Imagens do Satélite CBERS-4 no INPE: Serviço Público, Catálogo e Aplicações
Análise técnica e operacional do serviço público de acesso às imagens do satélite sino-brasileiro CBERS-4, incluindo funcionamento do Catálogo de Imagens do INPE, sensores MUX, WFI, PAN e IRS, níveis de processamento, aplicações ambientais e evolução para o CBERS-04A e Amazonia-1.
1. Contexto institucional e fundamentação do serviço público
O serviço público denominado “Obter imagens de sensoriamento remoto da Terra geradas pelo satélite CBERS-4”, disponibilizado no Portal Gov.br, integra a infraestrutura brasileira de acesso a dados de observação da Terra. A operação e a distribuição dos dados são realizadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais — INPE, unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação — MCTI.
O CBERS-4 faz parte do Programa Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres — China-Brazil Earth Resources Satellite. O acordo internacional que deu origem ao Programa CBERS foi firmado em 6 de julho de 1988, estabelecendo uma cooperação de longo prazo entre Brasil e China no desenvolvimento de satélites de sensoriamento remoto.
Nas missões CBERS-1, CBERS-2 e CBERS-2B, a participação brasileira correspondia a aproximadamente 30% dos investimentos, enquanto a parcela chinesa representava cerca de 70%. Nos satélites CBERS-3, CBERS-4 e CBERS-04A, a divisão passou a ser de 50% para cada país.
No Brasil, participam do programa o INPE, a Agência Espacial Brasileira — AEB — e a indústria nacional. Do lado chinês, figuram instituições como a China Academy of Space Technology — CAST — e a China National Space Administration — CNSA, além das estruturas chinesas responsáveis por aplicações e controle.
Recorte histórico do serviço
O serviço específico dedicado ao CBERS-4 no Portal Gov.br abrange as imagens adquiridas desde o início de sua fase operacional, em 1º de janeiro de 2015, até 9 de maio de 2022.
As imagens adquiridas a partir de 10 de maio de 2022 passaram a ser disponibilizadas pelo serviço integrado do INPE voltado aos satélites brasileiros de observação da Terra, abrangendo o CBERS-4, CBERS-04A e Amazonia-1.
A disponibilidade contínua dessas imagens contribui para a autonomia brasileira em observação da Terra, reduz a dependência exclusiva de provedores comerciais e fornece dados para pesquisa científica, monitoramento ambiental, planejamento territorial, agricultura, hidrologia, prevenção de desastres e inúmeras outras aplicações públicas e privadas.
2. Procedimentos operacionais e fluxo de atendimento
A solicitação é realizada digitalmente por meio da infraestrutura de catálogo e distribuição de imagens do INPE. O interessado pesquisa as cenas disponíveis, aplica filtros e seleciona os produtos desejados.
Cadastro no repositório
O usuário realiza cadastro informando endereço de e-mail válido e criando suas credenciais de acesso. O Portal Gov.br classifica esta etapa como de atendimento imediato.
Pesquisa e seleção das imagens
O interessado utiliza critérios de busca como sensor, área geográfica e intervalo de tempo para localizar as cenas correspondentes ao estudo ou projeto. As imagens desejadas podem ser adicionadas ao carrinho.
Download dos produtos
As imagens selecionadas são disponibilizadas para download. Conforme a modalidade do serviço e o fluxo utilizado, o usuário pode receber por e-mail as informações ou links necessários para acesso aos arquivos.
| Etapa | Procedimento | Canal | Tempo informado |
|---|---|---|---|
| Cadastro | Registro do usuário com e-mail válido e credenciais de acesso. | Web | Imediato |
| Pesquisa e seleção | Busca por sensor, área e período e seleção das imagens de interesse. | Web | Imediato |
| Disponibilização | Acesso aos arquivos solicitados para download. | Web / e-mail, conforme o fluxo | Serviço estimado em até 24 horas |
Quem pode utilizar?
O serviço é aberto a qualquer pessoa interessada: pesquisadores, estudantes, empresas privadas, órgãos governamentais, consultorias ambientais, profissionais de geoprocessamento, municípios e demais usuários de dados geoespaciais.
Suporte e atendimento
Para o serviço histórico do CBERS-4, o Portal Gov.br informa o endereço atus@inpe.br. Para a distribuição integrada dos satélites de observação da Terra, o portal também divulga o canal cienciasdaterra@inpe.br.
A prestação dos serviços públicos deve observar os princípios e direitos previstos na Lei nº 13.460/2017. Manifestações de ouvidoria, reclamações, solicitações, sugestões ou denúncias relacionadas aos órgãos federais podem ser apresentadas pelos canais oficiais do Governo Federal, incluindo a plataforma Fala.BR.
Também devem ser observadas as normas brasileiras de atendimento prioritário, inclusive aquelas destinadas às pessoas com deficiência, pessoas idosas, gestantes, lactantes, pessoas com crianças de colo e demais grupos contemplados pela legislação vigente.
3. Produtos digitais, níveis de processamento e formatos
O INPE mantém produtos CBERS-4 em diferentes níveis de processamento. Na infraestrutura atual de dados geoespaciais é possível encontrar, entre outros, produtos identificados como Level-2-DN e Level-4-DN.
Nível 2 — L2
Produto em número digital — DN — submetido a correções radiométricas e geométricas utilizando dados de efemérides, atitude e informações da aquisição do satélite.
Nível 4 — L4
Produto derivado do nível 2 e submetido à ortorretificação, permitindo melhor posicionamento geométrico para integração com outras informações cartográficas e geoespaciais.
Na infraestrutura STAC do INPE, os ativos das cenas podem incluir arquivos GeoTIFF correspondentes às bandas espectrais, metadados XML e imagens de visualização rápida.
Metadados
Os metadados são fundamentais para identificar características de cada cena, como data e horário da aquisição, sensor, órbita, posicionamento geográfico, bandas, processamento e outros parâmetros necessários ao uso técnico do produto.
4. Interfaces alternativas e processamento externo
Além dos portais oficiais do INPE, imagens CBERS podem aparecer em aplicações, bibliotecas, serviços de nuvem e visualizadores mantidos por terceiros. Essas ferramentas podem facilitar a inspeção rápida de cenas, composição de bandas ou integração com fluxos automatizados de geoprocessamento.
Composições espectrais
Na câmera MUX, uma composição de cor natural pode ser formada utilizando as bandas do vermelho, verde e azul — B07, B06 e B05. Já combinações envolvendo a banda B08, no infravermelho próximo, são particularmente úteis para análise de vegetação.
Correção atmosférica
Quando o objetivo exige valores fisicamente comparáveis de refletância de superfície, o pesquisador deve verificar o nível de processamento do produto baixado e aplicar o procedimento radiométrico e atmosférico compatível com sua metodologia.
Dependendo da aplicação, podem ser empregados modelos de transferência radiativa, métodos empíricos como Dark Object Subtraction — DOS — ou outros procedimentos cientificamente validados. A metodologia deve ser documentada para permitir a reprodutibilidade das séries temporais e dos índices espectrais.
5. Engenharia espacial, órbita e infraestrutura de solo
O CBERS-4 foi lançado com sucesso em 7 de dezembro de 2014, a partir do Centro de Lançamento de Satélites de Taiyuan, na província de Shanxi, China. O veículo lançador utilizado foi o Longa Marcha 4B.
O satélite possui massa total aproximada de 2.080 kg, potência gerada de aproximadamente 2.300 W e vida útil originalmente projetada de três anos. Sua órbita de observação da Terra está situada a aproximadamente 778 km de altitude.
Controle compartilhado entre Brasil e China
O controle do satélite é compartilhado pelos dois países. Segundo o INPE, a responsabilidade pelas manobras e atividades rotineiras é transferida entre Brasil e China em períodos de aproximadamente dez meses.
Mesmo quando um país está formalmente responsável pelo controle, a outra equipe acompanha diariamente as operações. Em situações de emergência, os centros técnicos podem coordenar o envio de comandos ao satélite.
Segmento de solo brasileiro
No Brasil, o Centro de Rastreio e Controle de Satélites — CRC — participa da operação da missão. A infraestrutura de controle inclui o Centro de Controle de Satélites em São José dos Campos e estações terrenas como Cuiabá, em Mato Grosso, e Alcântara, no Maranhão.
A estação de Cuiabá também desempenha historicamente papel estratégico na recepção de dados de missões de observação da Terra, enquanto a infraestrutura de processamento e missão do INPE converte os sinais adquiridos em produtos utilizados pela sociedade.
Cargas úteis complementares
Além das quatro câmeras imageadoras, o conjunto de cargas úteis do CBERS-3/4 inclui equipamentos como:
- Gravador Digital de Dados — DDR;
- Sistema de Coleta de Dados — DCS;
- Monitor do Ambiente Espacial — SEM;
- transmissores responsáveis pelo envio dos dados das câmeras.
6. Instrumentos imageadores do CBERS-4
O CBERS-4 transporta quatro sistemas ópticos principais. As câmeras MUX e WFI são de responsabilidade brasileira, enquanto PAN e IRS são de responsabilidade chinesa.
Câmera Multiespectral Regular — MUX
A MUX possui resolução espacial de 20 metros e faixa imageada de aproximadamente 120 km. Opera em quatro bandas espectrais:
- B05 — Azul: 0,45 a 0,52 µm;
- B06 — Verde: 0,52 a 0,59 µm;
- B07 — Vermelho: 0,63 a 0,69 µm;
- B08 — Infravermelho próximo: 0,77 a 0,89 µm.
A revisita nominal é de aproximadamente 26 dias e a taxa bruta de dados informada pelo INPE é de aproximadamente 68 Mbit/s.
A combinação de bandas torna a MUX adequada à análise da cobertura vegetal, corpos d’água, uso e ocupação do solo, agricultura e outras aplicações de sensoriamento remoto regional.
Câmera de Campo Largo — WFI
A WFI possui resolução espacial de aproximadamente 64 metros no CBERS-4 e uma ampla faixa imageada de cerca de 866 km.
Opera em quatro bandas do azul ao infravermelho próximo e apresenta revisita de aproximadamente cinco dias, característica especialmente relevante para monitoramentos que exigem alta frequência temporal.
A WFI tornou-se uma fonte importante de dados para programas de monitoramento ambiental, inclusive o sistema DETER-B do INPE.
Câmera Pancromática e Multiespectral — PAN
A PAN possui uma banda pancromática com resolução de 5 metros e bandas multiespectrais com resolução de 10 metros.
Sua faixa imageada é de aproximadamente 60 km. O sistema dispõe de capacidade de apontamento lateral de até ±32°, permitindo antecipar a observação de determinados alvos em relação ao ciclo orbital estritamente vertical.
O ciclo nominal é de aproximadamente 52 dias, mas a capacidade de visada lateral possibilita oportunidades de revisita mais frequentes, podendo chegar a aproximadamente cinco dias em condições adequadas de apontamento.
Sua maior resolução espacial favorece aplicações como análise urbana, infraestrutura, cartografia temática e avaliação detalhada da ocupação territorial.
Imageador Multiespectral e Termal — IRS
O IRS reúne bandas pancromática, de infravermelho de ondas curtas — SWIR — e termal. Segundo as especificações do INPE, apresenta resolução espacial de aproximadamente 40 metros nas bandas não termais e 80 metros na banda termal.
A faixa imageada é de aproximadamente 120 km. Sua cobertura espectral amplia as possibilidades de estudos geológicos, térmicos, ambientais e de caracterização da superfície terrestre.
| Parâmetro | MUX | WFI | PAN | IRS |
|---|---|---|---|---|
| Responsabilidade | Brasil | Brasil | China | China |
| Resolução espacial | 20 m | 64 m | 5 m PAN / 10 m multi | 40 m / 80 m termal |
| Faixa imageada | 120 km | 866 km | 60 km | 120 km |
| Revisita | 26 dias | 5 dias | 52 dias nominal; menor com apontamento | 26 dias |
| Faixas espectrais | Visível + NIR | Visível + NIR | PAN + visível + NIR | PAN + SWIR + termal |
| Uso característico | Vegetação, água e uso do solo | Monitoramento frequente | Detalhamento territorial | Análise espectral e térmica |
7. Aplicações estratégicas e governança ambiental
Os dados do Programa CBERS são utilizados em atividades relacionadas ao monitoramento de desmatamento e queimadas, recursos hídricos, agricultura, expansão urbana, ocupação do solo, educação, pesquisa científica e gestão territorial.
DETER
O Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Quase-Real — DETER — utiliza imagens de sensoriamento remoto para produzir alertas destinados a apoiar a fiscalização ambiental.
O INPE documenta o uso de imagens da WFI do CBERS-4, com resolução espacial próxima de 64 metros, no desenvolvimento e operação do DETER-B. A alta frequência temporal é particularmente útil para localizar alterações recentes na cobertura vegetal.
PRODES
O Programa de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite — PRODES — produz o mapeamento anual consolidado do desmatamento.
Recursos hídricos
A resposta espectral no infravermelho próximo favorece a distinção entre água, solo e vegetação. As imagens podem apoiar estudos sobre reservatórios, alterações de margens, áreas inundadas, bacias hidrográficas e mudanças sazonais no uso dos recursos hídricos.
Agricultura
Séries temporais de imagens podem contribuir para identificação de áreas cultivadas, análise da expansão agrícola, acompanhamento do desenvolvimento vegetativo e planejamento territorial do agronegócio.
Órgãos públicos, universidades e entidades do setor agropecuário podem combinar os produtos CBERS com outras missões orbitais para ampliar a frequência de observação e a disponibilidade de imagens sem nuvens.
Planejamento urbano e infraestrutura
A resolução de 5 metros da banda pancromática da PAN permite observar com maior detalhe áreas urbanizadas, eixos de infraestrutura e mudanças na ocupação do território, apoiando estudos municipais e regionais.
Gestão de grandes desastres
O INPE integra a International Charter Space and Major Disasters, cooperação internacional voltada ao fornecimento de imagens orbitais para situações de emergência.
As missões CBERS-4, CBERS-04A e Amazonia-1 já foram utilizadas pelo Brasil no atendimento a ativações da Carta relacionadas a enchentes, ciclones, terremotos, deslizamentos, incêndios e outros eventos críticos.
Entre outubro de 2024 e abril de 2025, período em que o INPE exerceu a liderança da iniciativa, o Instituto informou ter disponibilizado centenas de imagens provenientes dessas missões para apoiar respostas a desastres em diversos países.
8. Evolução tecnológica: CBERS-04A e Amazonia-1
CBERS-04A
O CBERS-04A foi lançado em 20 de dezembro de 2019, também a partir do Centro de Lançamento de Taiyuan e utilizando o foguete Longa Marcha 4B.
A missão passou a operar a aproximadamente 628,6 km de altitude, abaixo dos 778 km do CBERS-4. A configuração também introduziu a câmera chinesa WPM, capaz de fornecer imagens pancromáticas de 2 metros e multiespectrais de 8 metros.
A MUX do CBERS-04A apresenta resolução espacial de aproximadamente 16,5 metros e a WFI, aproximadamente 55 metros.
| Parâmetro | CBERS-4 | CBERS-04A |
|---|---|---|
| Altitude aproximada | 778 km | 628,6 km |
| MUX | 20 m / 120 km | 16,5 m / 95 km |
| WFI | 64 m / 866 km | 55 m / 684 km |
| Alta resolução chinesa | PAN — 5 m PAN / 10 m multi | WPM — 2 m PAN / 8 m multi |
| Vida útil projetada | 3 anos | 5 anos |
O INPE informa que o custo total do lançamento do CBERS-04A foi de cerca de US$ 30 milhões, dividido igualmente entre Brasil e China, representando aproximadamente US$ 15 milhões para o lado brasileiro. A missão como um todo envolveu outros investimentos de desenvolvimento, infraestrutura e aplicações.
Amazonia-1
O Amazonia-1 representa um marco adicional da capacidade espacial nacional. É descrito pelo INPE como o primeiro satélite de observação da Terra completamente projetado, integrado, testado e operado pelo Brasil.
Seu imageador WFI possui resolução espacial informada pelo INPE de aproximadamente 60 metros, faixa imageada da ordem de 850 km e capacidade de revisita aproximada de cinco dias.
Uma constelação virtual de observação
O uso coordenado de CBERS-4, CBERS-04A, Amazonia-1 e missões internacionais aumenta a disponibilidade temporal de observações e a possibilidade de obter cenas úteis em regiões tropicais sujeitas a cobertura persistente de nuvens.
A expressão “constelação virtual” é útil para descrever essa complementaridade, mas não significa que os satélites operem como uma constelação física rigidamente sincronizada. A frequência efetiva de obtenção de uma imagem útil depende de órbita, programação, sensor, cobertura de nuvens e área pesquisada.
CBERS, Landsat e Sentinel
Dados das missões Landsat, Sentinel e CBERS podem ser utilizados de forma complementar. Landsat e Sentinel disponibilizam séries globais amplamente utilizadas em processamento científico, enquanto o Programa CBERS proporciona ao Brasil capacidade própria de programação, operação e desenvolvimento de missões de observação da Terra.
Essa autonomia possui valor estratégico porque permite ao país desenvolver tecnologia espacial, operar seus próprios ativos, definir prioridades de imageamento e manter uma infraestrutura pública nacional de dados orbitais.
9. Recomendações para utilização das imagens CBERS-4
1. Identifique primeiro o produto realmente necessário
Antes de baixar as cenas, defina a resolução espacial, período, banda espectral, nível de processamento e precisão geométrica exigidos pelo projeto. Isso evita processamentos desnecessários e reduz o volume de dados.
2. Diferencie DN, radiância e refletância
Um produto identificado como DN não corresponde automaticamente à refletância de superfície. Para aplicações quantitativas — como comparação temporal de NDVI ou outras métricas espectrais — é fundamental estabelecer uma cadeia de calibração e correção consistente.
3. Documente a correção atmosférica
Caso seja necessária refletância de superfície, utilize metodologia tecnicamente adequada ao sensor e à finalidade do trabalho, documentando os parâmetros, algoritmos e dados auxiliares empregados.
4. Combine resolução temporal e espacial
Uma estratégia eficiente consiste em utilizar sensores de ampla cobertura e alta revisita, como a WFI, para localização rápida de alterações, e sensores de maior detalhamento, como MUX ou PAN, para caracterização mais precisa do alvo.
5. Utilize múltiplas missões quando necessário
Para monitoramento ambiental, agrícola ou urbano, a integração de imagens CBERS com Amazonia-1, Landsat, Sentinel e outras fontes pode reduzir lacunas temporais e melhorar a disponibilidade de cenas utilizáveis.
6. Priorize a infraestrutura atual do INPE
Usuários que mantêm rotinas construídas exclusivamente sobre o serviço histórico do CBERS-4 devem avaliar a migração para os serviços atuais de distribuição do INPE, que centralizam produtos modernos e novas aquisições das missões de observação da Terra.
- Defina o período e a área geográfica do estudo.
- Escolha o sensor adequado à resolução desejada.
- Verifique percentual de nuvens e qualidade visual da cena.
- Confirme o nível de processamento.
- Baixe e preserve os metadados junto com as bandas.
- Registre o método de calibração e processamento aplicado.
- Utilize o sistema oficial do INPE como referência primária dos produtos.
- Em séries temporais, mantenha metodologia consistente entre as datas.
10. Relevância estratégica para o Brasil
O CBERS-4 representa um dos resultados mais duradouros da cooperação espacial sino-brasileira. Além das imagens produzidas, a missão contribuiu para o desenvolvimento da indústria espacial brasileira, formação de especialistas, aprimoramento do segmento de solo e consolidação da capacidade nacional de operar satélites de observação da Terra.
A gratuidade dos dados reduz barreiras econômicas de acesso ao sensoriamento remoto e permite que universidades, empresas, órgãos ambientais, municípios e pesquisadores utilizem informações orbitais sem depender exclusivamente da contratação de imagens comerciais.
Essa política de dados abertos também fortalece sistemas de monitoramento ambiental, amplia a capacidade científica do país e favorece o desenvolvimento de soluções privadas baseadas em geoinformação.
A continuidade operacional do CBERS-4 por período muito superior aos três anos inicialmente projetados demonstra, ainda, a relevância da manutenção de infraestrutura de controle, recepção, processamento e distribuição de dados espaciais em território nacional.
Fontes consultadas
- Gov.br — Obter imagens de sensoriamento remoto da Terra geradas pelo satélite CBERS-4 .
- Gov.br — Serviço integrado de imagens CBERS-4, CBERS-04A e Amazonia-1 .
- INPE — Dados Geoespaciais: Satélite CBERS-4 .
- INPE — Câmeras Imageadoras dos satélites CBERS-3 e CBERS-4 .
- INPE — Perguntas Frequentes sobre o Programa CBERS .
- INPE — Segmento de controle dos satélites CBERS .
- INPE — DETER .
- INPE — Programa CBERS .
- INPE — Câmeras Imageadoras do CBERS-04A .
- INPE — Lançamento do CBERS-04A .
- INPE — Características do satélite Amazonia-1 .
- INPE — Carta Internacional Espaço e Grandes Desastres .
- INPE — Custo da missão e do lançamento do CBERS-04A .
Observação: este conteúdo possui caráter informativo e técnico. Serviços digitais, endereços eletrônicos, procedimentos de acesso, interfaces e especificações disponibilizadas pelos órgãos públicos podem ser atualizados. Para uso científico, operacional ou institucional, consulte sempre os metadados do produto e as páginas oficiais do INPE.
