IBGE-PPP e SIRGAS2000: Guia de Posicionamento GNSS

IBGE • Geodésia • GNSS • SIRGAS2000

O Serviço IBGE-PPP e a Referenciação Geodésica ao SIRGAS2000 no Brasil

Estrutura do referencial geodésico brasileiro, funcionamento do Posicionamento por Ponto Preciso, requisitos de arquivos GNSS, transformação de coordenadas, produtos gerados e aplicações em topografia, cartografia e georreferenciamento de imóveis rurais.

Resumo direto: o IBGE-PPP é um serviço público e gratuito de pós-processamento de observações GNSS que permite determinar coordenadas de alta precisão vinculadas ao SIRGAS2000 e a referenciais do ITRF. O processamento utiliza o CSRS-PPP, produtos orbitais precisos e modelos geodésicos, podendo trabalhar com dados GPS e GLONASS obtidos em modo estático ou cinemático.
Referencial oficial SIRGAS2000
Custo do IBGE-PPP Gratuito
Rastreio por arquivo Até 48 horas
Tamanho máximo 20 MB

1. Estrutura do Referencial Geodésico Nacional e modernização do georreferenciamento

A infraestrutura de dados espaciais no Brasil passou por uma transformação conceitual e operacional com a consolidação do Sistema de Referência Geocêntrico para as Américas — SIRGAS2000 como referencial geodésico oficial do País.

A adoção foi formalizada pela Resolução da Presidência do IBGE nº 1, de 25 de fevereiro de 2005, que estabeleceu um período de transição de dez anos. Posteriormente, a R.PR nº 01/2015, datada de 24 de fevereiro de 2015, definiu 25 de fevereiro de 2015 como a data de encerramento da transição.

A partir dessa data, o SIRGAS2000 passou a ser adotado exclusivamente nas atividades relacionadas ao Sistema Geodésico Brasileiro e ao Sistema Cartográfico Nacional, encerrando-se o uso concomitante de referenciais como SAD 69 e Córrego Alegre para essas finalidades oficiais.

Por que a mudança foi necessária?

Os referenciais clássicos brasileiros foram materializados a partir de redes terrestres e técnicas tradicionais de triangulação, poligonação e observações astronômicas. Já o GNSS opera naturalmente em referenciais geocêntricos tridimensionais, tornando necessária uma estrutura compatível com coordenadas cartesianas X, Y e Z e com referenciais internacionais.

O SIRGAS2000 está alinhado aos conceitos do International Terrestrial Reference System — ITRS e utiliza como elipsoide de referência o GRS80. Isso facilita a integração de levantamentos GNSS, redes geodésicas, cartografia digital, infraestrutura, cadastros territoriais e bases espaciais produzidas por diferentes instituições.

Comparação entre referenciais utilizados no Brasil

Sistema Característica Elipsoide Relação com SIRGAS2000 Situação
SIRGAS2000 Geocêntrico GRS80 — a = 6.378.137 m; 1/f = 298,257222101 Referencial oficial de base Oficial e exclusivo
SAD 69 Topocêntrico a = 6.378.160 m; 1/f = 298,25 O IBGE informa alteração média da ordem de 65 m em relação ao SIRGAS2000 Uso oficial encerrado em 25/02/2015
Córrego Alegre Topocêntrico Hayford — a = 6.378.388 m; 1/f = 297 Diferença variável conforme a região e a realização utilizada Uso oficial encerrado em 25/02/2015
WGS 84 Geocêntrico WGS 84 — a = 6.378.137 m; 1/f ≈ 298,257223563 Considerado praticamente coincidente com SIRGAS2000 para diversas aplicações Referencial amplamente utilizado em navegação GNSS
Atenção à diferença SAD 69 × SIRGAS2000:

Não se deve simplesmente substituir o nome do datum em um arquivo cartográfico. A mudança de referencial altera as coordenadas dos objetos. O IBGE informa que, entre SAD 69 e SIRGAS2000, essa alteração é em média da ordem de aproximadamente 65 metros.

2. O que é o IBGE-PPP — Posicionamento por Ponto Preciso

Nesse contexto de modernização geodésica, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística disponibiliza o IBGE-PPP — Posicionamento por Ponto Preciso, serviço online gratuito para o pós-processamento de dados GNSS.

A ferramenta possibilita que usuários de receptores GPS e/ou GLONASS obtenham coordenadas precisas referenciadas ao SIRGAS2000 e também a realizações do International Terrestrial Reference Frame — ITRF.

O serviço utiliza tecnologia desenvolvida pelo Natural Resources Canada — NRCan, por meio do sistema CSRS-PPP, incorporado à infraestrutura de processamento disponibilizada pelo IBGE.

Posicionamento relativo

Utiliza simultaneamente um receptor no ponto de interesse e uma ou mais estações de referência. A posição é determinada por vetores ou linhas-base entre estações.

Posicionamento por Ponto Preciso

Permite processar as observações de um único receptor utilizando órbitas precisas, correções dos relógios dos satélites e modelos físicos e geodésicos.

No PPP não é necessário que o usuário estabeleça uma estação-base própria coletando dados simultaneamente em campo. A solução absoluta utiliza produtos orbitais precisos e modelos para estimar ou corrigir os principais erros que afetam as observações GNSS.

O processamento pode utilizar observações de pseudodistância e da fase da onda portadora. Em sessões mais longas e com dados de boa qualidade, a resolução das ambiguidades e a utilização da fase permitem alcançar resultados muito mais precisos do que aqueles baseados exclusivamente em código.

Aplicações usuais

O manual do IBGE indica o IBGE-PPP para aplicações como georreferenciamento, topografia, avaliação de levantamentos e determinação de bases geodésicas, desde que a coleta seja executada com equipamentos e procedimentos compatíveis com a precisão pretendida.

3. Modelagem de erros e parâmetros geodésicos

O posicionamento preciso por GNSS depende da modelagem de fenômenos que afetam a propagação dos sinais entre o satélite e o receptor. O processamento PPP procura reduzir ou estimar esses efeitos para que a solução converja para coordenadas de alta qualidade.

Órbitas e relógios

Utilização de produtos precisos referentes às órbitas dos satélites e às correções dos relógios, produzidos por centros especializados.

Ionosfera

Em dados de dupla frequência podem ser empregadas combinações de observáveis que reduzem substancialmente os efeitos ionosféricos de primeira ordem.

Troposfera

São empregados modelos e funções de mapeamento atmosférico para estimar os atrasos sofridos pelo sinal na atmosfera neutra.

Centro de fase

Correções de deslocamento e variação do centro de fase das antenas do receptor e dos satélites são fundamentais para levantamentos de precisão.

Orientação terrestre

Os parâmetros de orientação da Terra são incorporados ao processamento para compatibilizar as observações com o referencial terrestre utilizado.

Carga oceânica e outros efeitos

Modelos geofísicos adicionais podem ser empregados para reduzir efeitos periódicos e sistemáticos que influenciam posições de alta precisão.

O histórico técnico divulgado pelo IBGE registra, entre outras melhorias, implementação de parâmetros de orientação terrestre, modelos atmosféricos, correções de centro de fase, tendências interfrequência e aperfeiçoamentos no processamento de observações de receptores de uma frequência.

4. Atualização do IBGE-PPP em 2026: IGc20/ITRF2020-u2024

A infraestrutura orbital utilizada pelo serviço é atualizada periodicamente para acompanhar a evolução dos referenciais internacionais.

Atualização vigente desde 11 de janeiro de 2026

Segundo o IBGE, os dados GNSS coletados a partir dessa data são processados utilizando órbitas precisas referidas ao IGc20/ITRF2020-u2024.

Para transformar os resultados desse referencial orbital para o SIRGAS2000, o IBGE informa os seguintes parâmetros:

Parâmetro Valor oficial divulgado pelo IBGE
Tx -0,540 cm
Ty -0,170 cm
Tz -0,710 cm
Escala — S 0,750 ppb

Os parâmetros acima substituem aqueles utilizados em realizações orbitais anteriores para observações realizadas a partir da data indicada pelo IBGE. Essa atualização é relevante principalmente em aplicações geodésicas de alta precisão, nas quais diferenças centimétricas ou milimétricas precisam ser controladas.

Redução das coordenadas à época 2000,4

As coordenadas GNSS são inicialmente determinadas na época correspondente ao levantamento. Como as placas tectônicas e as estações geodésicas apresentam movimento ao longo do tempo, o IBGE-PPP também realiza a redução das coordenadas para a época de referência 2000,4 do SIRGAS2000.

No manual do serviço, o IBGE descreve o emprego de modelo de velocidades para transportar as coordenadas calculadas na data da observação para a época de referência do SIRGAS2000.

5. Altitude elipsoidal e altitude normal

O posicionamento GNSS fornece diretamente a altura elipsoidal (h), determinada em relação ao elipsoide matemático de referência. Essa grandeza não é equivalente à altitude física normalmente empregada em engenharia, cartografia e nivelamento.

Desde 5 de agosto de 2021, o IBGE-PPP utiliza o modelo hgeoHNOR2020 para a conversão de altitudes geométricas em altitudes normais, compatibilizadas com a realização vertical brasileira REALT2018.

h — altura elipsoidal

Grandeza geométrica determinada em relação ao elipsoide de referência.

HN — altitude normal

Grandeza física vinculada ao sistema altimétrico e obtida, no IBGE-PPP, com auxílio do modelo hgeoHNOR2020.

Importante:

Em trabalhos técnicos, não se deve utilizar de forma indistinta os termos altura elipsoidal, altitude ortométrica e altitude normal. O produto atualmente adotado pelo IBGE-PPP é a altitude normal calculada com o modelo hgeoHNOR2020.

6. Workflow de solicitação e processamento

O processo começa no levantamento em campo e termina com o pós-processamento realizado na infraestrutura do IBGE.

Coletar os dados Registrar observações GNSS utilizando receptor adequado à precisão pretendida.
Gerar o RINEX Exportar os dados brutos do receptor para RINEX ou Hatanaka compatível.
Acessar o serviço O serviço está catalogado no Gov.br e direciona o usuário para a plataforma de processamento mantida pelo IBGE.
Selecionar o modo Informar se o processamento será estático ou cinemático.
Informar a antena Conferir modelo e altura da antena. Esses dados são essenciais quando não constam corretamente no cabeçalho do RINEX.
Receber os resultados Após o processamento, o sistema disponibiliza o pacote de resultados e envia o endereço de acesso para o e-mail informado.
Acesso pelo Gov.br

A página oficial do serviço no Portal Gov.br informa utilização de conta Gov.br nos níveis Bronze, Prata ou Ouro. O processamento técnico é realizado no ambiente do IBGE.

O Portal Gov.br registra prazo institucional estimado entre 2 e 7 dias corridos para a prestação do serviço. Entretanto, o processamento eletrônico normalmente é muito mais rápido. A própria interface do IBGE informa que a transferência e o processamento podem consumir alguns minutos e orienta novo processamento caso o resultado não comece a aparecer em até duas horas.

7. Especificações técnicas dos arquivos de entrada

Parâmetro Requisito Observações
Formato RINEX ou Hatanaka São admitidas extensões atuais como .obs, .rnx, .crx e arquivos de observação por ano.
Compressão .zip, .tar, .tgz, .gz e .7z Podem existir múltiplos arquivos dentro de um pacote, respeitado o limite total.
Tamanho máximo 20 MB O manual recomenda compactação quando necessário.
Tempo máximo de rastreio 48 horas O IBGE-PPP não estabelece tempo mínimo universal para iniciar um processamento.
Antena Modelo e altura Devem ser informados corretamente para aplicação das correções apropriadas.
GNSS GPS e GLONASS Conforme disponibilidade das observações e dos produtos de processamento.
Frequências Uma ou duas frequências A qualidade final depende do equipamento, das observáveis e do tempo de rastreio.
Modo Estático ou cinemático O estático estima posição fixa; o cinemático permite determinar posições ao longo da trajetória.
E-mail Obrigatório Utilizado para comunicação e disponibilização dos resultados.

Quanto tempo devo rastrear?

O manual do IBGE é expresso ao informar que não existe um tempo mínimo obrigatório universal para submissão ao IBGE-PPP. Entretanto, períodos curtos produzem soluções menos precisas, enquanto observações mais longas favorecem a convergência da solução e o uso das observáveis de fase.

Consequentemente, recomendações como “rastrear por quatro horas” devem ser tratadas como critérios de planejamento técnico ligados à precisão desejada ou à norma específica do levantamento, e não como regra geral obrigatória do IBGE-PPP.

Boas práticas de campo
  • Utilizar receptor compatível com a precisão requerida.
  • Evitar obstruções significativas do horizonte.
  • Reduzir multipercurso próximo a edificações, veículos e superfícies refletoras.
  • Medir corretamente a altura da antena.
  • Confirmar o modelo exato da antena.
  • Planejar duração de rastreio compatível com o objetivo do levantamento.
  • Conferir a qualidade dos dados antes da utilização jurídica ou cadastral do resultado.

8. Relatórios e arquivos gerados pelo IBGE-PPP

Após a conclusão do processamento, o IBGE disponibiliza um pacote compactado com os arquivos de resultado. A composição varia entre o processamento estático e o cinemático.

Arquivo Conteúdo Utilização
PDF Relatório resumido do processamento estático, com coordenadas na época do levantamento e reduzidas à época 2000,4, desvios padrão, altitude normal e gráficos de convergência. Principal documento de leitura e apresentação técnica do processamento estático.
SUM Relatório técnico detalhado com modelos, órbitas, correções de antena, parâmetros, observações rejeitadas e demais informações do processamento. Controle de qualidade e auditoria técnica.
POS Coordenadas estimadas época a época ao longo do período de rastreio. Análise de convergência e processamento cinemático.
KML Representação do ponto ou da trajetória para visualização geográfica. Conferência espacial em Google Earth e aplicativos compatíveis.
TXT Resumo estruturado com as principais informações de um processamento estático. Automatização e integração com sistemas de terceiros.
Leiame.txt Explicação sobre os arquivos e conteúdos integrantes do processamento. Orientação para interpretação do pacote de resultados.
Processamento cinemático:

Segundo o manual do IBGE, o arquivo PDF resumido não é produzido no processamento cinemático. Nessa modalidade, o arquivo POS assume especial importância por registrar as posições estimadas ao longo da trajetória.

9. Transformação entre referenciais e o ProGriD

O IBGE-PPP é voltado ao pós-processamento de observações GNSS. Quando a necessidade é transformar uma base cartográfica existente originalmente vinculada a referenciais históricos, como Córrego Alegre, SAD 69 ou SAD 69/96, o problema é diferente.

Para essa finalidade, o IBGE desenvolveu o ProGriD, inicialmente como aplicativo desktop e posteriormente disponibilizado também em ambiente online.

A ferramenta utiliza, em determinadas transformações, grades no padrão NTv2 — National Transformation Version 2. Essas grades incorporam variações espaciais da transformação e ajudam a representar distorções locais presentes nas antigas materializações geodésicas.

Por que utilizar grades?

Redes geodésicas clássicas podem apresentar deformações espacialmente variáveis. Dessa forma, uma transformação baseada apenas em parâmetros globais pode não representar adequadamente todos os efeitos locais. As grades permitem interpolar correções conforme a posição geográfica.

O próprio IBGE ressalta que uma transformação de referencial não melhora a precisão original das coordenadas. Ela apenas permite representá-las de maneira compatível com outro sistema geodésico, respeitando a qualidade do levantamento de origem.

10. SIRGAS2000, WGS 84 e compatibilidade das coordenadas

O WGS 84 também é um referencial geocêntrico e suas realizações modernas foram progressivamente aproximadas dos referenciais internacionais do ITRF.

Nas orientações divulgadas pelo IBGE sobre a adoção do SIRGAS2000, os referenciais modernos WGS 84 e SIRGAS2000 são tratados como praticamente coincidentes para diversas aplicações, não havendo parâmetros de transformação significativos adotados pelo IBGE entre eles nessas situações.

Isso não significa que todos os produtos denominados “WGS 84” sejam automaticamente equivalentes em qualquer nível de precisão.

Em aplicações centimétricas ou geodésicas deve-se identificar a realização, época, método de obtenção das coordenadas e precisão do equipamento.

11. Aplicações no georreferenciamento de imóveis rurais

O uso do SIRGAS2000 possui relevância direta no georreferenciamento de imóveis rurais e na certificação realizada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária — INCRA.

A estrutura jurídica decorre, entre outros instrumentos, da Lei nº 10.267/2001, que alterou dispositivos relacionados ao registro imobiliário e ao georreferenciamento rural. A certificação é operacionalizada atualmente pelo Sistema de Gestão Fundiária — SIGEF.

O que o IBGE-PPP faz nesse contexto?

O IBGE informa que os relatórios do serviço são aceitos pelo INCRA em processos relacionados à certificação de imóveis rurais. Isso significa que o PPP pode integrar a metodologia técnica de determinação das coordenadas.

O que o IBGE-PPP não faz?

O serviço não certifica o imóvel, não valida confrontações e não substitui a responsabilidade do profissional habilitado. A certificação do polígono é realizada exclusivamente pelo INCRA por meio do SIGEF.

Responsabilidade profissional

O proprietário deve contratar profissional habilitado e credenciado junto ao INCRA para execução do georreferenciamento destinado à certificação. O responsável técnico assume responsabilidade pela identificação do imóvel, pelos limites e pelas informações posicionais apresentadas.

Referencial utilizado pelo SIGEF

O manual do SIGEF estabelece o SIRGAS2000 como sistema geodésico de referência das coordenadas informadas ao sistema, tanto para coordenadas geodésicas quanto para coordenadas UTM.

Precisões dos vértices de limite

Natureza do limite Precisão prevista na 3ª edição da Norma Técnica
Limites artificiais Melhor ou igual a 0,50 m
Limites naturais Melhor ou igual a 3,00 m
Limites inacessíveis Melhor ou igual a 7,50 m

O próprio SIGEF esclarece que essas especificações referem-se aos vértices de limite. A precisão necessária aos vértices de apoio deve ser definida pelo profissional de maneira que os resultados finais atendam aos padrões aplicáveis.

UTM e Sistema Geodésico Local

O SIGEF admite entrada de coordenadas geodésicas ou UTM em SIRGAS2000. O cálculo da área segue metodologia própria baseada nas coordenadas referenciadas ao Sistema Geodésico Local — SGL, conforme os manuais técnicos do INCRA.

12. Precisão centimétrica: quando é possível?

O PPP pode produzir coordenadas em nível centimétrico, mas essa precisão não deve ser tratada como resultado automático de qualquer arquivo submetido.

A qualidade final depende de fatores como duração da sessão, número e geometria dos satélites, presença de obstruções, multipercurso, qualidade do receptor, número de frequências, qualidade das observáveis, identificação correta da antena e disponibilidade dos produtos orbitais.

Sessões curtas

Podem apresentar precisão significativamente inferior e, em determinados casos, depender majoritariamente das observações de pseudodistância.

Sessões prolongadas

Favorecem a convergência das coordenadas e a resolução das ambiguidades da fase portadora, podendo conduzir a soluções centimétricas em condições adequadas.

Portanto, um rastreio de quatro horas pode constituir boa prática ou exigência de determinada metodologia específica, mas não deve ser apresentado como requisito geral obrigatório do IBGE-PPP. O planejamento deve considerar a norma técnica aplicável ao trabalho e a precisão efetivamente necessária.

13. Papel estratégico do IBGE-PPP na infraestrutura geoespacial brasileira

Ao oferecer gratuitamente um sistema de pós-processamento de observações GNSS vinculado ao SIRGAS2000, o IBGE reduz barreiras de acesso a técnicas geodésicas avançadas e facilita a padronização de levantamentos realizados por diferentes agentes públicos e privados.

O serviço contribui para aplicações em:

  • levantamentos topográficos e geodésicos;
  • implantação e verificação de pontos de apoio;
  • georreferenciamento territorial;
  • engenharia e infraestrutura;
  • cartografia e sistemas de informação geográfica;
  • monitoramento de posições e trajetórias;
  • avaliação e controle de levantamentos GNSS;
  • georreferenciamento de imóveis rurais, quando tecnicamente aplicável;
  • integração de dados ao Sistema Geodésico Brasileiro.

A combinação entre o SIRGAS2000, a Rede Brasileira de Monitoramento Contínuo, o IBGE-PPP, modelos de conversão altimétrica e ferramentas como o ProGriD constitui parte essencial da infraestrutura geodésica necessária à interoperabilidade das informações espaciais brasileiras.

14. Checklist antes de processar um levantamento no IBGE-PPP

  • Confirmar se o arquivo corresponde ao ponto e ao período corretos.
  • Verificar se o arquivo está em RINEX ou Hatanaka compatível.
  • Confirmar que o período contínuo não supera 48 horas.
  • Manter o arquivo ou pacote compactado dentro do limite de 20 MB.
  • Conferir o modelo exato da antena.
  • Conferir a altura da antena e o método de medição utilizado.
  • Selecionar corretamente entre processamento estático e cinemático.
  • Utilizar e-mail válido.
  • Analisar os desvios padrão e a convergência após o processamento.
  • Examinar o arquivo SUM quando houver dúvidas sobre observações rejeitadas ou qualidade do processamento.
  • Não confundir resultado PPP com certificação ou homologação administrativa de um levantamento.

15. Perguntas frequentes sobre IBGE-PPP e SIRGAS2000

O IBGE-PPP é gratuito?
Sim. O IBGE e o Portal Gov.br classificam o serviço como gratuito para o cidadão.
Qualquer pessoa pode utilizar o serviço?
O Portal Gov.br informa que o serviço pode ser utilizado por qualquer pessoa que possua receptor GPS ou GLONASS e os dados necessários ao processamento.
Qual é o tamanho máximo do RINEX?
O arquivo ou pacote submetido ao processamento deve possuir até 20 MB.
Qual é o período máximo de rastreio?
O IBGE-PPP está configurado para processar sessões contínuas de até 48 horas.
Existe tempo mínimo obrigatório de rastreio?
Não há um tempo mínimo universal estabelecido pelo IBGE-PPP. Entretanto, a duração influencia diretamente a precisão da solução, de modo que o período deve ser planejado conforme a precisão e a norma aplicável ao levantamento.
O IBGE-PPP utiliza SIRGAS2000?
Sim. O serviço determina coordenadas vinculadas ao SIRGAS2000 e também disponibiliza informações relacionadas ao referencial internacional utilizado no processamento.
O IBGE-PPP substitui uma estação-base?
No método PPP não é necessária uma estação de referência própria coletando dados simultaneamente com o receptor do usuário. O processamento utiliza produtos orbitais precisos e correções de relógio dos satélites.
O resultado do IBGE-PPP certifica um imóvel rural?
Não. O relatório pode integrar a metodologia técnica aceita pelo INCRA, mas a certificação de imóveis rurais é realizada pelo INCRA por meio do SIGEF e depende de profissional habilitado e credenciado.
SAD 69 e SIRGAS2000 possuem as mesmas coordenadas?
Não. O IBGE informa que a diferença entre as coordenadas nos dois referenciais é, em média, da ordem de 65 metros.
Posso apenas alterar o datum no meu software GIS?
Não é recomendável simplesmente redefinir o nome do sistema de referência. Bases antigas devem ser efetivamente transformadas utilizando metodologia compatível, como as ferramentas e grades disponibilizadas pelo IBGE.
O que mudou no IBGE-PPP em janeiro de 2026?
Para dados coletados a partir de 11 de janeiro de 2026, o IBGE passou a utilizar o referencial IGc20/ITRF2020-u2024 nas órbitas precisas, acompanhado de novos parâmetros de transformação para o SIRGAS2000.

16. Conclusão

O IBGE-PPP constitui uma das principais ferramentas públicas brasileiras para integração de levantamentos GNSS ao Sistema Geodésico Brasileiro. Sua utilização permite obter coordenadas de alta precisão sem a necessidade de manter uma estação-base física própria operando simultaneamente durante o levantamento.

A adoção exclusiva do SIRGAS2000 desde 25 de fevereiro de 2015 encerrou a convivência oficial com referenciais históricos como SAD 69 e Córrego Alegre e consolidou uma infraestrutura compatível com GNSS e com os referenciais internacionais modernos.

A evolução contínua do IBGE-PPP — incluindo o uso do modelo de conversão altimétrica hgeoHNOR2020, arquivos de saída estruturados e, desde 11 de janeiro de 2026, o referencial orbital IGc20/ITRF2020-u2024 — demonstra a necessidade de manter procedimentos geodésicos atualizados quando a precisão exigida alcança níveis centimétricos.

Em aplicações cadastrais e imobiliárias, entretanto, é essencial distinguir o resultado técnico do processamento GNSS da certificação administrativa ou registral. No caso de imóveis rurais, o IBGE-PPP pode fornecer coordenadas e relatórios tecnicamente utilizáveis, enquanto a certificação é conduzida pelo INCRA, por meio do SIGEF, sob responsabilidade de profissional habilitado e credenciado.

Precisa organizar um processo técnico, cadastral ou documental?

O Direto Legaliza reúne informações sobre procedimentos públicos, registros, cadastros, certificações e regularizações. Caso precise analisar a documentação, identificar o órgão competente ou estruturar as etapas administrativas relacionadas ao seu processo, entre em contato.

Falar com o Direto Legaliza

Fontes oficiais consultadas

Observação: este conteúdo possui finalidade informativa e técnica. A definição do método de posicionamento, duração do rastreio, precisão necessária e utilização jurídica das coordenadas deve considerar a finalidade concreta do levantamento, a norma técnica vigente, o equipamento utilizado e, quando aplicável, a responsabilidade de profissional legalmente habilitado.