Serviço de Digitalização de Documentos do Arquivo Permanente do Museu Paraense Emílio Goeldi
Entenda a estrutura do Arquivo Guilherme de La Penha, as condições de acesso ao acervo histórico, o procedimento para solicitar cópias digitalizadas, os canais de atendimento e a importância da reprodução digital para a preservação e difusão da memória científica da Amazônia.
1. Transformação digital e acesso à memória documental
A expansão dos serviços públicos digitais modificou significativamente os mecanismos de acesso à documentação histórica mantida pelos órgãos da Administração Pública. No campo científico e cultural, a possibilidade de solicitar reproduções digitais amplia o acesso remoto às fontes primárias e, simultaneamente, contribui para reduzir o manuseio desnecessário de documentos originais.
Nesse contexto, o Museu Paraense Emílio Goeldi — MPEG disponibiliza no Portal GOV.BR o serviço oficialmente denominado “Obter cópias digitalizadas de documentos do Arquivo Permanente/Histórico do Museu Paraense Emílio Goeldi”.
O serviço tem como objetivo atender às demandas de reprodução de documentos para finalidades acadêmicas e científicas, apresentadas por usuários presenciais e remotos ao acervo arquivístico permanente e histórico mantido pelo Arquivo Guilherme de La Penha.
2. Contextualização histórica e institucional
O Museu Paraense Emílio Goeldi foi fundado em 1866, em Belém, e se consolidou como uma das instituições científicas históricas mais relevantes da Amazônia brasileira. Sua trajetória está diretamente relacionada à formação, preservação e circulação do conhecimento sobre a biodiversidade e os sistemas socioculturais amazônicos.
A preocupação com a organização documental acompanha a própria história institucional. Em 1883, Domingos Soares Ferreira Penna propôs a criação de um arquivo como parte do processo de reorganização do Museu.
As atividades especificamente voltadas à organização de acervos privados tiveram início em 1984. Em 1987, durante a gestão do diretor Guilherme de La Penha, o Arquivo passou a integrar a estrutura administrativa do Museu Goeldi. Novas instalações foram inauguradas em 2004 e, em 2006, a unidade passou a ser denominada Arquivo Guilherme de La Penha.
3. Estrutura do acervo arquivístico
O Arquivo Guilherme de La Penha reúne documentação proveniente de duas grandes origens: o Fundo Museu Paraense Emílio Goeldi — Fundo MPEG e os fundos de origem privada.
O Fundo MPEG é formado pela documentação intermediária e permanente produzida, recebida e acumulada pelo Museu no desenvolvimento de suas atividades administrativas e científicas. Já os fundos privados contêm materiais doados ou colocados sob custódia por pesquisadores, famílias e instituições relacionadas aos diferentes campos do conhecimento científico sobre a Amazônia.
| Fundo ou coleção | Abrangência | Principais documentos | Importância |
|---|---|---|---|
| Fundo MPEG | Documentação histórica com registros desde aproximadamente 1890 até a atualidade. | Documentos administrativos e científicos, correspondências, relatórios, registros institucionais e materiais relacionados às atividades do Museu. | Permite acompanhar a institucionalização e o desenvolvimento da pesquisa científica na Amazônia. |
| Coleção Fotográfica | Final do século XIX aos períodos contemporâneos. | Negativos em vidro, fotografias e outros registros iconográficos. | Preserva registros históricos de Belém, expedições científicas, paisagens, populações e biodiversidade amazônica. |
| Fundos privados | Diferentes períodos históricos. | Diários de campo, cadernos, correspondências, fotografias e documentação produzida por pesquisadores. | Complementam o acervo institucional com fontes primárias sobre diferentes campos científicos. |
A coleção fotográfica histórica
Um dos conjuntos mais significativos do Arquivo é sua coleção fotográfica, formada por cerca de 20 mil documentos.
Segundo a descrição oficial do Museu Goeldi, dentro desse conjunto encontram-se 1.420 negativos em vidro produzidos entre o final do século XIX e a primeira metade do século XX.
Esses registros constituem importante patrimônio documental para estudos relacionados à história urbana, expedições científicas, populações amazônicas, paisagens, biodiversidade e desenvolvimento da ciência na região.
Fundo Eduardo Galvão e Clara Galvão
Entre os fundos privados encontra-se documentação relacionada ao antropólogo e etnólogo Eduardo Galvão e à bibliotecária Clara Galvão.
O conjunto inclui registros produzidos durante expedições pelo Rio Negro realizadas na década de 1950 e constitui fonte relevante para pesquisas sobre relações sociais, populações indígenas, sistemas econômicos regionais e o chamado sistema de aviamento associado ao extrativismo amazônico.
4. Quem pode solicitar cópias digitalizadas?
A página oficial do serviço identifica como público usuário:
Instituições de ensino
Entidades acadêmicas e educacionais interessadas no acesso ao acervo histórico.
Estudantes
Usuários que necessitam da documentação para atividades acadêmicas e científicas.
Profissionais
Profissionais que desenvolvam pesquisas ou atividades relacionadas ao conteúdo documental.
É importante diferenciar o serviço de reprodução digital do serviço de consulta aos documentos permanentes/históricos. A consulta ao acervo histórico é aberta a qualquer cidadão, observadas as condições definidas pelo Museu e o agendamento quando aplicável.
5. Quanto custa o serviço?
De acordo com a Carta de Serviços disponibilizada no Portal GOV.BR, a obtenção das cópias digitalizadas é gratuita para o cidadão.
A página oficial não estabelece taxa de protocolo, taxa de digitalização ou cobrança pelo envio eletrônico das reproduções relacionadas a esse serviço público.
6. Acesso pelo GOV.BR
Para utilizar o canal eletrônico disponibilizado no Portal GOV.BR, o requerente deverá autenticar-se por sua Conta GOV.BR.
A página do próprio serviço informa que são aceitos os níveis Bronze, Prata ou Ouro.
| Nível GOV.BR | Formas usuais de obtenção ou validação | Situação no serviço do MPEG |
|---|---|---|
| Bronze | Validação de dados, inclusive por bases governamentais como Receita Federal ou INSS e canais autorizados. | Aceito para acesso ao serviço. |
| Prata | Entre as possibilidades estão reconhecimento facial relacionado à CNH, banco credenciado ou credenciais admitidas pela plataforma. | Aceito para acesso ao serviço. |
| Ouro | Pode envolver biometria em base da Justiça Eleitoral, Carteira de Identidade Nacional ou certificado digital ICP-Brasil. | Aceito para acesso ao serviço. |
7. Fluxo para obtenção das cópias digitalizadas
O serviço oficial está organizado em duas etapas principais: apresentação do pedido e recebimento das reproduções.
8. Etapa 1 — apresentação do pedido de reprodução
O primeiro passo consiste em identificar ou descrever os documentos dos quais o interessado deseja obter reprodução.
Quanto mais precisa for a descrição, maior tende a ser a capacidade de localização do material pela equipe responsável. Sempre que disponível, é recomendável indicar informações como:
- fundo ou coleção arquivística;
- nome do pesquisador ou produtor do documento;
- assunto pesquisado;
- período ou data aproximada;
- tipo documental;
- referência localizada previamente no catálogo;
- demais elementos que permitam individualizar o documento.
Atendimento presencial
O atendimento pode ser realizado na Sala de Consultas do Arquivo Guilherme de La Penha, situada no Campus de Pesquisa do Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém.
O Portal GOV.BR informa tempo estimado de espera de até cinco minutos para o atendimento presencial inicial.
Atendimento pela internet
A solicitação também pode ser apresentada digitalmente por meio do canal web disponibilizado na página oficial do serviço no Portal GOV.BR.
Para essa modalidade é necessária autenticação na Conta GOV.BR.
9. Formulários e autorização de reprodução
A documentação institucional do Arquivo prevê utilização de formulários relacionados à consulta e à reprodução dos documentos. Dependendo da natureza do material e da utilização pretendida, pode ser necessário o preenchimento do Termo de Autorização pelo Uso de Reprodução de Documentos/Imagens.
Em relação às imagens, a própria Carta de Serviços institucional informa que pedidos de autorização de uso podem passar pela unidade competente do Museu antes da disponibilização da reprodução em alta resolução.
10. Etapa 2 — recebimento dos documentos
Depois do processamento da solicitação, as cópias digitalizadas são encaminhadas ao interessado.
Os canais indicados pelo serviço são:
- E-mail: envio ao endereço eletrônico informado pelo solicitante;
- Web: recebimento do resultado pelo ambiente eletrônico, para pedidos realizados pelo canal digital.
11. Prazos do serviço
O Portal GOV.BR informa que o prazo geral para a prestação desse serviço ainda não possui estimativa previamente definida.
Isso significa que não deve ser divulgado como regra um prazo fixo para digitalização ou entrega. O tempo efetivo pode variar conforme as características e circunstâncias do pedido.
| Etapa | Canal | Prazo divulgado | Custo |
|---|---|---|---|
| Pedido | Presencial | Espera inicial de até 5 minutos. | Gratuito |
| Pedido | Web / GOV.BR | Tempo da etapa não estimado previamente. | Gratuito |
| Recebimento | E-mail ou web | Prazo geral não estimado previamente. | Gratuito |
12. Consulta presencial ao acervo permanente
Além da obtenção de reproduções digitais, o Museu Goeldi mantém serviço específico de consulta aos documentos permanentes e históricos.
A consulta é aberta a qualquer cidadão, e a descrição oficial recomenda a realização de agendamento prévio.
Para documentos textuais consultados presencialmente, a Carta de Serviços informa a possibilidade de reprodução pelo próprio usuário mediante dispositivos, sem utilização de flash, observadas as orientações da instituição.
13. Endereço, horário e canais do Arquivo
| Instituição | Museu Paraense Emílio Goeldi — MPEG |
|---|---|
| Unidade | Arquivo Guilherme de La Penha |
| Local | Campus de Pesquisa do Museu Paraense Emílio Goeldi |
| Endereço | Avenida Perimetral, 1901 — Terra Firme — Belém/PA — CEP 66077-830 |
| Atendimento publicado | Segunda a sexta-feira, das 8h às 17h |
| E-mail institucional | arquivo@museu-goeldi.br |
| E-mail para consultas e reproduções | arquivo.consulta@museu-goeldi.br |
| Telefones publicados para o Arquivo | (91) 3217-6053 / (91) 3217-6061 |
14. Consulta ao catálogo e difusão digital
O Museu Goeldi utiliza ferramentas informatizadas para gestão e recuperação das informações de seus acervos. Entre elas encontra-se o Sistema Pergamum, implantado para integrar a gestão de acervos bibliográficos, arquivísticos e museológicos.
A utilização de sistemas de catalogação facilita a identificação prévia de materiais e pode auxiliar pesquisadores na formulação de pedidos mais precisos.
Outro importante instrumento de difusão é a Brasiliana Fotográfica. O Museu Goeldi passou a integrar o portal como instituição parceira em 2025, ampliando a possibilidade de acesso público a registros fotográficos históricos relacionados à Amazônia.
15. Fundamentos jurídicos e administrativos
A prestação dos serviços de acesso e reprodução documental insere-se em um conjunto mais amplo de normas relacionadas à gestão de arquivos públicos, transparência, atendimento ao cidadão e proteção dos usuários de serviços públicos.
| Norma | Relação com o serviço |
|---|---|
| Lei nº 8.159/1991 | Estabelece a política nacional de arquivos públicos e privados e reconhece a importância da gestão e proteção documental. |
| Lei nº 12.527/2011 — Lei de Acesso à Informação | Estrutura o direito de acesso à informação pública, respeitadas as hipóteses legais de restrição. |
| Lei nº 13.460/2017 | Dispõe sobre participação, proteção e defesa dos direitos dos usuários dos serviços públicos. |
| Lei nº 10.048/2000 | Disciplina situações de atendimento prioritário nos serviços destinados ao público. |
| Lei nº 13.709/2018 — LGPD | Integra o ambiente jurídico aplicável ao tratamento de dados pessoais, inclusive no setor público. |
16. Princípios de atendimento ao usuário
A própria página oficial do serviço faz referência à Lei nº 13.460/2017 e informa que o atendimento deverá observar princípios como:
- urbanidade;
- respeito;
- acessibilidade;
- cortesia;
- presunção da boa-fé do usuário;
- igualdade;
- eficiência;
- segurança;
- ética.
17. Digitalização como instrumento de preservação
Do ponto de vista da gestão de acervos, a reprodução digital desempenha dupla função: facilitar o acesso à informação e contribuir para a conservação preventiva dos originais.
Documentos históricos podem apresentar fragilidade decorrente da natureza do suporte, das condições ambientais, do envelhecimento físico e do próprio uso acumulado ao longo das décadas. Quanto maior a possibilidade de consulta a uma reprodução, menor pode ser a necessidade de manipulação repetitiva do original.
Essa lógica possui importância especial em conjuntos históricos constituídos por fotografias antigas, negativos em vidro, documentos textuais, mapas, registros iconográficos e materiais produzidos durante expedições científicas.
A digitalização, contudo, não substitui as políticas de preservação dos originais. Ela funciona como instrumento complementar de acesso, gestão, conservação preventiva e disseminação do patrimônio documental.
18. Importância para a pesquisa científica
O acervo do Arquivo Guilherme de La Penha ultrapassa a dimensão exclusivamente administrativa. Sua documentação constitui fonte primária para diferentes campos de pesquisa.
História da ciência
Permite investigar a formação das instituições científicas e das redes de pesquisadores que atuaram na Amazônia.
Ciências humanas
Preserva documentação relevante para antropologia, etnologia, história social e estudos das populações amazônicas.
Memória ambiental
Expedições, fotografias e registros institucionais ajudam a reconstruir transformações ambientais e territoriais.
19. Brasiliana Fotográfica e ampliação do acesso
A adesão do Museu Paraense Emílio Goeldi à Brasiliana Fotográfica representa uma etapa adicional na estratégia de difusão de seu patrimônio iconográfico.
A Brasiliana Fotográfica foi criada pela Fundação Biblioteca Nacional e pelo Instituto Moreira Salles e funciona como ambiente digital dedicado à preservação, divulgação e acesso a coleções fotográficas de interesse histórico.
A parceria possibilita ampliar a circulação pública de imagens produzidas em Belém e na Amazônia desde o final do século XIX, aproximando o patrimônio documental do Museu de pesquisadores e cidadãos localizados em diferentes regiões.
20. Checklist antes de solicitar uma reprodução
- Defina com clareza o assunto ou documento pesquisado.
- Pesquise previamente o catálogo quando possível.
- Anote fundo, coleção, autor, período ou referência disponível.
- Informe uma descrição suficientemente precisa do material.
- Escolha entre atendimento presencial e canal web.
- No canal digital, tenha uma Conta GOV.BR válida.
- Observe eventual necessidade de termo de autorização de reprodução ou uso.
- Não considere prazo fixo de entrega, pois o serviço não publica estimativa geral.
- Confira o e-mail informado na solicitação para recebimento da resposta.
21. Visão geral do serviço
| Serviço oficial | Obter cópias digitalizadas de documentos do Arquivo Permanente/Histórico do Museu Paraense Emílio Goeldi |
|---|---|
| Instituição | Museu Paraense Emílio Goeldi — MPEG |
| Acervo | Arquivo permanente/histórico sob custódia do Arquivo Guilherme de La Penha |
| Público indicado | Instituições de ensino, estudantes e profissionais |
| Canais | Presencial e web |
| Entrega | E-mail ou ambiente web, conforme o canal utilizado |
| Conta GOV.BR | Bronze, Prata ou Ouro |
| Custo | Gratuito para o cidadão |
| Prazo geral | Não estimado previamente pelo serviço |
22. Considerações finais
O serviço de obtenção de cópias digitalizadas do Arquivo Permanente/Histórico do Museu Paraense Emílio Goeldi constitui importante instrumento de acesso à informação científica, preservação da memória institucional e democratização de fontes históricas sobre a Amazônia.
A possibilidade de encaminhar pedidos remotamente reduz barreiras geográficas para pesquisadores e estudantes, enquanto a disponibilização de substitutos digitais pode diminuir a necessidade de manipulação direta de materiais originais.
O Arquivo Guilherme de La Penha, ao reunir documentos institucionais, fundos privados e uma expressiva coleção fotográfica, constitui um patrimônio documental estratégico para compreender a formação da ciência, a história social, as transformações territoriais e a diversidade cultural da Amazônia brasileira.
Precisa localizar, solicitar ou analisar documentos perante órgãos públicos?
O Direto Legaliza pode auxiliar na análise de procedimentos administrativos, identificação de serviços públicos digitais, organização documental e orientação sobre canais oficiais de atendimento e protocolo.
Cada solicitação deve ser analisada conforme o órgão responsável, a natureza do documento e as exigências aplicáveis ao caso concreto.
Falar com o Direto LegalizaFontes consultadas
- Portal GOV.BR — Museu Paraense Emílio Goeldi: serviço “Obter cópias digitalizadas de documentos do Arquivo Permanente/Histórico do Museu Paraense Emílio Goeldi”.
- Portal GOV.BR — Museu Paraense Emílio Goeldi: serviço “Consultar Documentos Permanentes/Históricos do Museu Paraense Emílio Goeldi”.
- Museu Paraense Emílio Goeldi — Arquivo Guilherme de La Penha: página institucional “Quem Somos”.
- Museu Paraense Emílio Goeldi — Arquivo Guilherme de La Penha: página institucional “Serviços”.
- Museu Paraense Emílio Goeldi: Carta de Serviços aos Cidadãos.
- Governo Digital: orientações oficiais sobre os níveis Bronze, Prata e Ouro da Conta GOV.BR.
- Fundação Biblioteca Nacional: informações sobre a entrada do Museu Paraense Emílio Goeldi como instituição parceira da Brasiliana Fotográfica.
- Brasiliana Fotográfica: página institucional dedicada ao Museu Paraense Emílio Goeldi.
- Legislação Federal: Lei nº 8.159/1991; Lei nº 10.048/2000; Lei nº 12.527/2011; Lei nº 13.460/2017 e Lei nº 13.709/2018.
