Imagens do Satélite CBERS-4 no INPE

INPE • CBERS-4 • Sensoriamento remoto

Imagens do Satélite CBERS-4 no INPE: Serviço Público, Catálogo e Aplicações

Análise técnica e operacional do serviço público de acesso às imagens do satélite sino-brasileiro CBERS-4, incluindo funcionamento do Catálogo de Imagens do INPE, sensores MUX, WFI, PAN e IRS, níveis de processamento, aplicações ambientais e evolução para o CBERS-04A e Amazonia-1.

Acesso gratuito INPE CBERS-4 MUX WFI PAN IRS Dados geoespaciais
Resumo direto: o INPE disponibiliza gratuitamente imagens do satélite CBERS-4 para qualquer pessoa interessada. O serviço específico existente no Portal Gov.br reúne o acervo obtido entre 1º de janeiro de 2015 e 9 de maio de 2022. As aquisições posteriores passaram a ser tratadas no serviço integrado de imagens dos satélites brasileiros de observação da Terra. O CBERS-4 continua operacional e o INPE mantém infraestrutura moderna de distribuição de seus produtos geoespaciais.
Gratuito Sem custo para obtenção das imagens.
Até 24 h Prazo estimado indicado pelo serviço Gov.br.
4 sensores MUX, WFI, PAN e IRS no CBERS-4.
2014 Lançamento do CBERS-4 em 7 de dezembro.

1. Contexto institucional e fundamentação do serviço público

O serviço público denominado “Obter imagens de sensoriamento remoto da Terra geradas pelo satélite CBERS-4”, disponibilizado no Portal Gov.br, integra a infraestrutura brasileira de acesso a dados de observação da Terra. A operação e a distribuição dos dados são realizadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais — INPE, unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação — MCTI.

O CBERS-4 faz parte do Programa Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres — China-Brazil Earth Resources Satellite. O acordo internacional que deu origem ao Programa CBERS foi firmado em 6 de julho de 1988, estabelecendo uma cooperação de longo prazo entre Brasil e China no desenvolvimento de satélites de sensoriamento remoto.

Nas missões CBERS-1, CBERS-2 e CBERS-2B, a participação brasileira correspondia a aproximadamente 30% dos investimentos, enquanto a parcela chinesa representava cerca de 70%. Nos satélites CBERS-3, CBERS-4 e CBERS-04A, a divisão passou a ser de 50% para cada país.

No Brasil, participam do programa o INPE, a Agência Espacial Brasileira — AEB — e a indústria nacional. Do lado chinês, figuram instituições como a China Academy of Space Technology — CAST — e a China National Space Administration — CNSA, além das estruturas chinesas responsáveis por aplicações e controle.

Política de acesso: de acordo com o Portal Gov.br, as imagens distribuídas por esse serviço são fornecidas sem restrições de uso e sem custos, podendo ser obtidas por qualquer pessoa interessada.

Recorte histórico do serviço

O serviço específico dedicado ao CBERS-4 no Portal Gov.br abrange as imagens adquiridas desde o início de sua fase operacional, em 1º de janeiro de 2015, até 9 de maio de 2022.

As imagens adquiridas a partir de 10 de maio de 2022 passaram a ser disponibilizadas pelo serviço integrado do INPE voltado aos satélites brasileiros de observação da Terra, abrangendo o CBERS-4, CBERS-04A e Amazonia-1.

Importante em 2026: essa alteração de serviço não significa que o CBERS-4 tenha encerrado suas operações. A infraestrutura geoespacial atual do INPE possui produtos do CBERS-4 adquiridos inclusive em 2026, demonstrando a continuidade da missão muito além da vida útil originalmente projetada.

A disponibilidade contínua dessas imagens contribui para a autonomia brasileira em observação da Terra, reduz a dependência exclusiva de provedores comerciais e fornece dados para pesquisa científica, monitoramento ambiental, planejamento territorial, agricultura, hidrologia, prevenção de desastres e inúmeras outras aplicações públicas e privadas.

2. Procedimentos operacionais e fluxo de atendimento

A solicitação é realizada digitalmente por meio da infraestrutura de catálogo e distribuição de imagens do INPE. O interessado pesquisa as cenas disponíveis, aplica filtros e seleciona os produtos desejados.

1

Cadastro no repositório

O usuário realiza cadastro informando endereço de e-mail válido e criando suas credenciais de acesso. O Portal Gov.br classifica esta etapa como de atendimento imediato.

2

Pesquisa e seleção das imagens

O interessado utiliza critérios de busca como sensor, área geográfica e intervalo de tempo para localizar as cenas correspondentes ao estudo ou projeto. As imagens desejadas podem ser adicionadas ao carrinho.

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Download dos produtos

As imagens selecionadas são disponibilizadas para download. Conforme a modalidade do serviço e o fluxo utilizado, o usuário pode receber por e-mail as informações ou links necessários para acesso aos arquivos.

Etapa Procedimento Canal Tempo informado
Cadastro Registro do usuário com e-mail válido e credenciais de acesso. Web Imediato
Pesquisa e seleção Busca por sensor, área e período e seleção das imagens de interesse. Web Imediato
Disponibilização Acesso aos arquivos solicitados para download. Web / e-mail, conforme o fluxo Serviço estimado em até 24 horas

Quem pode utilizar?

O serviço é aberto a qualquer pessoa interessada: pesquisadores, estudantes, empresas privadas, órgãos governamentais, consultorias ambientais, profissionais de geoprocessamento, municípios e demais usuários de dados geoespaciais.

Suporte e atendimento

Para o serviço histórico do CBERS-4, o Portal Gov.br informa o endereço atus@inpe.br. Para a distribuição integrada dos satélites de observação da Terra, o portal também divulga o canal cienciasdaterra@inpe.br.

A prestação dos serviços públicos deve observar os princípios e direitos previstos na Lei nº 13.460/2017. Manifestações de ouvidoria, reclamações, solicitações, sugestões ou denúncias relacionadas aos órgãos federais podem ser apresentadas pelos canais oficiais do Governo Federal, incluindo a plataforma Fala.BR.

Também devem ser observadas as normas brasileiras de atendimento prioritário, inclusive aquelas destinadas às pessoas com deficiência, pessoas idosas, gestantes, lactantes, pessoas com crianças de colo e demais grupos contemplados pela legislação vigente.

3. Produtos digitais, níveis de processamento e formatos

O INPE mantém produtos CBERS-4 em diferentes níveis de processamento. Na infraestrutura atual de dados geoespaciais é possível encontrar, entre outros, produtos identificados como Level-2-DN e Level-4-DN.

Nível 2 — L2

Produto em número digital — DN — submetido a correções radiométricas e geométricas utilizando dados de efemérides, atitude e informações da aquisição do satélite.

Nível 4 — L4

Produto derivado do nível 2 e submetido à ortorretificação, permitindo melhor posicionamento geométrico para integração com outras informações cartográficas e geoespaciais.

Na infraestrutura STAC do INPE, os ativos das cenas podem incluir arquivos GeoTIFF correspondentes às bandas espectrais, metadados XML e imagens de visualização rápida.

Atenção ao tipo de dado: produtos indicados como DN representam números digitais e não devem ser confundidos automaticamente com produtos de refletância de superfície — BOA. O nível de processamento necessário depende do objetivo científico ou operacional do usuário.

Metadados

Os metadados são fundamentais para identificar características de cada cena, como data e horário da aquisição, sensor, órbita, posicionamento geográfico, bandas, processamento e outros parâmetros necessários ao uso técnico do produto.

4. Interfaces alternativas e processamento externo

Além dos portais oficiais do INPE, imagens CBERS podem aparecer em aplicações, bibliotecas, serviços de nuvem e visualizadores mantidos por terceiros. Essas ferramentas podem facilitar a inspeção rápida de cenas, composição de bandas ou integração com fluxos automatizados de geoprocessamento.

Uso de plataformas de terceiros: a disponibilidade de determinada missão, sensor, nível de processamento ou funcionalidade pode mudar ao longo do tempo. Para obtenção do produto oficial e conferência de metadados, recomenda-se utilizar como referência primária os serviços do INPE.

Composições espectrais

Na câmera MUX, uma composição de cor natural pode ser formada utilizando as bandas do vermelho, verde e azul — B07, B06 e B05. Já combinações envolvendo a banda B08, no infravermelho próximo, são particularmente úteis para análise de vegetação.

Correção atmosférica

Quando o objetivo exige valores fisicamente comparáveis de refletância de superfície, o pesquisador deve verificar o nível de processamento do produto baixado e aplicar o procedimento radiométrico e atmosférico compatível com sua metodologia.

Dependendo da aplicação, podem ser empregados modelos de transferência radiativa, métodos empíricos como Dark Object Subtraction — DOS — ou outros procedimentos cientificamente validados. A metodologia deve ser documentada para permitir a reprodutibilidade das séries temporais e dos índices espectrais.

5. Engenharia espacial, órbita e infraestrutura de solo

O CBERS-4 foi lançado com sucesso em 7 de dezembro de 2014, a partir do Centro de Lançamento de Satélites de Taiyuan, na província de Shanxi, China. O veículo lançador utilizado foi o Longa Marcha 4B.

O satélite possui massa total aproximada de 2.080 kg, potência gerada de aproximadamente 2.300 W e vida útil originalmente projetada de três anos. Sua órbita de observação da Terra está situada a aproximadamente 778 km de altitude.

A missão superou amplamente a vida útil de projeto: o INPE mantém registros e produtos do CBERS-4 em 2026, mais de onze anos depois do lançamento.

Controle compartilhado entre Brasil e China

O controle do satélite é compartilhado pelos dois países. Segundo o INPE, a responsabilidade pelas manobras e atividades rotineiras é transferida entre Brasil e China em períodos de aproximadamente dez meses.

Mesmo quando um país está formalmente responsável pelo controle, a outra equipe acompanha diariamente as operações. Em situações de emergência, os centros técnicos podem coordenar o envio de comandos ao satélite.

Segmento de solo brasileiro

No Brasil, o Centro de Rastreio e Controle de Satélites — CRC — participa da operação da missão. A infraestrutura de controle inclui o Centro de Controle de Satélites em São José dos Campos e estações terrenas como Cuiabá, em Mato Grosso, e Alcântara, no Maranhão.

A estação de Cuiabá também desempenha historicamente papel estratégico na recepção de dados de missões de observação da Terra, enquanto a infraestrutura de processamento e missão do INPE converte os sinais adquiridos em produtos utilizados pela sociedade.

Cargas úteis complementares

Além das quatro câmeras imageadoras, o conjunto de cargas úteis do CBERS-3/4 inclui equipamentos como:

  • Gravador Digital de Dados — DDR;
  • Sistema de Coleta de Dados — DCS;
  • Monitor do Ambiente Espacial — SEM;
  • transmissores responsáveis pelo envio dos dados das câmeras.

6. Instrumentos imageadores do CBERS-4

O CBERS-4 transporta quatro sistemas ópticos principais. As câmeras MUX e WFI são de responsabilidade brasileira, enquanto PAN e IRS são de responsabilidade chinesa.

Câmera Multiespectral Regular — MUX

A MUX possui resolução espacial de 20 metros e faixa imageada de aproximadamente 120 km. Opera em quatro bandas espectrais:

  • B05 — Azul: 0,45 a 0,52 µm;
  • B06 — Verde: 0,52 a 0,59 µm;
  • B07 — Vermelho: 0,63 a 0,69 µm;
  • B08 — Infravermelho próximo: 0,77 a 0,89 µm.

A revisita nominal é de aproximadamente 26 dias e a taxa bruta de dados informada pelo INPE é de aproximadamente 68 Mbit/s.

A combinação de bandas torna a MUX adequada à análise da cobertura vegetal, corpos d’água, uso e ocupação do solo, agricultura e outras aplicações de sensoriamento remoto regional.

Câmera de Campo Largo — WFI

A WFI possui resolução espacial de aproximadamente 64 metros no CBERS-4 e uma ampla faixa imageada de cerca de 866 km.

Opera em quatro bandas do azul ao infravermelho próximo e apresenta revisita de aproximadamente cinco dias, característica especialmente relevante para monitoramentos que exigem alta frequência temporal.

A WFI tornou-se uma fonte importante de dados para programas de monitoramento ambiental, inclusive o sistema DETER-B do INPE.

Câmera Pancromática e Multiespectral — PAN

A PAN possui uma banda pancromática com resolução de 5 metros e bandas multiespectrais com resolução de 10 metros.

Sua faixa imageada é de aproximadamente 60 km. O sistema dispõe de capacidade de apontamento lateral de até ±32°, permitindo antecipar a observação de determinados alvos em relação ao ciclo orbital estritamente vertical.

O ciclo nominal é de aproximadamente 52 dias, mas a capacidade de visada lateral possibilita oportunidades de revisita mais frequentes, podendo chegar a aproximadamente cinco dias em condições adequadas de apontamento.

Sua maior resolução espacial favorece aplicações como análise urbana, infraestrutura, cartografia temática e avaliação detalhada da ocupação territorial.

Imageador Multiespectral e Termal — IRS

O IRS reúne bandas pancromática, de infravermelho de ondas curtas — SWIR — e termal. Segundo as especificações do INPE, apresenta resolução espacial de aproximadamente 40 metros nas bandas não termais e 80 metros na banda termal.

A faixa imageada é de aproximadamente 120 km. Sua cobertura espectral amplia as possibilidades de estudos geológicos, térmicos, ambientais e de caracterização da superfície terrestre.

Parâmetro MUX WFI PAN IRS
Responsabilidade Brasil Brasil China China
Resolução espacial 20 m 64 m 5 m PAN / 10 m multi 40 m / 80 m termal
Faixa imageada 120 km 866 km 60 km 120 km
Revisita 26 dias 5 dias 52 dias nominal; menor com apontamento 26 dias
Faixas espectrais Visível + NIR Visível + NIR PAN + visível + NIR PAN + SWIR + termal
Uso característico Vegetação, água e uso do solo Monitoramento frequente Detalhamento territorial Análise espectral e térmica

7. Aplicações estratégicas e governança ambiental

Os dados do Programa CBERS são utilizados em atividades relacionadas ao monitoramento de desmatamento e queimadas, recursos hídricos, agricultura, expansão urbana, ocupação do solo, educação, pesquisa científica e gestão territorial.

DETER

O Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Quase-Real — DETER — utiliza imagens de sensoriamento remoto para produzir alertas destinados a apoiar a fiscalização ambiental.

O INPE documenta o uso de imagens da WFI do CBERS-4, com resolução espacial próxima de 64 metros, no desenvolvimento e operação do DETER-B. A alta frequência temporal é particularmente útil para localizar alterações recentes na cobertura vegetal.

PRODES

O Programa de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite — PRODES — produz o mapeamento anual consolidado do desmatamento.

Precisão conceitual: embora as imagens CBERS integrem o ecossistema de observação ambiental do INPE, o PRODES não deve ser descrito como dependente exclusivamente da câmera MUX do CBERS-4. O programa utiliza diferentes fontes orbitais adequadas ao seu método, incluindo sensores de missões como Landsat e Sentinel.

Recursos hídricos

A resposta espectral no infravermelho próximo favorece a distinção entre água, solo e vegetação. As imagens podem apoiar estudos sobre reservatórios, alterações de margens, áreas inundadas, bacias hidrográficas e mudanças sazonais no uso dos recursos hídricos.

Agricultura

Séries temporais de imagens podem contribuir para identificação de áreas cultivadas, análise da expansão agrícola, acompanhamento do desenvolvimento vegetativo e planejamento territorial do agronegócio.

Órgãos públicos, universidades e entidades do setor agropecuário podem combinar os produtos CBERS com outras missões orbitais para ampliar a frequência de observação e a disponibilidade de imagens sem nuvens.

Planejamento urbano e infraestrutura

A resolução de 5 metros da banda pancromática da PAN permite observar com maior detalhe áreas urbanizadas, eixos de infraestrutura e mudanças na ocupação do território, apoiando estudos municipais e regionais.

Gestão de grandes desastres

O INPE integra a International Charter Space and Major Disasters, cooperação internacional voltada ao fornecimento de imagens orbitais para situações de emergência.

As missões CBERS-4, CBERS-04A e Amazonia-1 já foram utilizadas pelo Brasil no atendimento a ativações da Carta relacionadas a enchentes, ciclones, terremotos, deslizamentos, incêndios e outros eventos críticos.

Entre outubro de 2024 e abril de 2025, período em que o INPE exerceu a liderança da iniciativa, o Instituto informou ter disponibilizado centenas de imagens provenientes dessas missões para apoiar respostas a desastres em diversos países.

8. Evolução tecnológica: CBERS-04A e Amazonia-1

CBERS-04A

O CBERS-04A foi lançado em 20 de dezembro de 2019, também a partir do Centro de Lançamento de Taiyuan e utilizando o foguete Longa Marcha 4B.

A missão passou a operar a aproximadamente 628,6 km de altitude, abaixo dos 778 km do CBERS-4. A configuração também introduziu a câmera chinesa WPM, capaz de fornecer imagens pancromáticas de 2 metros e multiespectrais de 8 metros.

A MUX do CBERS-04A apresenta resolução espacial de aproximadamente 16,5 metros e a WFI, aproximadamente 55 metros.

Parâmetro CBERS-4 CBERS-04A
Altitude aproximada 778 km 628,6 km
MUX 20 m / 120 km 16,5 m / 95 km
WFI 64 m / 866 km 55 m / 684 km
Alta resolução chinesa PAN — 5 m PAN / 10 m multi WPM — 2 m PAN / 8 m multi
Vida útil projetada 3 anos 5 anos

O INPE informa que o custo total do lançamento do CBERS-04A foi de cerca de US$ 30 milhões, dividido igualmente entre Brasil e China, representando aproximadamente US$ 15 milhões para o lado brasileiro. A missão como um todo envolveu outros investimentos de desenvolvimento, infraestrutura e aplicações.

Amazonia-1

O Amazonia-1 representa um marco adicional da capacidade espacial nacional. É descrito pelo INPE como o primeiro satélite de observação da Terra completamente projetado, integrado, testado e operado pelo Brasil.

Seu imageador WFI possui resolução espacial informada pelo INPE de aproximadamente 60 metros, faixa imageada da ordem de 850 km e capacidade de revisita aproximada de cinco dias.

Uma constelação virtual de observação

O uso coordenado de CBERS-4, CBERS-04A, Amazonia-1 e missões internacionais aumenta a disponibilidade temporal de observações e a possibilidade de obter cenas úteis em regiões tropicais sujeitas a cobertura persistente de nuvens.

A expressão “constelação virtual” é útil para descrever essa complementaridade, mas não significa que os satélites operem como uma constelação física rigidamente sincronizada. A frequência efetiva de obtenção de uma imagem útil depende de órbita, programação, sensor, cobertura de nuvens e área pesquisada.

CBERS, Landsat e Sentinel

Dados das missões Landsat, Sentinel e CBERS podem ser utilizados de forma complementar. Landsat e Sentinel disponibilizam séries globais amplamente utilizadas em processamento científico, enquanto o Programa CBERS proporciona ao Brasil capacidade própria de programação, operação e desenvolvimento de missões de observação da Terra.

Essa autonomia possui valor estratégico porque permite ao país desenvolver tecnologia espacial, operar seus próprios ativos, definir prioridades de imageamento e manter uma infraestrutura pública nacional de dados orbitais.

9. Recomendações para utilização das imagens CBERS-4

1. Identifique primeiro o produto realmente necessário

Antes de baixar as cenas, defina a resolução espacial, período, banda espectral, nível de processamento e precisão geométrica exigidos pelo projeto. Isso evita processamentos desnecessários e reduz o volume de dados.

2. Diferencie DN, radiância e refletância

Um produto identificado como DN não corresponde automaticamente à refletância de superfície. Para aplicações quantitativas — como comparação temporal de NDVI ou outras métricas espectrais — é fundamental estabelecer uma cadeia de calibração e correção consistente.

3. Documente a correção atmosférica

Caso seja necessária refletância de superfície, utilize metodologia tecnicamente adequada ao sensor e à finalidade do trabalho, documentando os parâmetros, algoritmos e dados auxiliares empregados.

4. Combine resolução temporal e espacial

Uma estratégia eficiente consiste em utilizar sensores de ampla cobertura e alta revisita, como a WFI, para localização rápida de alterações, e sensores de maior detalhamento, como MUX ou PAN, para caracterização mais precisa do alvo.

5. Utilize múltiplas missões quando necessário

Para monitoramento ambiental, agrícola ou urbano, a integração de imagens CBERS com Amazonia-1, Landsat, Sentinel e outras fontes pode reduzir lacunas temporais e melhorar a disponibilidade de cenas utilizáveis.

6. Priorize a infraestrutura atual do INPE

Usuários que mantêm rotinas construídas exclusivamente sobre o serviço histórico do CBERS-4 devem avaliar a migração para os serviços atuais de distribuição do INPE, que centralizam produtos modernos e novas aquisições das missões de observação da Terra.

  • Defina o período e a área geográfica do estudo.
  • Escolha o sensor adequado à resolução desejada.
  • Verifique percentual de nuvens e qualidade visual da cena.
  • Confirme o nível de processamento.
  • Baixe e preserve os metadados junto com as bandas.
  • Registre o método de calibração e processamento aplicado.
  • Utilize o sistema oficial do INPE como referência primária dos produtos.
  • Em séries temporais, mantenha metodologia consistente entre as datas.

10. Relevância estratégica para o Brasil

O CBERS-4 representa um dos resultados mais duradouros da cooperação espacial sino-brasileira. Além das imagens produzidas, a missão contribuiu para o desenvolvimento da indústria espacial brasileira, formação de especialistas, aprimoramento do segmento de solo e consolidação da capacidade nacional de operar satélites de observação da Terra.

A gratuidade dos dados reduz barreiras econômicas de acesso ao sensoriamento remoto e permite que universidades, empresas, órgãos ambientais, municípios e pesquisadores utilizem informações orbitais sem depender exclusivamente da contratação de imagens comerciais.

Essa política de dados abertos também fortalece sistemas de monitoramento ambiental, amplia a capacidade científica do país e favorece o desenvolvimento de soluções privadas baseadas em geoinformação.

A continuidade operacional do CBERS-4 por período muito superior aos três anos inicialmente projetados demonstra, ainda, a relevância da manutenção de infraestrutura de controle, recepção, processamento e distribuição de dados espaciais em território nacional.

Fontes consultadas

  1. Gov.br — Obter imagens de sensoriamento remoto da Terra geradas pelo satélite CBERS-4 .
  2. Gov.br — Serviço integrado de imagens CBERS-4, CBERS-04A e Amazonia-1 .
  3. INPE — Dados Geoespaciais: Satélite CBERS-4 .
  4. INPE — Câmeras Imageadoras dos satélites CBERS-3 e CBERS-4 .
  5. INPE — Perguntas Frequentes sobre o Programa CBERS .
  6. INPE — Segmento de controle dos satélites CBERS .
  7. INPE — DETER .
  8. INPE — Programa CBERS .
  9. INPE — Câmeras Imageadoras do CBERS-04A .
  10. INPE — Lançamento do CBERS-04A .
  11. INPE — Características do satélite Amazonia-1 .
  12. INPE — Carta Internacional Espaço e Grandes Desastres .
  13. INPE — Custo da missão e do lançamento do CBERS-04A .

Observação: este conteúdo possui caráter informativo e técnico. Serviços digitais, endereços eletrônicos, procedimentos de acesso, interfaces e especificações disponibilizadas pelos órgãos públicos podem ser atualizados. Para uso científico, operacional ou institucional, consulte sempre os metadados do produto e as páginas oficiais do INPE.