Certificação Zootécnica para Importação Animal no Brasil

Certificação Zootécnica para Importação de Material Genético e Animais Vivos no Brasil

Análise sistêmica dos procedimentos regulatórios, uso do SIPEAGRO e SEI, exigências por espécie animal e modernização aduaneira com Duimp, LPCO e Novo Processo de Importação.

Contextualização e governança institucional

O controle da introdução de recursos genéticos de origem animal no território brasileiro é atividade estratégica para a segurança sanitária, a soberania alimentar, o melhoramento genético e a competitividade do agronegócio. O Ministério da Agricultura e Pecuária atua como órgão regulador e fiscalizador, verificando se a entrada de animais vivos de interesse econômico e materiais de multiplicação está alinhada aos programas nacionais de melhoramento e conservação de recursos zoogenéticos.

Em termos práticos: a Certificação Zootécnica busca comprovar mérito genético, genealogia, origem, finalidade produtiva e conformidade técnica antes da importação de animais vivos, sêmen, embriões, ovos férteis e demais materiais de multiplicação animal.
Nível / setor Atribuição principal Localização / contato institucional
Secretaria de Defesa Agropecuária – SDA Coordenação superior, normas de importação e fiscalização agropecuária no trânsito internacional. Esplanada dos Ministérios, Bloco D, Brasília-DF.
Departamento de Saúde Animal – DSA Avaliação dos requisitos sanitários e análise epidemiológica relacionada ao ingresso de material biológico. Estrutura central da SDA/MAPA.
Coordenação-Geral de Insumos Pecuários – CGIPE Gestão de políticas de insumos, material de multiplicação animal, estabelecimentos e laboratórios. Área técnica de apoio regulatório.
Divisão de Registro Genealógico Animal – DIRG Análise de mérito genético, genealogias, pedigrees e relação com associações de criadores. MAPA, Brasília-DF.
Superintendências Federais de Agricultura – SFA-UF Recepção, triagem documental, análise local e emissão conforme competência administrativa. Representações do MAPA nos Estados.

Enquadramento regulatório por espécie

Ruminantes: bovinos, bubalinos, ovinos e caprinos

Para ruminantes, a Instrução Normativa MAPA nº 1/2014 estabelece a metodologia de avaliação dos processos de Certificação Zootécnica para importação. O material genético importado, seja animal vivo ou material de multiplicação, deve comprovar identificação genealógica, mérito genético, tipagem de DNA, perfil alélico e, quando aplicável, qualificação de parentesco.

Há exceções para situações antigas em que a comprovação genética seria materialmente inviável, como doadores ou progenitores falecidos antes dos prazos previstos na norma. Quando não existir associação nacional credenciada para a raça, pode ser exigida comprovação documental de, no mínimo, três gerações ascendentes conhecidas.

Raça / espécie Critério genético de seleção estrangeiro Fonte de validação
Charolês Desempenho acima dos valores indicados em pelo menos duas características avaliadas. Parâmetros de associações homólogas validados pelo MAPA.
Asturiana de los Valles Desempenho acima do valor indicado nos índices de conformação e produção. Base oficial da associação de criadores espanhola.
Simental / Fleckvieh Desempenho superior em pelo menos duas características avaliadas. Associação Nacional de Criadores de Ganado Vacuno Fleckvieh-Simmental.
Montbeliard Desempenho superior em pelo menos uma característica produtiva. Controle oficial de produtividade leiteira europeu.
Caprinos Florida / Murciana Índices superiores de produção leiteira e componentes do leite para reprodutores machos. Serviços técnicos de ganadería e associações reconhecidas.

Os testes de identificação genética e verificação de parentesco por DNA devem observar os critérios de laboratórios credenciados, especialmente conforme a Instrução Normativa MAPA nº 45/2017. Para bovinos de corte avaliados geneticamente, a Instrução Normativa MAPA nº 12/2018 também se relaciona ao CEIP, aplicável a animais avaliados por entidades promotoras de provas zootécnicas.

Equídeos

A importação de equídeos e material genético equino observa a Instrução Normativa MAPA nº 9/2017, voltada à avaliação de resultados de provas zootécnicas realizadas em outros países. O foco está na comprovação de desempenho funcional, esportivo, morfológico ou zootécnico reconhecido por entidades oficiais ou homólogas no exterior.

Suídeos

No setor suinícola, a análise da prova zootécnica prévia envolve a Associação Brasileira de Criadores de Suínos – ABCS e os critérios do Serviço de Registro Genealógico de Suínos. O processo costuma envolver cronograma, detalhamento do lote, emissão de certificação técnica e anuência federal.

  1. Notificação de intenção: a empresa formaliza a intenção de importar à ABCS e ao MAPA.
  2. Definição de datas: havendo janela no calendário, é apresentado o detalhamento do lote.
  3. Certificação zootécnica: a ABCS avalia indicadores de desempenho das linhagens.
  4. Anuência federal: o dossiê é submetido ao MAPA para autorização final.
  5. Controle quarentenário: suínos vivos importados devem observar o isolamento e os testes exigidos pelo Serviço Veterinário Oficial.

Material genético avícola

A importação de ovos incubáveis, aves de um dia e material genético avícola é disciplinada pela Instrução Normativa MAPA nº 17/2016. A norma exige parecer técnico prévio, avaliação de provas zootécnicas e controle sobre empresas, linhagens, origem, destino e estabelecimentos envolvidos.

Atenção: estabelecimentos que importam material genético avícola devem estar registrados na Secretaria de Defesa Agropecuária e manter informações rastreáveis sobre origem, destino, quantidade, linhagem e finalidade do material.

Processamento digital: SIPEAGRO e SEI

A operacionalização das solicitações ocorre em ambiente digital, principalmente por meio do SIPEAGRO e do SEI. Cada sistema possui função distinta e complementar.

MAPA / SDA │ ├── SIPEAGRO │ ├── Registro do estabelecimento │ ├── Área: Material de Multiplicação Animal │ ├── Inscrição de reprodutor │ ├── Solicitação de Certificação Zootécnica │ └── Anexação de laudos, DNA e documentos técnicos │ └── SEI ├── Peticionamento eletrônico ├── Tipo de processo: Material Genético: Importação ├── Requerimento de importação ├── Licenciamento / Duimp / documentação aduaneira └── Análise e decisão administrativa

Canal SIPEAGRO

O SIPEAGRO é utilizado para registro do estabelecimento, inscrição de reprodutores e solicitação de Certificação Zootécnica na área de interesse “Material de Multiplicação Animal”. O operador deve acessar o menu de reprodutor, solicitação e certificação zootécnica, anexando laudos técnicos, exames laboratoriais de parentesco por DNA e documentos relacionados ao material importado.

Canal SEI

O SEI é utilizado para o peticionamento administrativo da operação de importação. O importador, como usuário externo, deve selecionar o tipo de processo adequado, juntar o requerimento, documentos aduaneiros, autorizações, manifestações técnicas de entidades setoriais e demais comprovantes exigidos.

Quando os requisitos são atendidos, a Certificação Zootécnica é emitida eletronicamente e anexada ao processo. Caso sejam identificadas inconsistências, pode haver exigência, indeferimento técnico ou arquivamento do pedido.

Modernização aduaneira: Portaria MAPA nº 835/2025, Duimp e LPCO

A Portaria MAPA nº 835/2025 regulamenta o controle agropecuário nas operações de importação registradas no Portal Único de Comércio Exterior, no contexto do Novo Processo de Importação. A transição para a Duimp ocorre de forma faseada, conforme cronogramas do Siscomex e dos órgãos anuentes.

Duimp

Centraliza dados da operação de importação e substitui gradualmente modelos anteriores de declaração.

Catálogo de Produtos

Permite detalhar atributos do material importado, como espécie, raça, linhagem, finalidade e características técnicas.

LPCO

Reúne licenças, permissões, certificados e documentos exigidos por órgãos anuentes.

Vigiagro

Atua no controle físico e documental nos pontos de ingresso, como portos, aeroportos e fronteiras.

Nas operações ainda não migradas para Duimp, permanecem aplicáveis os procedimentos tradicionais de licenciamento de importação no Siscomex, conforme regras de transição. Nas operações migradas, os controles passam a ser integrados ao Portal Único, com uso do Catálogo de Produtos e, quando exigido, do módulo LPCO.

A indicação “dispensado de LPCO” em determinada linha tarifária não significa ausência de controle agropecuário. Em muitos casos, significa apenas dispensa de autorização prévia central, mantendo-se a conferência documental e física pelo fiscal federal agropecuário no ponto de ingresso.

Barreiras sanitária e zootécnica no ingresso

Ponto de ingresso — Vigiagro │ ├── Barreira sanitária │ ├── Certificado Veterinário Internacional │ ├── Inspeção documental │ ├── Inspeção clínica, quando aplicável │ └── Quarentena ou testes sanitários │ └── Barreira zootécnica ├── Certificação Zootécnica ├── Validação de pedigree ├── Comprovação de mérito genético └── Aderência aos índices mínimos exigidos Resultado: desembaraço, exigência, retenção ou indeferimento.

Essa dupla barreira busca impedir a entrada de genética de baixo mérito e reduzir riscos sanitários que poderiam impactar a avicultura, a suinocultura, a pecuária de corte, a pecuária leiteira e os programas nacionais de melhoramento animal.

Implicações estratégicas para empresas e importadores

A importação de material genético animal exige planejamento regulatório prévio. Empresas de biotecnologia, centrais de coleta, criadores, associações e importadores devem estruturar documentação técnica antes do embarque, evitando custos com retenção, perda de viabilidade biológica, exigências administrativas ou indeferimento.

SIPEAGRO SEI Duimp LPCO Vigiagro Certificação Zootécnica

A modernização pelo Novo Processo de Importação tende a reduzir redundâncias e melhorar a rastreabilidade, mas exige adaptação dos cadastros, domínio dos sistemas digitais e coerência entre documentação técnica, classificação fiscal, finalidade econômica e requisitos sanitários.

Precisa regularizar uma importação de material genético ou animal vivo?

O Direto Legaliza auxilia na organização documental, análise de exigências, orientação sobre sistemas digitais, enquadramento regulatório e acompanhamento de processos administrativos relacionados à regularização empresarial e documental.

Fale com o Direto Legaliza

Fontes consultadas