Pesca da Tainha: SisTainha, Cotas e Monitoramento

Relatório Técnico sobre o Ordenamento Regulatório, Permissionamento e Monitoramento da Pesca da Tainha no Brasil

Análise regulatória, operacional e digital da pesca da tainha (Mugil liza) nas regiões Sudeste e Sul do Brasil, com foco em SisTainha, PesqBrasil, cotas, defeso, rastreabilidade e obrigações de monitoramento.

Gestão Digital e Permissionamento das Embarcações

O ordenamento da pesca da tainha nas regiões Sudeste e Sul do Brasil é estruturado por regras de controle, registro digital e autorização administrativa, sob gestão do Ministério da Pesca e Aquicultura. O ponto de partida para a regularização é o serviço público “Solicitar permissão para a prática da pesca da Tainha”, disponível no portal Gov.br, com acesso ao sistema SisTainha.

O serviço tem por finalidade realizar o cadastramento da embarcação para praticar a pesca da tainha. É voltado a empresas, exige cadastro ativo no SisTainha, possui execução estimada em 10 minutos e é gratuito para o cidadão.

Parâmetro técnicoDetalhes do serviço
Órgão gestorMinistério da Pesca e Aquicultura (MPA)
Canal de acessoWeb: sistemasweb.agricultura.gov.br/sap-sistainha/
Público beneficiárioEmpresas pesqueiras / pessoas jurídicas
Custo de processamentoGratuito para o requerente
Contato para suporteSecretaria de Aquicultura e Pesca: (61) 3276-4438
Legislação associadaInstrução Normativa MAPA nº 8/2019 e Portaria Interministerial SG-PR/MMA nº 24/2018

Níveis de autenticação Gov.br

Nível Bronze: acesso básico, obtido por validação cadastral em bases governamentais ou atendimento presencial.
Nível Prata: acesso elevado, com validação facial pela CNH, internet banking parceiro ou SIGEPE.
Nível Ouro: grau máximo, com validação facial pelo TSE, QR Code da CIN ou certificado digital ICP-Brasil.

O atendimento ao usuário deve observar os princípios da Lei nº 13.460/2017, incluindo urbanidade, respeito, acessibilidade, cortesia, presunção de boa-fé, igualdade, eficiência, segurança e ética. Quando houver atendimento presencial, as instalações devem ser salubres, seguras, sinalizadas, acessíveis e adequadas ao serviço.

Categoria de beneficiárioCritério de prioridade
Pessoas com deficiênciaGarantia de acessibilidade física e comunicacional.
IdososAtendimento prioritário a pessoas com 60 anos ou mais.
Gestantes e lactantesEncaminhamento a canais de atendimento preferencial.
Pessoas com crianças de coloProteção ao acompanhante de lactentes ou crianças pequenas.
Pessoas obesasTratamento prioritário conforme legislação aplicável.

Ciclo Biológico, Defeso e Fatores Oceanográficos

A preservação dos estoques de tainha depende da compatibilização entre o calendário de captura e as fases biológicas da espécie. O período de defeso protege os cardumes durante fases de maior vulnerabilidade reprodutiva. Nas regiões Sul e Sudeste, a pesca da tainha é suspensa, como regra geral, entre 15 de março e 15 de setembro, conforme normas de ordenamento aplicáveis.

Durante esse período, a atividade extrativa é restringida, com exceções previstas em norma, como a pesca de tarrafa por pescadores profissionais em determinadas condições. Também há restrições espaciais em áreas sensíveis, como desembocaduras de canais, rios, estuários, estreitos e ligações lagunares.

Atenção: municípios podem estabelecer regras adicionais. Em Vitória, por exemplo, há restrição municipal para pesca com redes nas baías de Vitória e do Espírito Santo a menos de 3 milhas náuticas da linha costeira.

O desempenho da safra é influenciado por ventos de quadrante sul, queda da temperatura da água e migração dos cardumes a partir do estuário da Bacia do Prata e da Lagoa dos Patos. A atuação de frentes frias e a redução gradual da temperatura superficial do mar são fatores relevantes para o deslocamento da espécie ao longo do litoral catarinense.

Habilitação e Credenciamento para a Safra de 2026

A Autorização de Pesca Especial Temporária para a safra de 2026 foi disciplinada pelo Edital de Seleção nº 15, de 26 de dezembro de 2025. O processo foi estruturado em duas etapas: habilitação, de caráter eliminatório, e credenciamento, de caráter classificatório. O envio das candidaturas ocorreu eletronicamente pelo PesqBrasil – Monitoramento, sem entrega física ou por e-mail.

ParâmetroCerco / TraineiraEmalhe Anilhado
Códigos de frota4.1 e 4.22.2 e 2.4
Documento da embarcaçãoTIE, PRPM ou protocolo oficialTIEM, TIE ou protocolo oficial
Regularidade ambientalCertificado de Regularidade do CTF/IBAMACertificado de Regularidade do CTF/IBAMA
Regularidade fiscalCPF/CNPJ ativo e regular na Receita FederalCPF/CNPJ ativo e regular na Receita Federal
Histórico operacionalNão ter excedido cotas em 2024 e/ou 2025Ter autorização temporária em ao menos uma safra entre 2013 e 2025
Limitação físicaArqueação conforme regra da frotaArqueação Bruta igual ou inferior a 20
Sanções cadastraisSem cancelamento da licença especial em 2024 e/ou 2025Sem cancelamento da licença especial em 2024 e/ou 2025

O edital também permitiu impugnação por qualquer cidadão, mediante requerimento escrito, fundamentado e encaminhado eletronicamente à Secretaria Nacional de Registro, Monitoramento e Pesquisa da Pesca e Aquicultura.

Gestão de Cotas e Conflitos Regionais

A Portaria Interministerial MPA/MMA nº 51, de 27 de fevereiro de 2026, fixou originalmente o limite global de captura da tainha em 8.168 toneladas. O volume foi distribuído entre modalidades de pesca, buscando equilibrar esforço pesqueiro, conservação do estoque e viabilidade econômica.

ModalidadeCota inicial 2026
Cerco / traineira720 toneladas
Emalhe anilhado1.094 toneladas
Emalhe costeiro de superfície2.070 toneladas
Arrasto de praia1.332 toneladas
Estuário da Lagoa dos Patos2.760 toneladas

No arrasto de praia catarinense, a rápida evolução das capturas levou ao encerramento preventivo da modalidade a partir de 7 de junho de 2026, quando o limite coletivo alcançou o gatilho de 90% da cota autorizada.

Posteriormente, a Portaria Interministerial MPA/MMA nº 63/2026 reabriu a possibilidade de desembarque por embarcações autorizadas e ajustou o controle da produção para o arrasto de praia, observados os limites, municípios autorizados, regras de monitoramento e demais condições estabelecidas.

Municípios contempladosGrupoLimite do setor
Itajaí, Navegantes, Balneário Camboriú, Penha, Porto Belo, Bombinhas, Barra Velha, Joinville, Itapoá, São Francisco do Sul e municípios limítrofes Grupo 1 — Norte / Centro-Norte 230 toneladas
Florianópolis, Palhoça, Garopaba, Imbituba, Laguna, Jaguaruna, Balneário Rincão, Araranguá, Balneário Arroio do Silva, Balneário Gaivota e Passo de Torres Grupo 2 — Sul / Centro-Sul 200 toneladas
Observação regulatória: a comercialização da tainha deve estar vinculada à produção regularmente desembarcada por embarcação constante na lista oficial disponibilizada no PesqBrasil – Monitoramento.

Infraestrutura Tecnológica de Monitoramento e Rastreabilidade

O controle das cotas de captura da tainha em 2026 passou a ser realizado com base nos dados recepcionados pelo PesqBrasil – Monitoramento. O proprietário, representante legal de empresa pesqueira ou embarcação deve enviar as informações de captura pelo sistema, conforme a modalidade.

PlataformaEscopo operacionalAcesso
SisTainhaCadastro, produção, desembarque, declaração de entrada e controle relacionado à tainha.Login integrado Gov.br.
PesqBrasil – Mapa de BordoRegistro da atividade de pesca, quantidade, localização, lances e informações operacionais.Autenticação Gov.br; CPF compatível com o cadastro no sistema.
PesqBrasil – MonitoramentoHabilitação, seleção, reporte de captura, acompanhamento de cotas e autorizações especiais.Módulo eletrônico do MPA.

O não envio das informações de captura pode gerar sanções administrativas sobre a Autorização de Pesca. Após o atingimento das cotas, o reporte deve observar os procedimentos aplicáveis ao PesqBrasil – Mapa de Bordo, conforme a modalidade.

A rastreabilidade também se relaciona à documentação fiscal e sanitária do pescado. O trânsito de pescado destinado a indústrias sob inspeção oficial deve observar a emissão de documentos fiscais e a identificação do fornecedor, do RGP e do estabelecimento de destino, conforme legislação aplicável.

Conclusões e Recomendações Regulatórias

A gestão pesqueira da tainha no Brasil demonstra avanços relevantes no uso de sistemas digitais, monitoramento de cotas e integridade cadastral. Ainda assim, a aplicação de limites globais a comunidades tradicionais, especialmente no arrasto de praia, evidencia a necessidade de equilibrar objetivos ambientais, segurança jurídica e proteção social.

  • Regionalização de cotas: criação de limites ajustados à realidade social e geográfica de cada faixa costeira.
  • Estabilidade dos sistemas: adoção de protocolos de contingência para falhas no SisTainha e PesqBrasil.
  • Diferenciação por modalidade: exigências tecnológicas proporcionais ao porte da embarcação e à escala da operação.
  • Participação social: fortalecimento do GT Tainha e de conselhos locais, combinando conhecimento científico e saber tradicional.
  • Rastreabilidade documental: integração entre dados fiscais, RGP, inspeção sanitária e monitoramento de desembarque.

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Fontes consultadas