Referencial posicional

A documentação do ON informa o uso do SIRGAS2000 como sistema geodésico de referência para as estações disponibilizadas pela RGFB.

Referencial gravimétrico

A rede brasileira possui vinculação histórica à IGSN71 e vem incorporando estações e observações absolutas, compatíveis com a evolução internacional dos sistemas de referência da gravidade terrestre.

10. Linha de Calibração Gravimétrica de Agulhas Negras

A Linha de Calibração Gravimétrica de Agulhas Negras — LCGAN constitui uma infraestrutura complementar à RGFB destinada à avaliação e calibração quantitativa de gravímetros relativos.

A linha é formada por cinco estações gravimétricas na região de Agulhas Negras, no Sudeste brasileiro. A disposição das estações ao longo de uma significativa diferença de altitude produz uma ampla variação da aceleração da gravidade, adequada à determinação de fatores de escala dos instrumentos.

Publicações técnicas associadas ao ON registram uma amplitude gravimétrica da ordem de 627 mGal ao longo da linha. A reocupação das estações permite verificar constantes de escala, estabilidade instrumental e eventuais comportamentos não lineares de gravímetros relativos.

11. Valores de gravidade e anomalias disponibilizadas

Entre os produtos associados às estações da RGFB estão o valor da aceleração da gravidade local e anomalias gravimétricas usadas na interpretação do campo gravitacional terrestre.

Anomalia de Ar-Livre

A anomalia de Ar-Livre considera a diferença entre a gravidade observada e um valor normal de referência, aplicando correção relacionada à altitude da estação, mas sem introduzir a correção pela massa topográfica situada entre a estação e a superfície de referência.

Anomalia de Bouguer Simples

A redução de Bouguer acrescenta a consideração aproximada da atração gravitacional da massa existente entre a estação e a superfície de referência. Em cálculos convencionais, é comum empregar densidade de referência próxima a 2,67 g/cm³.

As anomalias gravimétricas não representam simplesmente “gravidade alta” ou “gravidade baixa”. Sua interpretação depende das correções aplicadas, do modelo de referência, da topografia, da geologia e do objetivo do levantamento.

12. Consulta georreferenciada e apoio ao trabalho de campo

O Observatório Nacional também divulgou uma aplicação interativa baseada em mapa eletrônico para facilitar a consulta às estações da RGFB e da LCGAN. A ferramenta permite visualizar informações em celulares, tablets e computadores e auxilia no planejamento da localização e do acesso às estações.

Esse tipo de recurso é particularmente útil porque uma estação gravimétrica deve ser corretamente identificada e, em levantamentos de controle, reocupada no mesmo ponto físico descrito em seu memorial.

13. Relação entre Observatório Nacional e IBGE

A infraestrutura gravimétrica brasileira deve ser compreendida dentro de um ecossistema institucional mais amplo. O Observatório Nacional mantém a RGFB e possui papel metrológico de referência na grandeza gravidade, enquanto o IBGE é o gestor do Sistema Geodésico Brasileiro — SGB.

O próprio IBGE disponibiliza uma Rede Gravimétrica e integra informações planimétricas, altimétricas e gravimétricas em seu Banco de Dados Geodésicos. Assim, a atuação das instituições é complementar, e não uma simples divisão na qual apenas uma delas realiza gravimetria.

Aspecto Observatório Nacional IBGE
Atuação central RGFB, pesquisa em gravimetria, metrologia da gravidade e serviços especializados. Gestão e materialização das componentes do Sistema Geodésico Brasileiro.
Base de consulta Base de Dados Gravimétricos do ON. Banco de Dados Geodésicos do SGB.
Gravidade Referência nacional da grandeza gravidade terrestre e manutenção da RGFB. Rede Gravimétrica do SGB e levantamentos de densificação gravimétrica.
Altimetria Gravidade utilizada em estudos e aplicações geodésicas e metrológicas. RAAP, REALT-2018 e modelos de conversão de altitudes.
Redes ativas Atuação em redes geofísicas mantidas pelo ON. RBMC e Rede Maregráfica Permanente para Geodésia, entre outras estruturas do SGB.

14. Componentes do Sistema Geodésico Brasileiro

As páginas técnicas atuais do IBGE apresentam, entre seus principais produtos geodésicos, redes e bases que trabalham conjuntamente para fornecer referências precisas de posição, altitude e gravidade.

Rede Planialtimétrica

Estações utilizadas como referência para o posicionamento horizontal e tridimensional.

Rede Altimétrica

Referências de Nível determinadas por nivelamento geométrico de alta precisão.

Rede Gravimétrica

Estações contendo valores de aceleração da gravidade e informações de referência.

RBMC

Rede Brasileira de Monitoramento Contínuo dos Sistemas GNSS.

RMPG

Rede Maregráfica Permanente para Geodésia, vinculada aos referenciais verticais nacionais.

Banco de Dados Geodésicos

Ambiente do IBGE que reúne informações sobre as estações de referência do SGB.

15. Gravidade, GNSS e conversão de altitudes

Receptores GNSS fornecem diretamente uma altitude geométrica ou elipsoidal (h). Essa grandeza é definida em relação ao elipsoide matemático adotado pelo sistema de referência e, isoladamente, não representa uma altitude física vinculada ao campo de gravidade.

Para aplicações em que o comportamento do potencial gravitacional é relevante — como obras hidráulicas, drenagem, nivelamento de precisão e estudos geodésicos — utilizam-se altitudes físicas adequadamente definidas.

HN = h − η

No modelo hgeoHNOR2020, o IBGE fornece um fator de conversão η que permite obter altitude normal compatível com o REALT-2018 a partir da altitude geométrica referida ao SIRGAS2000.

Atenção à terminologia: no MAPGEO2015 o produto central é a ondulação geoidal. Já o hgeoHNOR2020 trabalha com um fator de conversão para altitudes normais compatíveis com a realização vertical brasileira. Portanto, “N”, ondulação geoidal e “η”, altura quase-geoidal/fator de conversão, não devem ser tratados como conceitos rigorosamente idênticos.

16. MAPGEO2015 e hgeoHNOR2020

MAPGEO2015

O MAPGEO2015 foi desenvolvido pelo IBGE em parceria com a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Segundo a documentação oficial, o cálculo utilizou aproximadamente 950 mil estações gravimétricas terrestres da América do Sul, das quais cerca de 450 mil estavam no Brasil.

Esse dado é importante porque demonstra como a qualidade de modelos do campo gravitacional depende de extensa cobertura de observações gravimétricas. Entretanto, os 950 mil pontos não correspondem exclusivamente à RGFB do Observatório Nacional.

hgeoHNOR2020

O hgeoHNOR2020 sucedeu a série MAPGEO como ferramenta especificamente voltada à conversão entre altitudes geométricas obtidas por GNSS e altitudes normais compatíveis com a Rede Altimétrica de Alta Precisão e o REALT-2018.

17. Aplicações científicas e socioeconômicas

Mineração, petróleo e gás

Variações do campo da gravidade ajudam a investigar contrastes de densidade em subsuperfície, fornecendo informações para interpretação de bacias, estruturas geológicas e corpos minerais.

Infraestrutura

Informações gravimétricas contribuem para sistemas altimétricos físicos empregados em engenharia, obras hidráulicas, recursos hídricos, saneamento e estudos territoriais.

Geodinâmica

A gravimetria auxilia na investigação da crosta e da litosfera, no estudo de estruturas profundas e na integração com outros observáveis geofísicos.

Em prospecção, anomalias de gravidade podem revelar contrastes de densidade associados a estruturas geológicas. Entretanto, a interpretação gravimétrica é normalmente integrada a informações geológicas, sísmicas, magnéticas, geoquímicas e de perfuração; ela não substitui automaticamente esses métodos.

18. Modernização do referencial gravimétrico internacional

A referência histórica da gravimetria terrestre mundial está associada à International Gravity Standardization Net 1971 — IGSN71. A Geodésia internacional, entretanto, desenvolve uma estrutura moderna baseada em medições absolutas, rastreáveis ao SI e adequadas ao monitoramento temporal de alta precisão.

A Associação Internacional de Geodésia adotou o International Terrestrial Gravity Reference System — ITGRS e trabalha na sua realização prática por meio do International Terrestrial Gravity Reference Frame — ITGRF.

Documentação do próprio Observatório Nacional publicada em 2026 registra participação institucional em projeto relacionado ao desenvolvimento do ITGRF, reforçando a inserção brasileira nesse processo internacional.

A transição deve ser entendida como um processo científico e institucional em desenvolvimento. Não significa que toda a infraestrutura histórica vinculada à IGSN71 tenha sido simplesmente eliminada ou substituída de forma instantânea.

19. Cobertura territorial e desafios futuros

A manutenção de uma infraestrutura gravimétrica nacional em um país com as dimensões do Brasil envolve desafios logísticos, ambientais e operacionais significativos. Regiões remotas, sobretudo áreas de difícil acesso, apresentam custos maiores de deslocamento e implantação de estações.

A ampliação de observações absolutas e a densificação gravimétrica são relevantes para a melhoria progressiva dos referenciais, dos modelos do campo gravitacional e da integração entre gravimetria e sistemas altimétricos modernos.

Campanhas em áreas continentais, costeiras e insulares podem demandar cooperação entre instituições científicas e órgãos públicos responsáveis pela logística e pelo acesso territorial.

20. Conclusão

O serviço de disponibilização de dados da Rede Gravimétrica Fundamental Brasileira não é apenas um repositório cadastral. Ele integra uma infraestrutura científica, geodésica e metrológica de referência para o Brasil.

O Observatório Nacional mantém a RGFB, desenvolve atividades de gravimetria absoluta e relativa e, desde 2024, possui designação do Inmetro como referência nacional para a grandeza gravidade terrestre. Paralelamente, o IBGE administra o Sistema Geodésico Brasileiro, sua rede gravimétrica, a RAAP, a RBMC, a RMPG e os produtos modernos de conversão de altitudes.

A combinação dessas infraestruturas permite que valores de gravidade sejam utilizados tanto em metrologia de alta exatidão quanto em geodesia, cartografia, engenharia, pesquisa da crosta terrestre e exploração responsável de recursos minerais e energéticos.

O acesso gratuito aos dados da RGFB favorece a transparência, a reutilização de informação científica pública e a redução de barreiras para universidades, empresas, laboratórios e profissionais que necessitam de referências gravimétricas confiáveis.

Perguntas frequentes

Os dados da RGFB são gratuitos?

Sim. A Carta de Serviços do Governo Federal informa que o acesso é livre e gratuito, mediante cadastro na Base de Dados Gravimétricos do Observatório Nacional.

É necessário comparecer ao Observatório Nacional?

Para a obtenção dos dados disponibilizados no serviço da RGFB, não. O procedimento informado pelo Gov.br é realizado via Web.

Qual é o prazo para obter os dados?

O serviço oficial informa “atendimento imediato”. As etapas individuais não possuem prazo estimado separado na Carta de Serviços.

A RGFB é a mesma coisa que a Rede Gravimétrica do IBGE?

Não. São estruturas institucionais relacionadas e complementares. A RGFB é mantida pelo Observatório Nacional, enquanto o IBGE também mantém a componente gravimétrica do Sistema Geodésico Brasileiro e realiza atividades de densificação e disponibilização de estações geodésicas.

O LabGrav é referência nacional para gravidade terrestre?

Sim. O Observatório Nacional informou que o Inmetro designou o LabGrav, em maio de 2024, como laboratório responsável pela referência nacional da grandeza gravidade terrestre, com designação válida por cinco anos.

MAPGEO2015 e hgeoHNOR2020 são a mesma coisa?

Não. O MAPGEO2015 é um modelo de ondulação geoidal. O hgeoHNOR2020 fornece fatores para converter altitudes geométricas SIRGAS2000 em altitudes normais compatíveis com o REALT-2018.

Fontes oficiais consultadas

  1. Portal Gov.br — Governo Federal: serviço “Obter dados da Rede Gravimétrica Fundamental Brasileira (RGFB)”, com informações sobre finalidade, público-alvo, etapas, gratuidade, prazo, legislação e atendimento ao usuário.
  2. Observatório Nacional — ON/MCTI: página institucional “Gravimetria”, com descrição da RGFB, instrumentação do LabGrav, LCGAN, pesquisadores e acesso à BDG-ON.
  3. Observatório Nacional — ON/MCTI: “Laboratório de Gravimetria do ON”, com informações sobre infraestrutura, serviços, equipamentos, RGFB, LCGAN e protocolos baseados na ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017.
  4. Observatório Nacional — ON/MCTI: notícia “Laboratório do Observatório Nacional é referência em Gravimetria no Brasil”, publicada em 20 de junho de 2024, sobre a designação do LabGrav pelo Inmetro.
  5. Observatório Nacional — ON/MCTI: notícia sobre implantação de novas estações gravimétricas absolutas, com informações sobre a expansão da RGFB.
  6. IBGE — Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística: página “Redes Geodésicas”, com descrição das componentes do Sistema Geodésico Brasileiro.
  7. IBGE: página da Rede Gravimétrica do Sistema Geodésico Brasileiro.
  8. IBGE: documentação do hgeoHNOR2020 — Modelo para Conversão de Altitudes Geométricas GNSS em Altitudes Normais.
  9. IBGE: documentação do MAPGEO2015 — Modelo de Ondulação Geoidal, incluindo informações sobre a base de aproximadamente 950 mil estações gravimétricas terrestres utilizadas em seu cálculo na América do Sul.
  10. Associação Internacional de Geodésia — IAG: resolução referente ao International Terrestrial Gravity Reference System — ITGRS — e ao desenvolvimento do International Terrestrial Gravity Reference Frame — ITGRF.
  11. Observatório Nacional — Edital PCI nº 01/2026: documentação institucional sobre projeto relacionado ao desenvolvimento do International Terrestrial Gravimetric Reference Frame — ITGRF.

Atualização e responsabilidade: conteúdo elaborado a partir de fontes institucionais consultadas e disponível para fins informativos. Quantidade de estações, composição de equipes, instrumentos, contatos, sistemas, procedimentos e serviços podem ser atualizados pelos órgãos responsáveis. Para pesquisa científica, calibração, contratação de serviço técnico ou utilização metrológica dos dados, consulte sempre a documentação oficial vigente do Observatório Nacional, do Inmetro e do IBGE.