Certificação de Compartimento Avícola no Brasil

Diretrizes regulatórias, procedimentos de adesão, vigilância sanitária e impacto estratégico da compartimentação avícola para a continuidade do comércio internacional.

Visão Geral

A compartimentação avícola é um instrumento avançado de defesa sanitária, estruturado conforme diretrizes da Organização Mundial de Saúde Animal – OMSA, antiga OIE. O modelo permite reconhecer uma subpopulação animal mantida sob sistema comum de biosseguridade, rastreabilidade e vigilância, com estatuto sanitário específico para Influenza Aviária ( IA ) e Doença de Newcastle – DNC.

Na prática, a certificação permite que unidades altamente controladas mantenham sua condição sanitária reconhecida, mesmo diante de emergências sanitárias em outras regiões do país, desde que o compartimento certificado continue cumprindo os requisitos oficiais.

Validação regulatória: o ato central aplicável à compartimentação avícola é a Instrução Normativa SDA nº 21, de 21 de outubro de 2014, alterada pela Instrução Normativa SDA nº 18, de 9 de junho de 2017. A referência a “IN SDA nº 21/2016” foi ajustada para “IN SDA nº 21/2014”.

Evolução Histórica e Base Regulatória

O Brasil foi pioneiro na estruturação de um modelo regulatório específico para compartimentação avícola. O desenvolvimento do sistema envolveu o Ministério da Agricultura e Pecuária – MAPA, o Serviço Veterinário Oficial – SVO, órgãos estaduais de defesa sanitária e empresas do setor avícola.

Empresa Integrante do PilotoLocalizaçãoEscopo Zoossanitário
BRF S.A.Mato Grosso — MTAvaliação de biosseguridade em matrizes e produção comercial.
Seara Alimentos — JBSItapiranga — SCFechamento de ciclo produtivo geográfico na avicultura de corte.
Cobb-Vantress BrasilMS, SP e MGPreservação de material genético e linhas puras de alta genética.
Ato RegulatórioDataAplicação
IN MAPA nº 21/201402/07/2014Regulamenta registro genealógico de animais domésticos.
IN SDA nº 21/201421/10/2014Estabelece normas técnicas para certificação sanitária da compartimentação da cadeia produtiva avícola para IA e DNC.
IN SDA nº 18/201709/06/2017Altera a IN SDA nº 21/2014, especialmente sobre adesão, registro de unidades, vigilância e validade do certificado.

Principais Alterações da IN SDA nº 18/2017

Artigo AlteradoAlteraçãoImpacto Operacional
Art. 2ºNovo modelo de Termo de Adesão e Compromisso.Padroniza a responsabilidade formal do representante legal.
Art. 6ºObrigatoriedade de registro das granjas, incubatórios, fábricas de ração e abatedouros.Vincula todas as unidades ao órgão sanitário competente.
Art. 13ºPrimeira vigilância epidemiológica com coleta amostral sob coordenação do SVO.Confirmação oficial do status sanitário inicial.
Art. 14ºCertificação condicionada ao atendimento integral dos requisitos e resultados laboratoriais negativos.Impede certificação com pendências críticas.
ValidadeCertificado sanitário com validade de 2 anos.A renovação deve ser planejada antes do vencimento.

Arquitetura Estrutural do Compartimento

O compartimento avícola é organizado por unidades de produção e unidades funcionais associadas. Essa separação permite controle de fluxo, rastreabilidade e mitigação de riscos sanitários.

CategoriaInstalações AbrangidasRequisitos
Unidade de Produção — U.P.Granjas de bisavós, avós, matrizes, incubatórios e granjas de frangos de corte.Cercas, barreiras, controle de acesso, fluxo segregado, biosseguridade e, quando aplicável, ar filtrado.
Unidade Funcional Associada — U.F.A.Fábricas de ração, abatedouros, fábricas de material para cama e forração de ninhos.Segregação de insumos, higienização de veículos, tratamento térmico, controle de embalagens e rastreabilidade.

O caso da unidade da Seara Alimentos em Itapiranga — SC ilustra a lógica do sistema fechado: ovos, pintainhos, rações e aves terminadas circulam dentro do compartimento, reduzindo a exposição a fontes externas de risco.

Processo de Certificação

O serviço de emissão e renovação do Certificado Sanitário de Compartimento Avícola é gratuito e tramita pelo Sistema Eletrônico de Informações — SEI/MAPA.

EtapaCanalTempo / DuraçãoRequisitos Críticos
1. Entrega da documentaçãoWeb — Peticionamento Eletrônico SEI/MAPASubmissão eletrônicaAbrir processo do tipo “Saúde Animal: Certificação de Compartimento Avícola”.
2. Vistoria / auditoriaPresencial ou webConforme agendamentoAvaliação pelo SVO dos requisitos da IN SDA nº 21/2014.
3. Vigilância epidemiológicaPresencialConforme programação oficialColeta de amostras e emissão do Termo de Colheita.
4. Emissão do certificadoWeb — mesmo processo SEIApós análise e homologaçãoResultados laboratoriais negativos para IA e DNC.
O número do certificado sanitário vigente deve constar nos documentos sanitários aplicáveis, como GTA e Boletim Sanitário, conforme orientações oficiais de trânsito e inspeção.

Documentos e Planejamento Técnico

  • Termo de Adesão e Compromisso: assinado pelo representante legal no Brasil.
  • Relação das Unidades do Compartimento: U.P.s e U.F.A.s com registros no MAPA e nos órgãos estaduais.
  • Equipe de Gestão Sanitária: profissionais responsáveis, contatos e declaração de supervisão ativa.
  • Plano de Rastreabilidade: aves, ovos férteis, rações, carnes, resíduos, cama de aviário e materiais de incubatório.
  • Plano de Contingência Zoossanitária: resposta a suspeita ou confirmação de IA ou DNC.
  • Cartografia e Geolocalização: mapas e coordenadas dos componentes do compartimento.
  • Estudo de Avifauna Silvestre: espécies residentes, rotas migratórias e sítios de parada.
  • Programa de Capacitação: treinamento periódico em biosseguridade.
  • Memorial Descritivo e POPs: rotinas sanitárias e operacionais.
  • Cadastro de Propriedades Adjacentes: criações de subsistência de aves e suínos em raio periférico de até 1 km.

Vigilância Epidemiológica e Fluxo Sanitário

A manutenção do status livre depende de vigilância ativa e passiva, conduzida pelo MAPA, órgãos estaduais de defesa sanitária e setor privado.

[ Setor Privado ] — Supervisão diária e POPs –> [ Amostragem ativa pelo SVO ]
        |
        v
[ Envio de amostras oficiais ] –> [ LFDA Campinas/SP ]
        |
        v
[ Resultados laboratoriais ] –> [ SIGEP / e-Sisbravet / SEI ] –> [ Emissão ou renovação do certificado ]

Os dados de vigilância e cadastro são inseridos em sistemas oficiais, como SIGEP ou outro sistema definido pelo MAPA. Casos suspeitos ou prováveis de IA e DNC devem ser comunicados imediatamente pelo e-Sisbravet.

Impacto Econômico e Comércio Internacional

A compartimentação exige investimentos relevantes em infraestrutura, isolamento, controle de acesso, monitoramento do entorno, rastreabilidade e capacitação. Apesar disso, funciona como instrumento estratégico de continuidade comercial.

A primeira detecção de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade em aves silvestres no Brasil ocorreu em 15 de maio de 2023. Como os registros ocorreram fora da avicultura comercial, o Brasil manteve sua condição sanitária para fins de comércio internacional de produtos avícolas.

Empresas de genética, como a Cobb-Vantress Brasil, utilizam a certificação para proteger o fluxo internacional de ovos férteis e pintos de um dia, inclusive em cenários de maior pressão sanitária global.

Compartimentos Avícolas Certificados pelo MAPA

Conforme informação pública do MAPA, existem atualmente 8 compartimentos certificados para IA e DNC.

TitularCategoriaAtividade / Diferencial
AVIAGEN — BISAVÓSReproduçãoPreservação de linhagens puras de bisavós.
AVIAGEN — AVÓS/SPReproduçãoMultiplicação de avós no Estado de São Paulo.
AVIAGEN — AVÓS MG/GOReproduçãoProdução genética em Minas Gerais e Goiás.
COBB-VANTRESS BRASILReproduçãoAlta genética e validação internacional.
LAYER GENETICS BRASIL LTDA.ReproduçãoGenética para aves de postura comercial.
HENDRIX GENETICSReproduçãoGenética de postura livre de IA e DNC.
AGROGEN DESENVOLVIMENTO GENÉTICO S.A.ReproduçãoMultiplicação de matrizes sob protocolos rigorosos.
VALO BIOMEDIA DO BRASIL PRODUÇÃO DE OVOS LTDA.ReproduçãoProdução de ovos SPF para diagnóstico, pesquisa e vacinas.

Canais de Suporte Técnico

Coordenação:
COSAV/CGPS/DSA/SDA/MAPA
E-mail:
pnsa@agro.gov.br
Endereço:
Esplanada dos Ministérios, Bloco D, Anexo A, Sala 312, Brasília/DF, CEP 70.043-900
Telefones:
(61) 3218-2782 / (61) 3218-2638

Pontos Focais SFA / PNSA informados

UFPonto FocalE-mailTelefone
ACCleonice Lermen dos Santossisa.sfa-ac@agro.gov.br(68) 3212-1300
ALSonia Luisa Silva Lagessisa.al@agro.gov.br(82) 3215-4724
APFrancisco Caninde da Silvasisa.sfa-ap@agro.gov.br(96) 3223-3075
AMKatia Martins Baptistellasisa.sfa-am@agro.gov.br(92) 3133-0080
BAMárcia H. C. Moreira Alvessisa.ba@agro.gov.br(71) 3444-7417
CECícero Temístocles Costasisa.ce@agro.gov.br(85) 3218-2700
DFDiego Rodrigues Souzasisa.sfa-df@agro.gov.br(61) 3329-7108
ESLetícia Meireles Alvessisa-es@agro.gov.br(27) 3137-2732
GOCleverson Santos Acyprestesisa.sfa-go@agro.gov.br(62) 3221-7292
MARoberto Carlos N. de Arrudasisa-ma@agro.gov.br(98) 3131-3415
MGDenise de Magalhães Viegaspnsa.sfa-mg@agro.gov.br(31) 2101-6213
MSPriscila Nogueira Ferraz Pereirapnsa.sfa-ms@agro.gov.br(67) 3041-9353
MTReini Braga Moreirasisa.sfa-mt@agro.gov.br(65) 3688-6709
PAKatherine S. B. Fragosopnsa.pa@agro.gov.br(91) 3222-1200

Precisa de apoio para regularização, certificação ou organização documental?

O Direto Legaliza auxilia empresas na leitura regulatória, organização de documentos, análise de exigências e acompanhamento de processos administrativos junto aos órgãos competentes.

Falar com o Direto Legaliza

Fontes Consultadas