PPA Participativo: Propostas ao Governo e Brasil Participativo

Participação Social • PPA • Governo Federal

Fazer Propostas ao Governo – PPA: como funciona o PPA Participativo e a Plataforma Brasil Participativo

Guia completo sobre o serviço público digital de participação no Plano Plurianual, a Plataforma Brasil Participativo, o processo de elaboração do PPA 2024–2027, seus resultados, mecanismos de participação social, integração das propostas cidadãs e estrutura de monitoramento.

Resumo direto: o PPA Participativo combinou participação digital, plenárias presenciais e Fóruns Interconselhos para incorporar a sociedade à elaboração do Plano Plurianual 2024–2027. Pelo Brasil Participativo, cidadãos autenticados com conta Gov.br puderam apresentar propostas e priorizar programas do Governo Federal. O processo digital registrou 1.419.729 participantes, 8.254 propostas e 1.529.826 votos. O PPA foi posteriormente instituído pela Lei nº 14.802, de 10 de janeiro de 2024.

1. O que é o PPA e por que a participação social é importante?

O Plano Plurianual — PPA é um dos principais instrumentos constitucionais de planejamento governamental de médio prazo da União. De acordo com o § 1º do artigo 165 da Constituição Federal, a lei que instituir o PPA deve estabelecer, de forma regionalizada, as diretrizes, os objetivos e as metas da administração pública federal para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para aquelas relativas aos programas de duração continuada.

No ciclo correspondente a 2024–2027, a elaboração do plano incorporou um modelo ampliado de participação social denominado PPA Participativo. A metodologia combinou ferramentas digitais, encontros presenciais e instâncias representativas de conselhos e organizações da sociedade civil.

Nesse ecossistema, o serviço público digital “Fazer propostas ao governo – PPA”, disponível no Portal Gov.br, funciona como uma das portas de acesso ao mecanismo de participação, conectado à Plataforma Brasil Participativo.

Importante: participação social no PPA não significa transferência da competência constitucional de planejamento e elaboração orçamentária à população. As propostas populares funcionam como insumos de participação social e passam por avaliação técnica, jurídica, orçamentária e institucional pelos órgãos públicos competentes.

2. Serviço “Fazer propostas ao governo – PPA”

A Carta de Serviços do Governo Federal identifica a Secretaria-Geral da Presidência da República como órgão responsável pelo serviço. A estrutura do PPA Participativo, entretanto, foi construída de forma interinstitucional e envolveu especialmente a Secretaria-Geral da Presidência da República e o Ministério do Planejamento e Orçamento, além da participação de outros órgãos federais na infraestrutura e na execução do processo.

De acordo com a página oficial do serviço, a plataforma foi estruturada para:

  • coletar propostas e sugestões para o planejamento governamental;
  • permitir a participação popular no processo relacionado ao PPA;
  • possibilitar apoio a propostas criadas na plataforma;
  • utilizar o login único Gov.br para identificação e acesso às funcionalidades.

Quem pode utilizar?

Qualquer cidadão que possua conta Gov.br, observados os requisitos e regras do processo participativo disponível no momento.

Canal de prestação

O acesso ao serviço indicado na Carta de Serviços ocorre pela web, com autenticação pelo Gov.br.

Custo

O serviço é apresentado oficialmente como gratuito para o cidadão.

Prazo: a Carta de Serviços consultada informa “não estimado ainda” para o tempo de duração. Isso não significa que os processos participativos fiquem permanentemente abertos: cada consulta, votação ou processo possui seu próprio período de participação.

3. Como funciona o fluxo de participação?

O fluxo básico inicia-se com a identificação do cidadão por meio da conta Gov.br e o acesso ao ambiente participativo disponibilizado pelo Governo Federal. No ciclo de elaboração do PPA 2024–2027, a plataforma permitiu tanto priorizar programas governamentais quanto apresentar propostas da sociedade.

Acessar o serviço

O cidadão acessa o serviço oficial no Portal Gov.br ou a Plataforma Brasil Participativo.

Entrar com a conta Gov.br

A autenticação permite associar a participação ao usuário e aplicar os mecanismos de controle definidos pela plataforma.

Participar do processo disponível

Conforme a modalidade aberta, o cidadão pode apresentar proposta, apoiar contribuições, priorizar programas ou participar de consultas.

Sistematização das contribuições

As contribuições recebidas são organizadas conforme as regras e metodologia definidas para cada processo participativo.

Avaliação pelos órgãos responsáveis

No PPA Participativo, propostas selecionadas foram encaminhadas aos ministérios e unidades responsáveis para análise de aderência, viabilidade e possível incorporação ao planejamento.

4. Atendimento ao cidadão e direitos do usuário

O atendimento relacionado ao serviço está sujeito às diretrizes da Lei nº 13.460/2017, que dispõe sobre participação, proteção e defesa dos direitos do usuário dos serviços públicos.

Entre as diretrizes apresentadas na própria Carta de Serviços estão:

  • urbanidade;
  • respeito;
  • acessibilidade;
  • cortesia;
  • presunção da boa-fé do usuário;
  • igualdade;
  • eficiência;
  • segurança;
  • ética.

Nos atendimentos presenciais que eventualmente sejam necessários, devem ser observadas também as normas de atendimento prioritário, incluindo a Lei nº 10.048/2000 e demais normas de acessibilidade aplicáveis.

Canal informado na Carta de Serviços:
E-mail: participacaosocial@presidencia.gov.br

5. Arquitetura tecnológica e metodologia do Brasil Participativo

A Plataforma Brasil Participativo utiliza como uma de suas bases tecnológicas o Decidim, projeto de software livre voltado à participação democrática digital. O Decidim nasceu em Barcelona e passou a ser utilizado e adaptado em diferentes experiências de participação pública.

O desenvolvimento da solução federal brasileira foi construído a partir de cooperação entre instituições públicas e ambientes de pesquisa e tecnologia, envolvendo órgãos como a Secretaria-Geral da Presidência, estruturas do Governo Digital, Dataprev e Universidade de Brasília, entre outros atores relacionados ao projeto.

Moderação das propostas

O ciclo do PPA Participativo contou com mecanismos de moderação destinados a preservar o ambiente participativo e assegurar a observância das regras da plataforma. Estudos técnicos sobre a implementação registram participação humana no processo de moderação, inclusive com colaboração acadêmica da Universidade de Brasília.

A lógica de moderação buscou evitar a exclusão de propostas apenas por discordância política, mantendo a possibilidade de críticas e opiniões divergentes, desde que observadas as regras de convivência, os direitos fundamentais e os termos da plataforma.

Recursos técnicos específicos utilizados durante o ciclo de 2023, como mecanismos internos de notificação e rotinas de moderação, devem ser compreendidos como elementos operacionais daquela edição. Eles podem ser alterados em novas versões da plataforma sem modificar a essência do serviço de participação.

6. As três principais camadas do PPA Participativo

A metodologia adotada em 2023 não se limitou à participação pela internet. O modelo articulou mecanismos digitais e presenciais para ampliar a escuta da sociedade e incorporar diferentes formas de representação.

1. Brasil Participativo

Ambiente digital utilizado para apresentar propostas da sociedade, apoiar contribuições e priorizar programas do Governo Federal.

2. Plenárias presenciais

Foram realizadas 27 plenárias estaduais e distrital, alcançando as unidades da Federação e reunindo mais de 34 mil participantes.

3. Fóruns Interconselhos

Espaços de participação envolvendo representantes de conselhos nacionais, organizações e entidades da sociedade civil, contribuindo para qualificar a discussão estratégica do PPA.

O modelo híbrido foi particularmente relevante porque os mecanismos presenciais funcionaram como complemento à participação digital, reduzindo — embora não eliminando — os efeitos das desigualdades de conectividade, renda, escolaridade e letramento digital.

7. Resultados do PPA Participativo 2024–2027

Segundo o relatório oficial do processo participativo, a mobilização digital atingiu escala inédita para um processo federal de participação social relacionado à elaboração do Plano Plurianual.

+4 milhões de acessos à plataforma durante o processo
1.419.729 participantes registrados no processo
8.254 propostas apresentadas pela sociedade
1.529.826 votos computados
Dimensões quantitativas do processo digital
Dimensão Resultado registrado
Acessos à plataforma Mais de 4 milhões
Participantes 1.419.729
Propostas da sociedade 8.254
Votos 1.529.826

A experiência foi caracterizada pelo próprio Governo Federal e por estudos posteriores como uma das maiores — e, no contexto do PPA, a maior — experiências de participação social realizadas na elaboração de um Plano Plurianual federal.

8. Programas governamentais priorizados pela população

Além das propostas formuladas pela sociedade, os participantes puderam priorizar programas apresentados no processo de planejamento. Entre os mais votados ficaram políticas relacionadas ao clima, à saúde, ao trabalho e ao turismo.

Programas do PPA mais votados no processo participativo
Posição Programa Votos
Enfrentamento da Emergência Climática 20.534
Atenção Primária à Saúde 20.427
Atenção Especializada à Saúde 18.786
Promoção do Trabalho Digno, Emprego e Renda 16.316
Turismo, esse é o Destino 15.246

Os números acima correspondem ao relatório e às divulgações oficiais do processo participativo de elaboração do PPA.

9. Propostas apresentadas diretamente pela sociedade

As 8.254 propostas cadastradas pela sociedade revelaram forte mobilização de organizações sociais, categorias profissionais, movimentos e cidadãos. Saúde, educação e segurança pública estiveram entre os temas de maior mobilização.

Entre as propostas que apareceram com destaque nos levantamentos do processo estavam:

  • qualificação técnica, capacitação e valorização profissional dos Agentes Comunitários de Saúde — ACS — e Agentes de Combate às Endemias — ACE;
  • valorização e implementação do piso salarial da Enfermagem;
  • reestruturação da carreira e recomposição salarial dos Técnico-Administrativos em Educação das Instituições Federais de Ensino;
  • segurança jurídica para as guardas municipais;
  • ampliação do efetivo da Polícia Rodoviária Federal e convocação de candidatos aprovados.

Atenção aos números divulgados: determinados valores frequentemente reproduzidos sobre essas propostas — como 70.257 votos para Enfermagem, 38.988 para TAE e 44.425 para PRF — pertencem a recortes específicos do relatório por sexo e não devem ser apresentados isoladamente como se fossem os totais nacionais de cada proposta.

Diferenças no perfil de participação

O relatório também analisou as preferências a partir de características demográficas. No recorte por sexo registrado na base utilizada, houve diferenças na ordem de prioridades.

Entre as mulheres, as propostas relacionadas à Enfermagem e à valorização dos ACS e ACE figuraram nas primeiras posições. Entre os homens, ganharam maior destaque propostas de segurança pública, especialmente a segurança jurídica das guardas municipais e a ampliação do efetivo da PRF.

Exemplos do recorte por sexo divulgado no relatório oficial
Recorte Proposta em destaque Votos no recorte
Mulheres Aumento do Piso da Enfermagem 70.257
Mulheres Valorização dos ACS e ACE 63.106
Mulheres Reestruturação da carreira dos TAE 38.988
Homens Segurança jurídica para os guardas municipais 52.824
Homens Aumento de cargos da PRF e convocação dos aprovados 44.425

A interpretação desses resultados exige cautela. Os números demonstram padrões de participação observados naquele processo e naquela base, não devendo ser utilizados para generalizações sobre preferências permanentes de todos os homens ou mulheres brasileiros.

10. Como as propostas foram encaminhadas ao Governo?

Um dos desafios históricos dos processos de participação social é a chamada devolutiva: informar ao cidadão o que ocorreu com a contribuição apresentada e de que maneira ela foi considerada na decisão pública.

No processo do PPA 2024–2027, o Governo Federal estruturou mecanismos de sistematização e encaminhamento das propostas aos ministérios. A metodologia previu análise das propostas de maior votação e das contribuições produzidas nas demais instâncias participativas.

O relatório oficial apresenta capítulos específicos sobre a análise e incorporação das propostas mais votadas e sobre a avaliação das propostas relacionadas a cada ministério.

Documentos e estudos sobre a implementação também registram que, diante do volume e da diversidade das propostas, houve ampliação do universo encaminhado para análise ministerial, inclusive com utilização do patamar de votação como um dos critérios operacionais. A quantidade de votos, entretanto, não significava aprovação automática nem obrigação de execução orçamentária.

As propostas precisavam ser confrontadas com aspectos como:

  • competência legal da União;
  • atribuições do ministério responsável;
  • compatibilidade com a estrutura do Plano Plurianual;
  • aderência às políticas públicas existentes ou em formulação;
  • viabilidade técnica e administrativa;
  • limitações fiscais e orçamentárias;
  • necessidade de legislação específica, quando aplicável.

A participação social, portanto, forneceu insumos para a construção do planejamento, mas a transformação de uma proposta cidadã em programa, objetivo, meta, entrega, norma ou despesa pública continuou sujeita ao processo institucional previsto na Constituição e na legislação.

11. PPA 2024–2027 e a Lei nº 14.802/2024

A proposta de PPA foi encaminhada ao Congresso Nacional pelo Poder Executivo por meio do PLN nº 28/2023. Após a tramitação legislativa, o Plano Plurianual da União para o período de 2024 a 2027 foi instituído pela Lei nº 14.802, de 10 de janeiro de 2024.

A própria lei reconhece a participação social em sua arquitetura. Entre outras disposições, estabelece que as diretrizes do PPA foram validadas por processo de participação social e determina o desenvolvimento de mecanismos de participação ao longo das etapas do ciclo de gestão do plano.

Os três eixos da dimensão estratégica

Eixo 1

Desenvolvimento social e garantia de direitos.

Eixo 2

Desenvolvimento econômico e sustentabilidade socioambiental e climática.

Eixo 3

Defesa da democracia e reconstrução do Estado e da soberania.

Seis prioridades estabelecidas pela Lei nº 14.802/2024

Prioridades previstas no artigo 3º da Lei nº 14.802/2024
Prioridade
1 Combate à fome e redução das desigualdades
2 Educação básica
3 Saúde: atenção primária e atenção especializada
4 Programa de Aceleração do Crescimento — Novo PAC
5 Neoindustrialização, trabalho, emprego e renda
6 Combate ao desmatamento e enfrentamento da emergência climática

Correção relevante: são seis prioridades legais. O artigo 3º da Lei nº 14.802/2024 também permite que as leis de diretrizes orçamentárias contemplem novas prioridades nos exercícios subsequentes, conforme as regras constitucionais.

Cinco agendas transversais

Agenda Observação
Crianças e adolescentes Inclui as políticas públicas voltadas à primeira infância, que devem ser especificadas no monitoramento.
Mulheres Permite acompanhamento transversal de políticas com impacto sobre as mulheres.
Igualdade racial Integra políticas e indicadores relacionados à promoção da igualdade racial.
Povos indígenas Reúne atributos relacionados a políticas destinadas aos povos indígenas.
Meio ambiente Viabiliza leitura transversal de políticas e entregas associadas à dimensão ambiental.

A Lei nº 14.802/2024 foi posteriormente alterada pela Lei nº 15.060, de 23 de dezembro de 2024. Sua governança e gestão foram regulamentadas pelo Decreto nº 12.066/2024, posteriormente alterado. Por isso, consultas técnicas sobre a execução atual do PPA devem considerar sempre a legislação consolidada e os atos vigentes.

12. Monitoramento, transparência e participação durante a execução

A participação social não se encerra juridicamente com a aprovação da lei. O artigo 21 da Lei nº 14.802/2024 determina que o Poder Executivo Federal promova, em conjunto com representantes da sociedade civil, o desenvolvimento de mecanismos de participação social nas etapas do ciclo de gestão do PPA.

O artigo 22 também prevê mecanismos de transparência baseados em sistemas de informações periodicamente atualizados.

Relatório anual ao Congresso Nacional

O Poder Executivo deve apresentar anualmente à Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização — CMO, até 30 de setembro de cada exercício, relatório anual com os resultados do monitoramento.

Entre os conteúdos previstos estão:

  • comportamento das variáveis macroeconômicas e do cenário fiscal;
  • evolução das metas e dos indicadores-chave nacionais;
  • desempenho dos programas finalísticos;
  • execução orçamentária e financeira dos investimentos plurianuais;
  • medidas institucionais e normativas implementadas;
  • análise dos programas de gestão.

O modelo de monitoramento permite que a participação social avance da fase de formulação para a observação da implementação, criando condições para uma devolutiva mais consistente sobre o que efetivamente foi realizado ao longo do quadriênio.

13. Inclusão digital e desigualdades de participação

Apesar da dimensão alcançada, o elevado número de participantes não elimina os desafios de representatividade. Estudos acadêmicos produzidos a partir dos dados da experiência identificaram assimetrias relacionadas à renda, escolaridade, território, conectividade e capacidade de utilização das ferramentas digitais.

O Brasil apresenta diferenças importantes na qualidade e universalização do acesso à internet. A análise do perfil de participantes do Brasil Participativo demonstrou que a disponibilidade de uma plataforma aberta em escala nacional, por si só, não assegura igualdade material de participação entre todos os grupos sociais.

A Região Norte, por exemplo, enfrentava indicadores de conectividade inferiores aos observados em outras regiões em levantamentos nacionais sobre uso da internet. Grupos com menor renda e escolaridade também podem enfrentar barreiras adicionais para participar de mecanismos exclusivamente digitais.

Essa realidade reforça a importância do modelo híbrido: tecnologia digital + participação presencial + representação social organizada.

O uso combinado dessas modalidades amplia as possibilidades de participação, ainda que não elimine integralmente os efeitos do chamado fosso ou hiato digital.

14. O Brasil Participativo tornou-se uma plataforma permanente

A infraestrutura construída para o PPA não foi encerrada com a conclusão da consulta de 2023. O Brasil Participativo passou a funcionar como ambiente federal para diferentes processos de participação social.

A antiga plataforma Participa + Brasil foi encerrada, e o próprio Portal Gov.br passou a orientar órgãos públicos a utilizar o Brasil Participativo como nova plataforma de participação digital.

Exemplos de modalidades de participação
Modalidade Utilização possível
Consultas públicas Recebimento de contribuições da sociedade sobre políticas, normas, regulamentos e documentos governamentais.
Planos nacionais Construção colaborativa de planos e políticas públicas de médio e longo prazo.
Conferências Apoio a etapas digitais, apresentação de propostas, documentos e processos deliberativos.
Conselhos e fóruns Apoio a espaços permanentes ou periódicos de participação, diálogo social e acompanhamento de políticas.
Processos temáticos Participação em agendas específicas conduzidas pelos órgãos federais responsáveis.

A continuidade da solução evidencia uma mudança institucional importante: o Brasil Participativo deixou de ser apenas a ferramenta digital vinculada à elaboração do PPA 2024–2027 para compor a infraestrutura permanente de participação social digital do Governo Federal.

Atenção: modalidades, funcionalidades, processos ativos, regras de votação e períodos de participação podem variar. Antes de participar, consulte sempre a página atual do processo disponível no Brasil Participativo.

15. Desafios e recomendações para os próximos ciclos

A experiência do PPA Participativo demonstrou que é tecnicamente possível organizar um processo nacional de participação em grande escala, combinando autenticação digital, participação presencial, representação por conselhos e sistematização governamental.

O aprimoramento dos próximos ciclos, entretanto, depende do enfrentamento de questões estruturais.

Ampliação de pontos públicos de acesso digital

A disponibilização de equipamentos e apoio presencial em regiões de menor conectividade pode ampliar a participação de cidadãos que não possuem acesso adequado à internet, equipamento próprio ou familiaridade com serviços digitais.

Integração entre União, estados e municípios

Parcerias com governos estaduais, prefeituras, bibliotecas, escolas, unidades de atendimento e outros equipamentos públicos podem criar uma rede descentralizada de apoio à participação social.

Melhoria da análise demográfica

Informações agregadas e adequadamente protegidas podem ajudar a identificar grupos sub-representados e orientar estratégias de inclusão. Qualquer ampliação da coleta ou cruzamento de dados pessoais deve, contudo, observar a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais — Lei nº 13.709/2018, inclusive os princípios da finalidade, adequação, necessidade, transparência e segurança.

Fortalecimento da devolutiva

A participação tende a ser mais sustentável quando o cidadão consegue compreender o destino de sua contribuição. Portanto, é recomendável que a Administração mantenha informações claras sobre propostas analisadas, decisões tomadas, justificativas e estágio de implementação.

Monitoramento durante todo o PPA 2024–2027

O processo participativo ganha maior legitimidade quando a sociedade consegue acompanhar não apenas a formulação, mas também a execução das metas, prioridades, entregas e investimentos relacionados às políticas públicas.

16. Conclusão

O serviço “Fazer propostas ao governo – PPA” e a Plataforma Brasil Participativo representam uma experiência relevante de integração entre planejamento governamental e participação social em escala federal.

A utilização da conta Gov.br possibilitou que mais de 1,4 milhão de participantes fossem registrados no processo digital de elaboração do PPA 2024–2027, com 8.254 propostas e 1.529.826 votos.

Ao mesmo tempo, as plenárias estaduais e distrital e os Fóruns Interconselhos demonstraram a importância de não limitar a participação à internet. O resultado foi um modelo híbrido, com diferentes canais de escuta, formulação e diálogo social.

A incorporação da participação ao próprio texto e à governança da Lei nº 14.802/2024 reforça a necessidade de continuidade do monitoramento e da transparência durante todo o ciclo 2024–2027.

O desafio dos próximos ciclos será avançar simultaneamente em escala, inclusão, representatividade, transparência e devolutiva, para que a participação digital seja cada vez mais capaz de alcançar cidadãos de diferentes territórios e condições socioeconômicas.

Fontes consultadas

Observação: este conteúdo possui finalidade informativa e foi elaborado com base em fontes oficiais e estudos institucionais consultados. Processos participativos, funcionalidades da plataforma, legislação, critérios de participação e canais de atendimento podem ser atualizados. Para participar de uma consulta ou processo específico, confirme sempre as regras e os prazos divulgados pelo órgão público responsável.