Determinação do Teor de Argila e Material Fino em Agregados Miúdos
Guia técnico e operacional sobre o ensaio de materiais pulverulentos por lavagem, normas ABNT, documentação, custos, prazos e solicitação junto à Universidade Federal de Viçosa.
1. Contextualização institucional e infraestrutura laboratorial
O serviço denominado “Solicitar determinação do teor de argila em agregados miúdos” integra a Carta de Serviços da Fundação Universidade Federal de Viçosa (UFV), disponibilizada no Portal Gov.br.
O atendimento está vinculado ao Instituto de Ciências Exatas e Tecnológicas (IEP), localizado no Campus de Rio Paranaíba, em Minas Gerais.
A disponibilização de serviços tecnológicos por instituições públicas de ensino superior contribui para a aproximação entre pesquisa acadêmica, atividades de extensão e demandas técnicas dos setores produtivos, especialmente construção civil, produção de concreto, fabricação de argamassas e mineração de agregados.
O ensaio pode apoiar atividades de caracterização de matérias-primas, controle tecnológico, avaliação de fornecedores e estudos de engenharia. A disponibilidade de instalações, equipamentos, profissionais e eventuais ensaios complementares deve ser confirmada diretamente com a unidade.
Dados institucionais
| Atributo | Informação |
|---|---|
| Órgão responsável | Fundação Universidade Federal de Viçosa – UFV |
| Unidade | Instituto de Ciências Exatas e Tecnológicas – IEP |
| Campus | Rio Paranaíba/MG |
| Endereço | Rodovia MG-230, Km 08, Prédio BBT, Salas 208/209, Campus Universitário, Rio Paranaíba/MG, CEP 38.810-000 |
| iep.crp@ufv.br | |
| Portal | iep.crp.ufv.br |
| Telefones | (34) 3855-9338 / (34) 3855-9382 |
| Horário institucional | 08h às 12h e 13h às 17h, em dias de expediente |
2. Escopo analítico e fundamentação metrológica
Existe uma distinção técnica importante entre a nomenclatura utilizada no cadastro do serviço e o procedimento laboratorial efetivamente descrito.
Embora o título oficial mencione a determinação do teor de argila, a descrição do Gov.br especifica a determinação do material fino passante na peneira de abertura nominal de 75 micrômetros (75 µm), por lavagem, conforme a ABNT NBR NM 46.
2.1. Diferença entre argila em torrões e materiais pulverulentos
Ensaio voltado à identificação de partículas ou aglomerados que podem se desagregar sob condições específicas de preparação e manipulação. Está associado à ABNT NBR 7218 e às referências normativas aplicáveis.
Ensaio gravimétrico por lavagem que determina a fração removida da amostra, incluindo partículas finas de diferentes naturezas mineralógicas, como argila dispersa, silte e pó de britagem.
Os dois procedimentos não devem ser considerados equivalentes. A determinação de materiais pulverulentos não identifica isoladamente a composição mineralógica da fração removida e não substitui uma análise específica de argila em torrões.
2.2. Normas técnicas de referência
| Norma | Aplicação |
|---|---|
| ABNT NBR NM 46 | Referência histórica citada pelo Gov.br para determinação de material fino passante em 75 µm por lavagem. |
| ABNT NBR 16973 | Referência nacional mais recente para determinação de material fino passante na peneira de 75 µm por lavagem. |
| ABNT NBR 7218 | Determinação do teor de argila em torrões e materiais friáveis. |
| ABNT NBR NM 26 e NM 27 | Referências históricas relacionadas à amostragem de agregados e à redução de amostras de campo. |
As referências de amostragem e redução de amostras também devem ser confrontadas com as normas brasileiras vigentes aplicáveis ao material e ao contrato. A edição normativa efetivamente utilizada precisa constar do escopo contratado e do relatório de ensaio.
2.3. Importância dos materiais finos no concreto e nas argamassas
A quantidade e a natureza das partículas finas presentes nos agregados podem influenciar o comportamento de misturas cimentícias.
- Demanda de água: determinados materiais finos apresentam elevada superfície específica, podendo aumentar o consumo de água ou de aditivos.
- Trabalhabilidade: o teor de finos pode modificar a coesão, a fluidez e a estabilidade da mistura.
- Aderência: materiais inadequados aderidos aos grãos podem prejudicar a interação entre agregado e pasta cimentícia.
- Retração: alterações na demanda de água e na composição da mistura podem influenciar o risco de fissuração.
- Durabilidade: características dos finos podem afetar a porosidade, a permeabilidade e o desempenho do material endurecido.
3. Procedimento laboratorial e cálculo do teor de material fino
O método gravimétrico de lavagem consiste na determinação da diferença entre a massa seca inicial e a massa seca remanescente após a remoção das partículas finas.
3.1. Preparação da amostra
A amostra representativa é preparada conforme o procedimento normativo aplicável. A determinação envolve secagem em estufa, usualmente na faixa de (110 ± 5) °C, até a condição de massa estabelecida pela norma.
3.2. Lavagem e separação
O material é submetido à lavagem e à agitação em água, com uso dos recursos previstos no método aplicável, de modo a promover o desprendimento das partículas finas.
A suspensão é conduzida pelas peneiras especificadas, permitindo a remoção das partículas passantes na malha de 75 µm. Conforme o método adotado, podem existir condições particulares de dispersão ou emprego de agentes auxiliares.
3.3. Secagem e pesagem final
Após a lavagem, a fração retida é novamente submetida à secagem e à pesagem. A diferença de massa permite calcular o percentual de material fino removido.
3.4. Fórmula de cálculo
Resultado expresso em percentual de massa (%)
- P: percentual de material fino passante na peneira de 75 µm.
- M₁: massa seca inicial da amostra antes da lavagem.
- M₂: massa seca remanescente após a lavagem e a secagem final.
O resultado deve ser interpretado de acordo com a norma de especificação aplicável ao agregado e à sua utilização. A fórmula apresentada é uma representação simplificada do princípio gravimétrico, não substituindo as instruções completas da norma.
3.5. Representatividade e controle da amostragem
Uma determinação laboratorial somente será representativa do lote quando a coleta, a identificação, o transporte, o armazenamento e a redução da amostra forem adequados.
Por isso, o alinhamento com o laboratório é especialmente importante em situações de homologação de jazidas, disputas contratuais, perícias e controle de recebimento de materiais.
Erros de coleta ou quarteamento podem produzir resultados que não representam adequadamente o lote original, comprometendo a interpretação técnica e a utilidade do relatório.
4. Quem pode solicitar o serviço e quais documentos apresentar?
Segundo a Carta de Serviços do Gov.br, o atendimento é destinado a empresas e ao público em geral, conforme a situação.
4.1. Principais interessados
Controle de recebimento de areia, verificação de fornecedores e caracterização de agregados empregados em obras.
Monitoramento das características dos agregados utilizados na dosagem e produção de concreto.
Avaliação de matérias-primas para blocos, peças pré-moldadas, argamassas e outros produtos cimentícios.
Caracterização de areia natural, areia de britagem e materiais destinados à construção civil.
Produção de elementos técnicos para estudos, investigações e análises de conformidade.
Solicitações de caracterização tecnológica, conforme a disponibilidade e o enquadramento do serviço.
4.2. Documentação e informações preliminares
A página oficial não apresenta uma relação fechada de documentos obrigatórios. As exigências específicas devem ser confirmadas com a equipe técnica responsável.
Para facilitar a análise inicial, recomenda-se reunir, quando pertinente:
- Nome e dados de contato do solicitante;
- CPF ou CNPJ, quando necessário ao cadastro e à cobrança;
- Identificação da empresa, obra, jazida ou empreendimento;
- Tipo de agregado e sua origem;
- Quantidade de amostras e identificação dos lotes;
- Objetivo da análise e norma de referência pretendida;
- Informações disponíveis sobre coleta e preparação;
- Necessidade de relatório técnico, finalidade pericial ou ensaios adicionais.
Comprovantes de transporte, documentos fiscais, memoriais técnicos e registros de amostragem podem ser relevantes em determinadas situações, mas não devem ser tratados como exigências universais da UFV sem confirmação.
5. Como solicitar o ensaio na UFV?
O fluxo publicado no Gov.br contempla duas etapas formais: iniciar contato e reunir-se com o prestador do serviço. A execução laboratorial posterior dependerá do alinhamento realizado.
Iniciar contato por e-mail
O interessado deve apresentar sua demanda ao Instituto de Ciências Exatas e Tecnológicas.
Canal: iep.crp@ufv.br
Prazo informado: atendimento imediato para a etapa inicial, conforme o cadastro do serviço. Isso não significa resposta instantânea ao e-mail nem conclusão imediata do ensaio.
Custo: o portal apresenta R$ 0,00 no campo da etapa, mas ressalva que a taxa depende da particularidade do serviço.
Realizar reunião de alinhamento técnico
O solicitante e a equipe responsável discutem as características da demanda, a viabilidade de execução, a preparação das amostras e os demais parâmetros pertinentes.
Atendimento presencial: Prédio BBT, Salas 208/209, Campus UFV – Rio Paranaíba/MG.
Atendimento remoto: sala virtual disponibilizada mediante solicitação.
Espera presencial informada: até 30 minutos.
Duração da reunião: não estimada oficialmente.
Definir as condições de execução e recebimento do relatório
Após o alinhamento, devem ser confirmados o envio ou recebimento das amostras, a norma utilizada, a quantidade de determinações, os custos, o cronograma e a forma de disponibilização do resultado.
Esta é uma fase operacional sugerida para organização da contratação e do ensaio, não uma terceira etapa formal expressamente cadastrada no Gov.br.
Quadro-resumo do atendimento
| Etapa | Canal | Prazo | Custo |
|---|---|---|---|
| Contato inicial | E-mail institucional | Atendimento imediato no cadastro | Valor da etapa exibido como R$ 0,00, com ressalva de taxa variável |
| Reunião técnica | Presencial ou virtual | Espera presencial de até 30 minutos; duração não estimada | Confirmar com a UFV |
| Execução e resultado | Conforme alinhamento técnico | A definir | Conforme orçamento e condições acordadas |
6. Regime financeiro e prazos de execução
6.1. Quanto custa o ensaio?
Não há preço final uniforme publicado na Carta de Serviços para todas as situações. O Gov.br informa que a taxa depende das particularidades do serviço.
Na elaboração de uma proposta técnica, podem ser considerados fatores como:
- Quantidade de amostras e determinações solicitadas;
- Tipo e condição do agregado;
- Necessidade de preparação e redução das amostras;
- Eventual solicitação de ensaios complementares;
- Requisitos de documentação e apresentação de resultados;
- Custos administrativos e operacionais efetivamente aplicáveis.
Esses fatores representam critérios possíveis de composição de orçamento, não uma tabela de preços oficialmente divulgada pela UFV.
6.2. Ensaios complementares
Dependendo da finalidade do estudo, o interessado pode precisar de outros procedimentos de caracterização, como determinação de curva de inchamento, massa específica, absorção, massa unitária e composição granulométrica.
A contratação de qualquer ensaio complementar depende de disponibilidade, escopo técnico e orçamento próprios.
6.3. Qual é o prazo para receber o resultado?
O tempo total de atendimento aparece como não estimado na plataforma Gov.br.
A duração prática pode depender das etapas de preparação, lavagem, secagem e pesagem, além da quantidade de amostras, da disponibilidade laboratorial e dos procedimentos administrativos.
A secagem até a condição de massa especificada pode exigir períodos prolongados, mas não existe fundamento para afirmar que todo ensaio necessariamente ultrapasse 24 horas por ciclo.
7. Governança jurídica, atendimento e controle social
A prestação do serviço público está sujeita às regras gerais de atendimento ao usuário da Administração Pública, especialmente à Lei Federal nº 13.460/2017.
Entre as diretrizes de atendimento estão:
- Urbanidade, respeito e cortesia;
- Acessibilidade e igualdade de tratamento;
- Presunção de boa-fé do usuário;
- Eficiência e segurança;
- Ética na prestação do serviço;
- Disponibilização de informações adequadas ao cidadão.
7.1. Acessibilidade e atendimento prioritário
O atendimento presencial deve observar condições apropriadas de acessibilidade, segurança, sinalização, limpeza e conforto, conforme a legislação aplicável.
A Lei nº 10.048/2000, com suas alterações, disciplina o atendimento prioritário aos grupos legalmente protegidos, incluindo pessoas com deficiência, pessoas idosas com 60 anos ou mais, gestantes, lactantes, pessoas com crianças de colo, pessoas com mobilidade reduzida e outros beneficiários previstos na legislação vigente.
7.2. Ouvidoria e manifestações dos usuários
O usuário pode apresentar manifestações sobre o serviço, inclusive:
Insatisfação com o atendimento ou com aspectos da prestação do serviço.
Comunicação de possíveis irregularidades administrativas.
Propostas para aperfeiçoamento do atendimento e dos procedimentos.
Reconhecimento de atendimento ou atuação institucional satisfatória.
As manifestações podem ser encaminhadas pelos canais de ouvidoria competentes, observando as orientações institucionais e a disponibilidade da plataforma federal Fala.BR.
Para dúvidas sobre a execução técnica do ensaio, o canal inicial indicado continua sendo o e-mail do IEP.
8. Considerações finais
O serviço de determinação do teor de material fino em agregados miúdos disponibilizado pela Universidade Federal de Viçosa constitui uma alternativa institucional para solicitações de caracterização tecnológica relacionadas à construção civil e à cadeia de produção de agregados.
A principal distinção técnica é que o serviço, embora cadastrado como determinação do teor de argila, descreve a quantificação de material fino passante na peneira de 75 µm por lavagem, e não a determinação isolada de argila em torrões.
A Carta de Serviços faz referência à ABNT NBR NM 46, enquanto a ABNT NBR 16973 deve ser considerada na verificação da normalização nacional mais recente. É importante confirmar com o laboratório a edição efetivamente utilizada.
Para reduzir riscos de resultados não representativos, recomenda-se formalizar o contato prévio com o IEP, definir corretamente o plano de amostragem e confirmar documentação, custos, prazos e finalidade do relatório antes de encaminhar o material.
9. Fontes oficiais e referências técnicas
- Gov.br – Carta de Serviços: Solicitar determinação do teor de argila em agregados miúdos. Fonte principal dos procedimentos e das condições de atendimento.
- Universidade Federal de Viçosa – IEP: Portal do Instituto de Ciências Exatas e Tecnológicas. Dados de localização e contato.
- ABNT: Catálogo oficial de normas técnicas. Consultar ABNT NBR 16973, ABNT NBR NM 46, ABNT NBR 7218 e as normas vigentes de amostragem e redução de agregados.
- Lei nº 13.460/2017: Direitos dos usuários dos serviços públicos.
- Lei nº 10.048/2000: Atendimento prioritário, com alterações posteriores.
- Controladoria-Geral da União: Fala.BR – Plataforma Integrada de Ouvidoria e Acesso à Informação.
Referências consultadas em outubro de 2026. A confirmação da edição vigente de cada norma técnica e de sua aplicação ao ensaio deve ser realizada no catálogo da ABNT e junto ao laboratório.
Aviso: Este artigo tem finalidade informativa e não constitui laudo de engenharia, parecer metrológico ou substituição das normas técnicas oficiais. O Direto Legaliza não representa a Universidade Federal de Viçosa nem realiza os ensaios laboratoriais descritos.
