CVI Paraguai: Certificação Veterinária para Cães e Gatos

CVI Paraguai • Cães e Gatos • MAPA / Vigiagro / SENACSA

Processo de Certificação Veterinária Internacional para o Paraguai

Análise regulatória, requisitos sanitários do SENACSA e fluxos operacionais do MAPA para o trânsito internacional de cães e gatos do Brasil ao Paraguai.

Introdução e Marco Regulatório Regional do Mercosul

O trânsito internacional de animais de estimação entre países membros do Mercosul baseia-se em acordos de harmonização sanitária destinados a reduzir o risco de disseminação de zoonoses e patógenos de relevância veterinária. Para o deslocamento de cães e gatos do Brasil para o Paraguai, o Certificado Veterinário Internacional, conhecido como CVI, é o documento oficial exigido pelas autoridades de fiscalização.

O CVI é emitido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, por meio do Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional, o Vigiagro, e comprova que o animal atende às garantias sanitárias estabelecidas pelo país de destino.

No Brasil, a emissão do CVI se apoia em normas de defesa sanitária animal e de atendimento público, incluindo o Decreto nº 24.548/1934, o Decreto nº 5.741/2006, a Instrução Normativa MAPA nº 39/2017, a Instrução Normativa MAPA nº 54/2013, a Lei nº 13.460/2017 e a Lei nº 10.048/2000.

Atenção regulatória: o trânsito regional de cães e gatos passou a ser balizado pela Resolução Mercosul/GMC nº 20/2024, incorporada ao ordenamento brasileiro pela Portaria MAPA nº 741/2024. Em razão de ajustes de implementação entre países, recomenda-se confirmar a exigência de chancela física do e-CVI com a unidade Vigiagro responsável antes da viagem.

O Certificado Veterinário Internacional e o Fluxo de Emissão Digital

A emissão do Certificado Veterinário Internacional para o Paraguai é um serviço gratuito oferecido pelo governo brasileiro. A gratuidade do documento não elimina, contudo, custos privados com consulta veterinária, vacinas, tratamentos antiparasitários, eventual microchipagem, transporte e emissão de documentos complementares.

Parâmetro Regulatório Detalhamento Operacional Observação
Custo de emissão Gratuito para o cidadão. Não inclui despesas particulares com veterinário, vacinas, exames ou transporte.
Solicitação eletrônica Deve ser feita no portal GOV.br, conforme janela indicada pelo serviço do MAPA. Planejar com antecedência evita perda de prazo e indeferimento.
Análise do MAPA O processo é analisado por Auditor Fiscal Federal Agropecuário. Exigências documentais suspendem o andamento até correção.
Chancela física Pode ser exigida para aceitação na fronteira ou durante fase de transição. Confirmar previamente com a unidade Vigiagro escolhida.
Validade para retorno ao Brasil Até 60 dias da emissão original, desde que a vacina antirrábica esteja válida. Após esse prazo, será necessário novo CVI emitido pela autoridade sanitária do país de origem.

Etapas principais

1. Solicitação
Cadastro no Portal GOV.br, escolha do destino e envio dos documentos sanitários.
2. Análise
Conferência das informações pelo MAPA. Havendo erro, o processo retorna para correção.
3. Emissão
Liberação do e-CVI com assinatura eletrônica e código de conferência.
4. Impressão e chancela
Impressão do documento e, quando exigido, comparecimento ao Vigiagro para chancela física.

Requisitos Sanitários do SENACSA para Cães e Gatos

O ingresso de cães e gatos no Paraguai depende do atendimento às exigências sanitárias do SENACSA. A falta de vacina, atestado, tratamento antiparasitário ou documentação compatível pode gerar recusa na fronteira.

Requisito Cães Gatos Prazos e detalhes
Vacina antirrábica Obrigatória para animais com mais de 3 meses. Obrigatória para animais com mais de 3 meses. Em primeira vacinação, observar intervalo mínimo de 21 dias antes da viagem. A validade deve estar vigente.
Vacinas adicionais Cinomose, parvovirose, hepatite infecciosa canina e leptospirose. Panleucopenia, rinotraqueíte e calicivirose. Devem constar na carteira sanitária ou passaporte do animal.
Antiparasitário Interno e externo, de amplo espectro. Interno e externo, de amplo espectro. Aplicação dentro dos 15 dias anteriores à emissão do CVI, com marca, laboratório, princípio ativo e data.
Microchip Recomendado e necessário quando exigido pelo país de trânsito. Recomendado e necessário quando exigido pelo país de trânsito. Para trânsito pelo Uruguai, deve seguir ISO 11784/11785.
Leishmaniose Dispensada para ingresso direto no Paraguai, mas exigida para trânsito pelo Uruguai. Dispensada. No trânsito pelo Uruguai, exige-se exame negativo nos 60 dias anteriores.
Raças com restrição: o Paraguai possui restrições para ingresso de determinadas raças consideradas perigosas. Antes da viagem, confirme diretamente com o SENACSA se há vedação aplicável ao animal, especialmente em casos de cães das raças Staffordshire Bull Terrier, American Pit Bull Terrier, American Staffordshire Terrier, American Bully, Fila Brasileiro, Dogo Argentino, Mastim Tibetano, Mastim Napolitano, Dogue de Bordeaux, Boerboel e raças correlatas.

Infraestrutura de Atendimento, Agendamentos e Postos do Vigiagro

Quando houver necessidade de chancela física, o tutor deve organizar atendimento presencial junto ao Vigiagro. O e-CVI deve ser impresso em boa qualidade e apresentado para conferência, assinatura e carimbo, quando aplicável.

Unidade Endereço Contatos Observação
Vigiagro GRU Airport Rodovia Hélio Smidt, s/nº, Guarulhos/SP, Terminal 3, Piso Mezanino. cvi.gru@agro.gov.br / cvi.gru@agricultura.gov.br
(11) 2445-3683 / 2800
Confirmar horário e disponibilidade para chancela antes do comparecimento.
Vigiagro Viracopos Aeroporto Internacional de Viracopos, Prédio Administrativo, Campinas/SP. cvi.vcp@gmail.com / cvi.viracopos@agricultura.gov.br Pode exigir envio prévio de planilha e agendamento.
Vigiagro São Paulo Avenida Gastão Vidigal, 1946, CEAGESP, São Paulo/SP. (11) 3643-3862 / (11) 3831-0950 Atendimento sujeito à escala e disponibilidade de servidor habilitado.

Fluxos de Fronteira e Transporte Aéreo ou Terrestre

No deslocamento terrestre, a fiscalização documental ocorre nos pontos oficiais de fronteira, como a região da Ponte Internacional da Amizade, entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este. A documentação incompleta, o CVI sem chancela quando exigida, ou tratamentos fora do prazo podem impedir a entrada do animal.

No transporte aéreo, além das regras sanitárias, o tutor deve cumprir as exigências comerciais da companhia aérea. Em voos regionais, costumam existir limites para transporte em cabine, idade mínima do pet, peso máximo do animal com caixa de transporte e dimensões do container.

Boa prática: antes de comprar a passagem, confirme simultaneamente as regras do MAPA, do SENACSA, da companhia aérea e do país de eventual conexão ou trânsito.

Trânsito pelo Uruguai

Quando a rota terrestre envolver passagem pelo Uruguai, aplicam-se exigências adicionais. Para cães, normalmente são exigidos microchip padrão ISO 11784/11785, exame negativo para Leishmaniose dentro do prazo regulamentar e antiparasitário compatível com as exigências uruguaias, incluindo atenção ao princípio ativo Praziquantel quando aplicável.

Retorno ao Brasil e Egresso do Paraguai

Viagens temporárias devem considerar desde o início o retorno do animal ao Brasil. O CVI emitido pelo MAPA pode permitir o reingresso no território brasileiro por até 60 dias da data de emissão original, desde que a vacina antirrábica permaneça válida.

Se a permanência ultrapassar 60 dias ou se a vacina contra raiva vencer durante a estadia, o tutor deverá providenciar novo documento sanitário junto à autoridade competente no Paraguai, conforme os procedimentos do SENACSA.

Procedimento pelo SENACSA Digital

  • Criar usuário na plataforma SENACSA Digital.
  • Anexar documentos de identificação exigidos.
  • Validar o cadastro conforme procedimento do órgão.
  • Obter certificado de inspeção clínica e vacinação com veterinário habilitado no Paraguai.
  • Solicitar o CVI de exportação, anexando carteira de vacinação, identificação do animal e documentos do veterinário.
  • Aguardar análise, pagamento de taxas quando aplicáveis e emissão do certificado final.

Evolução Regulatória e Tendência de Profissionalização

O trânsito internacional de animais de estimação passa por modernização contínua. A emissão digital do e-CVI, a conferência por QR Code e a responsabilização técnica sobre as informações sanitárias indicam tendência de maior integração entre governo, veterinários privados e sistemas de vigilância internacional.

Em alguns destinos, como União Europeia, Noruega, Suíça e Irlanda do Norte, o MAPA já passou a exigir que a solicitação seja realizada por médico-veterinário privado habilitado, e não diretamente pelo tutor. Embora essa regra não seja automaticamente aplicável ao Paraguai, o modelo demonstra uma possível tendência de profissionalização dos fluxos sanitários internacionais.

Checklist Prático Antes da Viagem

Documentos
CVI, carteira de vacinação, atestado de saúde, comprovantes de antiparasitários e documentos do tutor.
Vacinas
Conferir raiva, vacinas obrigatórias da espécie e validade dos imunizantes.
Prazos
Respeitar prazo do atestado, antiparasitário, emissão do CVI e eventual chancela.
Fronteira
Confirmar exigências do SENACSA e do ponto de entrada escolhido.
Transporte
Validar regras da companhia aérea ou condições de viagem terrestre.
Retorno
Planejar permanência inferior a 60 dias ou providenciar novo CVI no Paraguai.

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Fontes consultadas

  • Portal GOV.br — Serviço “CVI Paraguai – Solicitar Certificado Internacional para viajar com seu cão ou gato para o Paraguai”: gov.br
  • MAPA — Manual do Cidadão para emissão do e-CVI Mercosul: manual e-CVI Mercosul
  • Portaria MAPA nº 741/2024 — Incorporação da Resolução Mercosul/GMC nº 20/2024: texto normativo
  • SENACSA — Viajar con Mascotas: senacsa.gov.py
  • MAPA — Entrada e retorno ao Brasil com cães e gatos: gov.br/agricultura